5 de junho de 2026

Peruanos se unem contra novo governo e confrontos deixam mortos e feridos, em Lima

Instabilidade política e insegurança mergulham o país em uma nova crise após a posse de José Jerí
Imagem: Captura de tela/Rpedução X/Video de Javier Zapata

A capital do Peru, Lima, viveu uma das noites mais tensas do último ano nesta quarta-feira (15). Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra o governo interino de José Jerí, político de direita que assumiu o poder há menos de uma semana, após o impeachment relâmpago de Dina Boluarte. O confronto entre manifestantes e forças de segurança deixou um morto e mais de cem feridos.

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A instabilidade política no Peru atingiu novos patamares nos últimos dias, com a destituição de Boluarte, marcada por acusações de negligência diante do crime organizado e corrupção, que abriu espaço para a ascensão de Jerí, até então presidente do Parlamento. O político assumiu de forma interina até julho de 2026, quando deverá entregar o poder ao novo presidente eleito.

O ato desta quarta começou de forma pacífica, com música, cartazes e discursos contra a corrupção e a insegurança. No entanto, a tensão aumentou quando manifestantes avançaram em direção ao Congresso, derrubando barreiras de proteção. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo, escudos e cassetetes. Pedras e fogos de artifício foram lançados contra as forças de segurança, transformando a praça central em um cenário de batalha.

Segundo autoridades, ao menos 102 pessoas foram atendidas em hospitais, entre elas 24 civis e 78 policiais. O presidente José Jerí confirmou a morte de “Eduardo Ruiz Sanz, de 32 anos”, e culpou “delinquentes infiltrados” pelos confrontos. “Todo o peso da lei para eles”, escreveu nas redes sociais.

A versão oficial, porém, é contestada. A Coordenadoria Nacional de Direitos Humanos afirma que a vítima “teria sido atingida por um tiro supostamente disparado por um policial à paisana”.

A fúria de uma geração esquecida

O protesto foi liderado por jovens do coletivo da Geração Z peruana, que se tornou símbolo de resistência contra governos considerados ineficazes. Além deles, sindicatos de artistas, trabalhadores de transporte público e grupos feministas uniram-se à manifestação, levando às ruas bandeiras e cartazes que misturam cultura pop e reivindicações sociais, incluindo bandeiras inspirada no mangá One Piece, símbolo global de luta contra tiranos.

As redes sociais amplificaram o grito: vídeos do confronto tomaram o TikTok e o X (antigo Twitter), onde hashtags como #PeruEnLlamas e #GeneraciónZResiste alcançaram milhões de visualizações em poucas horas.

As feministas também chamaram atenção, exigindo justiça e criticando o novo presidente, acusado em 2024 de agressão sexual. Uma enorme bandeira vermelha e branca foi erguida com a frase: “Presidente do Peru José Jerí estuprador”.

Vale ressaltar que o Peru enfrenta um ciclo contínuo de instabilidade institucional. Desde 2016, o país teve sete presidentes, entre destituições, renúncias e prisões, o que contribuiu para o descrédito generalizado nas instituições. A crise atual é agravada pela escalada da violência urbana, alimentada pelo crime organizado e pela falta de políticas públicas eficazes de segurança.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    16 de outubro de 2025 12:14 pm

    Peruanos saem às ruas. Mas quantos peruanos?

    Já pensou se 4 gatos pingados fizessem uma caminhada a favor da anistia dos Bostonaristas e a imprensa veiculasse que Brasileiros saem às ruas por anistia para os bostonaristas?

  2. evandro

    17 de outubro de 2025 1:21 am

    Esse o objetivo da extrama direita americana em todo continente sulamericano. Transformar nossos países em um caos, colocando “ditadores” no governo que atendam aos interesses das empresas americanas pelas riquezas minerais de cada país. No Brasil isso terá início ano que vem, pode contar, ainda mais com nossas reservas de Terras Raras, petróleo e outros minérios…

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