Fertilizantes: a guerra continuará aqui. Parte 1, por Rui Daher
O presidente Jair Bolsonaro anunciou com pompa salvadora (de sua reeleição), o lançamento de um Plano Nacional de Fertilizantes, que entre outras dilacerações à Amazônia, permite uma canalhice com o disposto na Constituição, que proíbe mineração em terras indígenas.
Com isso, em seus desaforos “passa-boiada”, entrega a companheiros de cercadinho, políticos, empresários, associações ruralistas, enfim, a todos que se sintam resguardados por milícias, tesouros brasileiros em madeiramento ilegal, ignorância do valor da biodiversidade, cessão de terras não apropriadas para plantio de grãos, pecuária, e de vidas indígenas com que pouco se importa, inumanas que são.
Suas conquistas foram obtidas em pouco mais de três anos, a partir de interesses congressuais, ministérios desinformados, órgãos de controle abatidos em seus recursos financeiros e técnicos, mídia corporativa abobalhada e Forças Armadas na caluda, ocupadas em renovar a pintura das casernas.
Pouco mais de um quarto da população observou aparvalhada seu mito, fosse para não renegar escolha equivocada ou mascar ruminante.
Aprovado pelo bando político oportunista, e contestado apenas por opositores que sabem o que está nos sendo roubado, é mais uma “boiada” de vacas magras (nós) e vagas gordas (os ricos e influentes), que passa sem qualquer possibilidade de eficácia e êxito no verdadeiro objetivo a que deveria se propor.
Na levada da invasão da Ucrânia pela Rússia, Jair Bolsonaro e infectos chantagistas tiram da manga nossa insuficiência na produção e dependência de importações de matérias-primas para fertilizantes, especialmente, entre os macronutrientes, o potássio. Calam-se em relação ao nitrogênio e o fósforo.
Sendo o plano anunciado para os anos entre 2030 e 2050, por óbvio, também estes estarão escassos. Não há investimento previsto em qualquer prazo.
Para facilitar suas verdadeiras intenções, alegam o risco de inviabilizar a produção agrícola, as exportações de commodities, a balança comercial, a roça de milho e mandioca dos Apurinãs (BR-317, km 124, 8.000 pessoas). Preocupados, seus membros discutem como irão produzir o Santo Daime e cumprir os rituais de sua religião.
A exploração de potássio na Amazônia, além de pouco viável, longa duração, difícil, caríssima, agressiva ao ambiente, é desnecessária. Investimentos menores e de menor prazo de execução poderiam ser feitos em Minas Gerais, São Paulo e Sergipe, inclusive sobre unidades já existentes.
Na agricultura, como mineral, ele é, predominantemente, usado na forma de cloreto (KCl), a partir de silvita ou carnalita (Taquari-Vassouras – SE). Visitei essa jazida duas décadas atrás, mas entre rolos da privatização ficou à mercê de disputa entre Petrobras e Vale.
Em Israel o mineral é retirado das águas altamente salinas do Mar Morto. Além da Rússia e partes da Ucrânia, está disponível em significantes volumes no Canadá, EUA e antiga Alemanha Oriental.
Brasil
Durante 15 anos a Petrobras (Petromisa) teve à sua disposição a concessão de lavra do potássio (390 milhões de toneladas) na Amazônia. Opção política do ex-presidente Collor, falta de recursos para o investimento, sem interessados, com oferta superior à demanda na época, o direito de lavra foi entregue à Vale, desejo já minguante em Taquari-Vassouras, pela diretoria da Vale.
Na época, estimava-se o investimento na jazida mais unidades de beneficiamento em US$ 1,2 bilhão. Atenção: a localização já operacional, não em terras indígenas e logística perversa. No entanto, em 2006, o potássio amazônico desceu a ladeira em forma de arrendamento.
Planejado desde 2009, a um custo de R$ 4 bilhões, até hoje disputas políticas regionais (?) emperram o início das obras (Japaratuba e Capela). É o Projeto Carnalita, o mesmo que fui visitar no início do século.
A verdade é que nem Ministério das Minas e Energia ou Vale tiveram apetite para investir em Sergipe, Minas ou São Paulo. O que querem é apitar na Amazônia.
Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN
ze sergio/sorocabanoburaco
15 de março de 2022 10:24 amSempre ótimo ter a opinião de um Especilaista, de um verdadeiro conhecedor da àrea falando do assunto. Tem gente que nunca pisou em bosta de vaca mas quer falar sobre a AgroPecuária Brasileira. As Elites Esquerdopata-Fascistas promoveram as Privatarias. Não foram Empresários-Carcaras, nem a tal Direita. Foi a Elite da USP/1934(uma das primogênitas do Ditador Assassino Fascista GV). A Elite Intelectual que cria a farsante e corrupta Redemocracia entre Nepotismo e Comparsa (Tancredo/Sarney), que cria o PT através do Sindicalismo Pelego do Trabalhismo Pelego (implantado pelo Ditador Fascista GV junto com CLT baseada na Carta del Lavoro de Mussolini) e gera o PSDB (porque ninguém é de ferro e queremos ter a nossa parte no Trilionário Talão de Cheques. Sempre sendo Despretenciosos AntiCapitalistas, é claro. Bolsa de Valores de NY, Cidadanias Estrangeiras, Harvard, S/A’s e Off-Shore’s garantem que sim. Não é mesmo Filha Italiana do Serra?). Esta Cleptocracia reinante desde 1930, repaginada entre 1978/80 é que entregará a Nação em Crime de Lesa-Pátria a partir de ULTRAFÉRTIL, a 1.a das Privatarias, enquanto as Concorrentes MultiNacionais Estrangeiras salivavam: BUNGE, MONSANTO, CARGILL,…O Problema é o atual Presidente tentando resolver mais 30 anos de c@g@d@s. Sabemos. ABRAÇOS !!!!!!