10 de junho de 2026

Libertários preparam sua própria pesquisa de opinião e resultados seriam divulgados uma semana antes das eleições

Os Libertários assumem que o partido está se reorganizando, devido a sua pouca “antiguidade”, como afirmou o economista, Andrés Santoro
No debate entre os candidatos e candidatas deste domingo (8) a inflação deu lugar a troca de acusações com Milei mais cauteloso. Foto: Divulgação/C5N

Certos da vitória, Libertários preparam sua própria pesquisa de opinião e resultados seriam divulgados uma semana antes das eleições

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por Maíra Vasconcelos, especial para o Jornal GGN

Os Libertários podem chegar à Casa Rosada, no próximo dia 10 de dezembro, data em que o presidente eleito toma posse oficialmente na Argentina, sem uma organização partidária “sólida” e sem experiência de gestão. A poucas semanas do pleito de 22 de outubro, ainda em busca de quadros políticos e “técnicos” que poderiam compor um hipotético governo do outsider de extrema-direita Javier Milei, tem sido cogitados nomes de ex-funcionários do governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-1999), que, por exemplo, levaram adiante as privatizações nos anos 90. Assim, a favor da privatização irrestrita, de um Estado mínimo, com propostas de recortes extremos do gasto público, com eliminação massiva de ministérios, e contra os políticos da “casta”, como chamam aqueles políticos de diferentes partidos que acumulam privilégios, os próprios Libertários assumem que o partido Libertários Argentina está se reorganizando, devido a sua pouca “antiguidade”, como afirmou o economista, funcionário do Banco Nación, há 23 anos, e tesoureiro do partido, Andrés Santoro, em entrevista ao Jornal GGN.   

Diante de um cenário bastante favorável, tendo recebido 30% dos votos nas eleições Primárias de 13 de agosto, quando a população votou às internas de cada partido, os Libertários pretendem realizar uma pesquisa de opinião pública, uma semana antes das eleições. “Ainda não começamos. Estamos formando uma equipe técnica e vamos começar a fazer pesquisas próprias, sem ter que recorrer a consultorias mais conhecidas, que, muitas vezes, não são objetivas. Vamos fazer uma semana antes (das eleições), que é quando a tendência (de votos) se vê mais forte. No entanto, dizem que 30% das pessoas escolhem em quem irão votar no mesmo dia das eleições”, afirmou Santoro.

Ao ser perguntado sobre se fariam pesquisas de opinião, tanto no primeiro como também no segundo turno, Santoro ponderou a possibilidade de vencer as eleições logo após os resultados de 22 de outubro. “Isso se não ganharmos no primeiro turno, aí já seria diferente. Igualmente, já temos números de consultoras, que emitem relatórios todas as semanas, e há um panorama muito bom para Milei. Em quase todos os cenários, os resultados apontam Milei como ganhador. A possibilidade que ganhe é muito alta”, disse o tesoureiro do Libertários Argentina.

Eles acreditam que os 30% de votos recebidos, representam apenas o piso do candidato. Também projetam um segundo turno mais acirrado com a candidata Patricia Bullrich, da aliança macrista de direita, “Juntos pela mudança”, ou “mais fácil” com o atual ministro da Economia Sergio Massa, candidato do atual governo, da aliança peronista ‘União pela Pátria” (UP).  

“Tudo indica que Milei vai ter um resultado melhor que nas eleições anteriores. Então, tem possibilidade de ganhar no primeiro turno. O piso é 30%, menos que isso ele não vai ter. Mas tem que ter 45% para ganhar no primeiro turno ou mais de 40% com 10% de diferença do segundo colocado”, concluiu Santoro.

Os Libertários acreditam que um segundo turno com Massa significaria uma vitória mais vantajosa para Milei, pois a diferença de votos poderia ser ainda mais significativa, se comparado com um possível segundo turno com Bullrich, disse Santoro. “Provavelmente, passe no primeiro turno, e dependendo de com quem se enfrente, vai ser mais fácil ganhar. Se vai para o segundo turno com Massa, não há chance de que não ganhe. Se enfrentar Bullrich, também vai ganhar, mas talvez não ganhe com tantos sobressaltos. Há uma massa de eleitores de Bullrich, mais ou menos uns 20%, que vão para Milei. É preferível se enfrentar com Massa. Mas quem disse que não ganhamos no primeiro turno, não?”, disse Santoro.

Nas eleições Primárias, em agosto deste ano, o número de abstenções chegou a 29,57%, aproximadamente, 10,469 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Os Libertários acreditam que ao menos boa parte desses votos irá para Javier Milei. “Depois, tem uma quantidade muito grande de argentinos que não foram votar, esta porcentagem, muitas vezes, é uma porcentagem de indecisos, e que votam pelo ganhador”, conjeturou Santoro.

Quando perguntado se os membros do partido estavam muito concentrados nos números das pesquisas de opinião, o economista comentou a necessidade de fazer política, de buscar formar e organizar o partido, considerando a pouca experiência. “Nós estamos fazendo política e deixamos os números para as consultorias. Não se esqueça que nós não temos muita antiguidade. Estamos reorganizando, formando tudo, para mais adiante ter uma organização muito sólida”, disse Andrés Santoro. O Partido Libertário foi fundado em 2018, e, recentemente, na Província de Buenos Aires, e em algumas outras províncias do país, também estão formados pelos Libertários Argentina.

Maíra Vasconcelos – jornalista e escritora, mora em Buenos Aires, publica artigos sobre política argentina no Jornal GGN e cobriu algumas eleições presidenciais na América Latina. 

Maira Vasconcelos

Maíra Mateus de Vasconcelos – jornalista, de Belo Horizonte, mora há anos em Buenos Aires. Publica matérias e artigos sobre política argentina no Jornal GGN, cobriu algumas eleições presidenciais na América Latina. Também escreve crônicas para o GGN. Tem uma plaqueta e dois livros de poesia publicados, sendo o último “Algumas ideias para filmes de terror” (editora 7Letras, 2022).

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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