Paulo Guedes e seus talibãs boicotam combate ao coronavirus, por Luis Nassif

Guedes mostrou uma incapacidade única de montar e liderar equipes racionais. Seu terraplanismo é equivalente ao de Jair Bolsonaro, com exceção do histrionismo, campo no qual o presidente é imbatível.

A economia de guerra adotada por muitos países, já gerou um bom estoque de sugestões e exemplos.

Tem-se um desafio complexo:

  1. As pessoas precisam ser mantidas em quarentena até passar o pico do coronavirus.
  2. Nesse período, a atividade econômica desaba e o desemprego se alastra.
  3. Com mais desemprego, haverá mais vulnerabilidade social e menos consumo ainda.
  4. Por outro lado, se se afrouxar as regras de combate ao vírus, haverá uma crise sanitária nacional (como na Itália) com reflexos muito mais desastrosos na economia.
  5. Passada a pandemia, em caso de desemprego em massa, haverá enormes dificuldades das empresas em reconstituir sua força de trabalho e retomar a produção.

Olhando a situação de forma sistêmica, o que os países mais adiantados estão fazendo?

Redução do risco dos bancos

Com as incertezas trazidas pelo coronavirus, a risco de crédito tornou-se muito grande. A maneira encontrada pela França foi minimizar o risco bancário. Dependendo do prazo de concessão, o banco público francês garante até 90% do financiamento concedido. Mantém-se a capacidade do banco privado em analisar o crédito, amplia-se o escopo, com a redução do risco bancário.

Complementação de folha

Demissão de funcionários é um transtorno para empresas. Jogam-se fora investimentos em treinamento, o clima de solidariedade interno dificultando enormemente a retomada da produção. O que governos vêm fazendo é bancar parte do custo do trabalhador que teve as atividades suspensas.

Renda mínima

O óbvio ululante! Em um país em que o mercado de trabalho foi jogado na informalidade pelas últimas mudanças nas leis trabalhistas, a única maneira de amparar os autônomos, os desempregados e os que vivem de bico, mantendo-os em casa, é com a renda mínima.

Paulo Guedes paralisado

Além de todos os problemas conceituais e gerenciais, o Ministro da Economia Paulo Guedes mostrou uma incapacidade única de montar e liderar equipes racionais. Seu terraplanismo é equivalente ao de Jair Bolsonaro, com exceção do histrionismo, campo no qual o presidente é imbatível.

Leia também:  TV GGN: O dia em que Guedes e Mansueto quase provocaram um cataclisma

Ontem, o Jornal Nacional fez uma edição histórica, superando seus preconceitos ideológicos e econômicos. Mostrou todas as associações médicas defendendo a quarenta horizontal e economistas que, nas últimas décadas ficaram na linha de frente do fiscalismo mais inóspito, defendendo aumento de gastos e proteção aos mais fracos.

Há uma razão de ordem solidária e outra de ordem econômica. Se se abrir a guarda – como fez a Itália – e a pandemia se espalhar, além dos traumas pessoais e políticos, a economia sofrerá muito mais do que está sofrendo agora.

Quando se olha para a equipe de Guedes, no entanto, é um deserto de iniciativas e de sensibilidade econômica e política.

Nem se diga do presidente do Banco do Brasil, Rubens Novaes, o puxa-saco clássico. Se Bolsonaro critica uma campanha do banco – por ser excessivamente liberal -, Novaes sai correndo para concordar. Ontem, depois do pronunciamento de Bolsonaro, conclamando ao fim da quarenta horizontal, saiu correndo para apoiar. É um caso clássico de vergonha alheia.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, é outro caso crônico desses tempos de escuridão. Técnico do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) sem nenhuma obra mais relevante, ganhou destaque nas hostes bolsonaristas quando se converteu em um militante obcecado, a ponto de provocar arruaças na Câmara e ser detido pelos seguranças. No governo, inventou um dos álibis mais desmoralizantes para explicar o mau desempenho da economia, o tal PIB do setor privado. Ontem, em reunião com empresários, fez questão de salientar a relevância de não desequilibrar as contas púbicas e de não tomar nenhuma medida definitiva.

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O Secretário do Tesouro Nacional, Mansueto de Almeida, notabilizou-se por repetir à exaustão, os mantras da mídia para economia, o corte indiscriminado de gastos, o ajuste fiscal a qualquer preço, independentemente dos efeitos deletérios sobre receita fiscal.

É o que explica, em parte, o fato de Paulo Guedes não ter aprovado nenhuma medida relevante, até agora, para o enfrentamento da pandemia social. Não avançou na liberação da merreca de 200 reais para informais, nas linhas para PMEs.

A outra explicação é a total falta de conhecimento sobre os dutos por onde os recursos públicos podem chegar na economia.

O fato óbvio é que ele se tornou tão deletério para a economia quanto seu chefe para a saúde.

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12 comentários

  1. Do texto, sobre o puxa-saquismo do vacilão hoje a frente do BC: “Ontem, depois do pronunciamento de Bolsonaro, conclamando ao fim da quarenta horizontal, saiu correndo para apoiar. É um caso clássico de vergonha alheia”
    Contudo, assim como o boquirroto ora no poder e os tapados que geral apoiam o asno mor, falam isso dos seus bunkers, seguindo à risca orientação das autoridades médicas .
    Quero ve-los dar ou apoiar declarações que beiram uma indução ao suicídio, misturados, se abraçando, dando as mãos ou falando no ouvido como gostam de fazer.
    Pois é, corona no pulmão dos outros é refresco.

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  2. O desumanismo se alastrou tanto na mentalidade desta gente que só viam números, que eles já não conseguem mais enxergar o futuro imediato até da sobrevivência de seu entorno, familiares e seus empregos/negócios. Só sobrou-lhes o medo paralisante e que cega mais. Não param nem para supor o que nações estão fazendo e o país dos sonhos deles, como os EUA está se prontificando para usar astronômicos 2 trilhões de dólares para tentar suporta a onda da crise. A coisa está ficando já agora tão acelerada, que há uma semana especulava sobre os números de casos e no início projetei até com razoável acerto para uns dias, as subidas diárias dos países com mais números de casos. Sem saber avaliar o caso da Itália imaginei que ente 3ª e 4ª os EUA, a superassem. Ocorre que a Itália agora, se aproxima rápido dos números da China e os EUA acelerou os registros de seus casos e imaginava que só no final da semana suplantassem a China. Neste ritmo, o mais tardar até sábado é muito possível que ambos já estarão bem acima dos números chineses e os EUA num ritmo de subida mais acelerado. Esta história de um presidente irresponsável estar fazendo desfeita da gravidade do caso é assombroso demais. Ontem algumas pessoas notaram que, após o discurso doido para que as crianças fossem para a escola, já tinham mais pessoas e carros nas ruas, que no dia anterior.

  3. Realmente eu não entendo aonde esta a dificuldade
    FOSSE um governo entrosado, de gente capacitada, e já teria dado MAIS do que tempo de terem sido formulados protocolos de acionamento.
    – Afinal, de quanto será essa quarentena ? TAÍ uma resposta que ainda ninguém deu. Penso que o ideal seria chegar ao final de abril e, pacifica e cientificamente, ir se se fazendo um balanço ao longo do mês.
    – Acho incrível que o governo não tenha providenciado ainda o retorno imediato dos benefícios do Bolsa Família, a retomada dos BPCs suspensos, de tantos outros auxílios e demandas previdenciárias que estão parados.
    – A garantia de suprimento de empréstimos de Capital de giro pras empresas é outro ponto, outra providência que esta demorando, mesmo pq, superado esse curto espaço de tempo, aproveitando a JANELA de aumento “nos gastos” e afrouxamento da liquidez, essa injeção poderia até servir como retomada mais acelerada lá na frente.
    – AS EMPRESAS por exemplo, nem mal começou o processo e já estão esmolando tudo o que podem, NÃO PODE SER ASSIM !!! Porque elas não pediram medidas mais factíveis tentando tb dividir o sacrifício, isso ao invés de comemorarem a proposta de suspensão de 4 meses nos salários ? Por exemplo pedirem pela moratória dos encargos diretos e INDIRETOS sobre a folha que, na ponta do lápis, em muitos casos, bate em 100% do que o empregado recebe no mês (50% do total da FOLHA), tipo contribuição pro INSS ou FGTS, não contagem pra efeito de férias, abono e 13o, suspensão do pagto de vale refeição e transporte pros que ficarem em casa.
    – AliáS, o mesmo raciocínio deveria ser empregado pra TODOS, todos os funcionários públicos, CIVIS E MILITARES em iguais situações de suspensão de atividade.
    ..sei lá viu ?? ..é muita barbegem ..NENHUMA definiição nacional do que viria a ser atividade essencial, ou como se estabelecer barreiras sanitárias nas entradas das cidades ..o que poderia ou não funcionar e circular, e em que condições
    DOUTRA feita, como que compensando as escatologias do BOZO, parece que sempre tem uma turma do lado de cá, dos progressistas, arreliando, como aqueles que saíram propondo R$ 1.000 ao mês pra 100 milhões de pessoas, sem dizer SEQUER como seria feito o controles, critério, triagem, nem os agraciados, que com certeza não poderiam ser aposentados, pensionistas, recebedores de programas sociais e de BPCs, funcionários públicos civis e militares, nem gente formalmente empregada que já contaria MINIMAMENTE com outras medidas protetivas como citei.
    Agora, duma coisa é certa falar, pra maioria das atividades, em suspensão de 30-60 dias, sabendo que por este período MUITO ESTOQUE seria consumido, não me parece, EM NENHUM CENÀRIO, o final dos tempos, mesmo pq, lá na frente, boa parte desse estoque deveria ser reconstituído, gerando lucro e mantendo emprego.

    Cara, que desanimo viu ?!

  4. Como economista eu dou meu testemunho: sempre tive NOJO dos economistas da escola liberal, neoliberal ou raio que o parta. NOJO! De qualquer vertente que fosse…
    Tanto NOJO tem uma causa: sua total falta sensibilidade social, seu desprezo pelos mais frágeis (nunca dito explicitamente, mas muito claro nas entrelinhas) sua falta de noção e contato com a realidade, seu servilismo, seu autismo, seu despreparo e sua ignorância brutal, cruel e atroz.
    Por tudo isso por muito tempo entendi que um economista neoliberal se encaixa numa das seguintes categorias:
    1. Ingênuos: os que acreditam piamente nas teorias, acreditando sinceramente que suas ideias vão levar ao melhor dos mundos possíveis;
    2. Ignorantes: os que desconhecem os impactos sociais das teorias que defendem;
    3. Desonestos: os que sabem o que estão fazendo e quais os resultado, mas assim o fazem porque são egoístas e pouco se importam com os outros.
    De uns tempos pra cá eu revi tudo isso. De fato, pra mim, atualmente, economista neoliberal só se encaixa numa categoria: são SOCIOPATAS! Os últimos dias só reforçam em mim esta certeza… São doentes mentais cruéis e incuráveis.

  5. Apesar da gravidade da situação, da completa maluquice dessa turma, não posso deixar de sentir um certo prazer levemente sádico(é humano…)de constatar que toda essa turma neo-lib radical, que nos vendia lindos castelos de areia como certezas ou quase revelações divinas, constatam impotentes, à subida da maré………estão todos em estado de choque……..chorando em posição fetal no canto da sala murmurando:”meu rico dinheirinho”….nẫo contem com eles……estão em surto de PTSD-TEPT……o máximo que vão fazer é tentar por um pino quadrado no buraco redondo…..a marteladas…..

  6. Prezados camaradas

    A inoperância e jequice destes sujeitos já começa a afetar a vida das pessoas: tenho amigos engenheiros que têm pequenas construtoras, com poucos funcionários (na média, 8 funcionários). Estão parando porque:

    1 – Não conseguem comprar faturado (de quem vende), querem pagamento a vista. Este movimento já vinha desde o final do carnaval, mas o CoVid-19 espalhou pânico em tudo)
    2 – Os depósitos fecharam, e não conseguem comprar pequenos insumos.

    Eles estão atendendo à quarentena, parando as obras, e preservando (sua saúde e seu bolso; pois não vão demiti-los) os funcionários , mas o capital de giro é curto (40 dias). Além do risco de quebra, há a incerteza: depois disso, vão comprar o que construímos.

    A renúncia de Bozo (aceitável desde que ele e sua prole de monstros respondam por seus crimes) só faz sentido se todo o resto for junto. E sem um plano consistente para a retomada da economia, com preservação de empregos e empresas (impossível de ser executado por um fanático neoliberal com sérias limitações intelectuais, como o atual ministro da economia) é urgente; até para dar tranquilidade às pessoas. Uma C&C, Telhanorte ou outra rede resiste a uma crise. Mas o depósito da esquina desaparece (e com ele alghunsempregos)

  7. Cabe lembrar que este Sachsida fez um estudo insano baseado em correlações espúrias.
    Correlações espúrias
    https://m.facebook.com/groups/292968317508943?view=permalink&id=1082397385232695

    É o cara das correlações espúrias entre notas do ENEM com e sem sociologia x matemática e português.

    Leonardo Avritzer, 16 de abril de 2018

    O fato de dois fenômenos ocorrerem ao mesmo tempo não significa que um é a causa do outro. Pode ser coincidência temporal ou ter origem em causalidades diferentes. Entre as muitas contribuições de Max
    Weber a sociologia e a ciência política esta pode ser considerada uma das principais. A ética protestante não causou o capitalismo e nem o contrpário é verdadeiro. Não sei quem é mais ignorante: os dois pesquisadores do IPEA que fizeram a correlação ou os jornalistas da Folha que fizeram a matéria. Segue abaixo o primeiro parágrafo deste lixo jornalístico-acadêmico.

    A inclusão de filosofia e sociologia como disciplinas obrigatórias no ensino médio em 2009 prejudicou a aprendizagem de matemática dos jovens brasileiros, principalmente os de baixa renda. A conclusão é dos pesquisadores Thais Waideman Niquito e Adolfo Sachsida, em estudo inédito que será publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

  8. Nassif: GueGué está só cumprindo o script ditado pelos VerdeSauvas. Essa de lançar campanhas para pegar dindim é velha, nos caserneiros. Começou em 1932, com o general Isidoro, denominada “Ouro Para a Vitória”. Não se sabe onde foi parar o precioso metal. Dizem que ele tinha uma teuda e manteuda chamada Vitória. Em 1964 idealizam o “Ouro Para o Bem do Brasil”. Os Diários Associados foram executores. Novo mistério no rumo do metal. Más línguas falam que Delfim Neto garfou. Agora, para alavancar Empresários, negócios, Mercado e Bancos, os ditocujus de verde, apoiados pelos de azul, aparecem com essa nova modalidade. A estratégia é a seguinte. “CAMPANHA ÓBITOS PARA O BEM DO BRASIL”. Os cálculos foram meticulosamente arquitetados. São em torno de 35 milhões de aposentados pelo INSS. Destes, 4/5 recebem até 3 salários mínimos. Se 2/3 do grupo se finar, pouco mais de 23 milhões, restariam 12 milhões, número bom para renovar o consumo. Além do que, esperam eliminar alto percentual de pobres ainda não aposentados, mais que vivem aporrinhando com reclamações por moradia, saúde, escola, transporte, etc. Alguns, de direita. Porém, não se faz omelete sem quebrar ovos. Os Serviços de Informação detectaram que alguns pobres de direita pretendiam se insurgir contra esse status quo. Daí a limpeza, indiscriminada. Somando essa parcela aos de cujus do INSS à limpeza de pobres, esperam algo em torno de 64 milhões que deixariam de atazanar o governo. Já imaginou a economia? Os milhões de sobreviventes são número suficiente para a retomada das atividades e consumo. O plano não era novo. Só faltava a oportunidade, que esse tal de Coronavírus veio como a fome para a vontade de comer… Daí o Palácio do Governo, os empresários inescrupulosos, o Mercado e os banqueiros não aceitarem a quarentena. Só vai atrapalhar. Pobre nasce como grama no campo. A dúvida esta de onde aplicar essa economia. As esposas e amantes( desses grupos) já planejam até retomada das compras no exterior. Nessa toada, estão apostando, voltarão ao Paraiso… Você duvidaria?

  9. Painel
    painel@grupofolha.com.br

    Em grupo de WhatsApp, presidente do Banco do Brasil diz que vida não tem ‘valor infinito’
    ‘Depressão econômica também mata muita gente, principalmente os mais pobres’, diz executivo
    26.mar.2020 à 1h00

    Quanto custa – O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, fez comentários críticos ao isolamento social, na mesma linha que o presidente Jair Bolsonaro. Em mensagem em um grupo de WhatsApp, Novaes disse que vida não tem “valor infinito”. “Muita bobagem é feita e dita, inclusive por economistas, por julgarem que a vida tem valor infinito. O vírus tem que ser balanceado com a atividade econômica”, afirmou o executivo no aplicativo de mensagens.

    Siga o mestre – A discussão sobre a necessidade de isolamento ganhou mais força com o pronunciamento do presidente nesta terça (24), contradizendo recomendações do próprio Ministério da Saúde e na contramão da maioria dos países que estão na batalha contra o vírus.

    Um ou outro – Perguntado sobre a afirmação que fez nas mensagens, Novaes disse que o lockdown [o confinamento, do termo em inglês] prolongado “causará depressão econômica com efeitos piores que os da epidemia”.

    Números – Afirmou também que “a questão não é apenas médica e mesmo alguns médicos concordam com a tese do presidente [Bolsonaro]”, disse ao Painel. “Depressão econômica também mata muita gente, principalmente entre os mais pobres.”

  10. Nunca antes na historia deste país se juntaram tanta gente ruim.
    Não podia dar certo. O que me impressiona é que ainda tem pessoas que têm esperança que sai algo que preste deste desgoverno.

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