O “meteoro” midiático coronavírus: o dinheiro público é o papel higiênico do cassino financeiro, por Wilson Ferreira

É o jogo de ganha-ganha: ganhar seja no investimento, seja na especulação sobre a presunção da catástrofe.

O “meteoro” midiático coronavírus: o dinheiro público é o papel higiênico do cassino financeiro

por Wilson Ferreira

A narrativa da grande mídia sobre a pandemia do novo coranvírus (a “Teologia do COVID-19”) basicamente se desenrola através de dois plots principais: Primeiro, de que um “meteoro” (o ministro Paulo Guedes usou também essa expressão) atingiu a economia derrubando as bolsas e trazendo desemprego; e segundo, de que o vírus original veio de um morcego, pangolins ou bananas numa úmida e suja feira de rua chinesa. “Profeticamente”, palavra por palavra dos cenários simulados no “Event 201: Global Pandemic Exercise” em outubro de 2019 (organizado não por cientistas ou pesquisadores, mas por representantes do “Big Money” e da “Big Pharma”) está se concretizando: cenários e mais cenários foram detalhados examinando o que aconteceria nos mercados de capitais, telejornais grande mídia, mídia independente, colapso das bolsas de valores, a extensão do vírus a algo de 65 milhões de pessoas e assim por diante. Não fosse a pandemia, 2020 seria marcado por um crash financeiro global mais violento que de 2008. O colapso ocorreu, mas sob a narrativa midiática do “meteoro” que torna invisível para o distinto público um fato: de que o dinheiro público é o papel higiênico do cassino financeiro global.

“O dinheiro é o papel higiênico dos mercados financeiros” (tuíte do economista Lex Hoogduin)

Mulher: Tudo bem. Agora, avançaremos três semanas para a quarta e última reunião do Conselho de Emergência da Pandemia, em 18 de dezembro de 2019.

Homem: Ok. Obrigado por se reunir novamente e vamos receber uma atualização do Dr. Rivers.

Dr. Rivers: Nas últimas três semanas, o número de casos continuou a crescer exponencialmente. Agora, estimamos 4,2 milhões de casos e 240.000 mortes. Quase todos os países estão agora relatando casos, e aqueles que não o fazem podem simplesmente não ter os recursos para realizar a vigilância. Não vemos nenhuma mudança na taxa de propagação rápida, e os modelos estimam que poderíamos ter mais de 12 milhões de casos e quase um milhão de mortes até meados de janeiro. Não sabemos ao certo o tamanho, mas não há um fim à vista. Os mercados financeiros diminuíram globalmente em 15% ou mais no ano. Medo de uma pandemia catastrófica e incerteza sobre a capacidade dos governos responderem…

Esse foi um diálogo de um suposto encontro científico. Na verdade, fez parte de uma simulação em um evento que ocorreu em outubro do ano passado, em Baltimore (EUA), chamado “Event 201 – Global Pandemic Exercise” promovido pelo Centro de Segurança em Saúde Johns Hopkins Bloomberg (veja vídeo ao final da postagem). Um sistemático e detalhista exercício de simulação antevendo todos os cenários possíveis de uma pandemia e as consequências políticas, financeiras, econômicas e sociais para o planeta.

Vídeos e mais vídeos foram gravados com cenários detalhados examinando o que aconteceria nos mercados de capitais, grande mídia, mídia independente, colapso das bolsas de valores, a extensão do vírus a algo de 65 milhões de pessoas e assim por diante.

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Os cenários descritos na simulação parecem estar sendo estreitamente seguidos pela realidade, desde que o vírus COVID-2019 foi descoberto na China apenas dois meses depois do Event 201.

Quando os organizadores dessa simulação foram confrontados por jornalistas, particularmente no auge da crise dos mercados financeiros no final de fevereiro, disseram: “Não prevemos nada… apenas simulamos”. Porém, na verdade, palavra por palavra dos cenários simulados naquele evento estão se tornando reais. Agora, desde então, a situação só evolui.

O “Event 201” não foi composto por algum conjunto independente de cientistas, pesquisadores ou economistas. Na verdade, foi um ensaio logístico e estratégico bancado pelo “Big Money” e pelo “Big Pharma” – a banca do cassino financeiro e as gigantes da indústria farmacêutica global representados pelo Fórum Econômico Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates.

Porém, o mais relevante de tudo isso é que as mesmas pessoas que estavam envolvidas na simulação no ano passado, agora também estão envolvidas no gerenciamento da crise da pandemia real, desde que ela eclodiu.

Paulo Guedes: “fomos atingidos por um meteoro”

Coronavírus é um meteoro?

Como colocamos em postagem anterior, há um modus operandi entre a crise da pandemia do COVID-2019 e o tour dos atentados terroristas que assolaram os EUA (Boston, Flórida etc.) e Europa (Londres, Nice, Berlim etc.): sempre foram precedidos de exercícios de simulação de atentados nos mesmos locais… e que se tornavam reais pouco tempo depois.

Esse detalhe coloca no debate pelo menos uma dúvida plausível que põe em xeque os dois principais plots da narrativa construída pela mídia corporativa internacional:

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(a) A pandemia do novo coranavírus foi como fosse um meteoro que atingiu os mercados financeiros e a economia real, gerando falências e desempregos. O próprio Paulo Guedes assim se referiu em uma coletiva à imprensa: como fosse um meteoro que atingiu o ritmo das reformas tão caras ao ministro.

(b) Tudo começou numa feira de rua úmida e suja numa província chinesa, para se espelhar pelo mundo afora… uma guerra biológica comunista chinesa para derrubar o Ocidente?

A imagem de um meteoro que surge do nada, fortuito e aleatório, que atinge os mercados que mal sabiam o que os aguardava, é um argumento inocente que apenas quer inverter na mente do distinto público (aquele mesmo que perdeu as poupanças das suas vidas nas bolsas de valores) as relações causais.

O “Event 201” foi um momento de inflexão na engenharia social em andamento com a narrativa da ameaça terrorista do fundamento islâmico e do choque Ocidente X Oriente – convencer as massas de que é aceitável na guerra ao terrorismo trocar a sua privacidade, direitos civis e liberdade pela segurança diante de um inimigo invisível.

Como observa o professor de Economia da Universidade de Ottawa, Michel Chossudovsky, “no início estávamos lidando como uma guerra econômica apoiada por uma campanha da mídia, como uma intenção deliberada do governo Trump para minar a economia chinesa”, dentro do cenário de guerra comercial EUA versus China.

“Mas agora tudo parece mostrar que faz parte do mecanismo de mercado. Faz parte de um processo de manipulação através de instrumentos especulativos sofisticados, como venda a descoberto”, aponta Chossudovsky – clique aqui.

A maior concentração de riqueza da História Moderna

Por exemplo, se você tem conhecimento prévio de que o presidente Trump vai implementar uma proibição de viagens transatlânticas para a União Europeia, imediatamente aqueles que têm essa informação poderão especular sobre o colapso financeiro das companhias aéreas. É muito fácil. Apostam e ganham dinheiro sabendo que vão cair. É por aí que esses poderosos interesses corporativos, financiadores e fundos de hedge estão gerando uma quantidade enorme de dinheiro.

O que estamos testemunhando nesse momento é uma transferência de riqueza monetária, uma concentração de riqueza monetária talvez sem precedentes na História moderna. Caracterizada por falências de pequenas e médias empresas, gerando dívidas pessoais, corporativas, a aquisição de empresas concorrentes.

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O que essa narrativa do “meteoro” quer esconder é como, apesar do crash de 2008, a engenharia financeira manteve-se a mesma: a excessiva alavancagem dos mercados de capitais – muita dívida baseada em apostas especulativas. Mesmo após a grande crise de 2008-2010, a alavancagem especulativa tornou-se ainda pior.

Enquanto na véspera do colapso de 2008 a dívida corporativa era de US$ 3,3 trilhões, no final de 2019 era ainda maior: US$ 6,15 trilhões, segundo dados do Federal Reserve dos EUA.

A titularização ou securatização das dívidas (conversão das dívidas em mais títulos para serem especulados) de todo tipo do fator da bolha e o iminente colapso que se aproximava o sistema financeiro global.

Mas, segundo Robert Kuttner (professor da Heller School da Brandeis University), o que é mais sinistro é o imoral jogo chamado “swap nu”, que foi muito mais além dos fatores que desencadearam o colapso de 2008: uma coisa é usar swap (contrato derivativo usado como proteção ou como investimento especulativo) como seguro contra um investimento ruim. Outro é fazer uma aposta paralela de que o investimento não será coberto por nenhum capital real – clique aqui.

É o jogo de ganha-ganha: ganhar seja no investimento, seja na especulação sobre a presunção da catástrofe.

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