Conflito entre ministros pode gerar crises energética e política na Argentina

Titular da pasta de Energia reclama que Ministério da Economia de enviou apenas 21% dos fundos destinados a conter efeitos provocados pela Guerra na Ucrânia. Presidente Alberto Fernández ainda não se pronunciou sobre o caso

Alberto Fernández, entre os ministros Martín Guzmán e Darío Martínez (foto: Agência Télam)

A Argentina corre o risco de enfrentar uma crise importante no abastecimento de gás no país nos próximos meses, em função de um conflito entre os dois ministros responsáveis por esse setor: Darío Martínez (Energia) e Martín Guzmán (Economia).

A desavença tornou-se de domínio público depois que o meio digital Infobae divulgou uma carta oficial de Martínez a Guzmán, na qual ele reclama que seu ministério recebeu apenas 21% dos recursos prometidos para conter os efeitos que a Guerra da Ucrânia poderiam gerar sobre o preço do gás. A carta também foi encaminhada ao presidente Alberto Fernández e ao chefe de gabinete da Casa Rosada, Juan Luis Manzur.

Segundo o documento, o governo de Fernández teria destinado 309 bilhões de pesos argentinos (cerca de R$ 14,5 bilhões) para fim, somente no mês de março, mas o Ministério da Economia repassou apenas 66 bilhões de pesos (R$ 3,1 bilhões) à sua pasta.

Além disso, Martínez reclama a Guzmán que esse corte em seu orçamento seria uma medida baseada em um teto de gastos que seria imposto à Argentina em função do recente acordo que o governo desse país fez com o FMI (Fundo Monetário Internacional) para reajustar o pagamento da dívida de 44,5 bilhões de dólares adquirida em 2018, durante o governo do conservador Mauricio Macri.

“No exercício das minhas funções como ministro de Energia, ciente das necessidades que devem ser atendidas durante o corrente mês para manter os serviços básicos essenciais e atividades críticas vinculadas à minha área, rejeito o corte imposto pelo teto de gastos, alertando sobre as consequências desastrosas que isso pode significar para o país”, disse Martínez.

A situação pode desencadear diferentes problemas para o governo de Alberto Fernández, não apenas uma crise energética, no caso de um possível efeito no abastecimento de gás no país, como também uma crise política, já que o acordo com o FMI precisa ser aprovado pelo Congresso argentino, e sua discussão está acontecendo justamente nesta semana.

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