22 de junho de 2026

Dona Marisa ao ódio respondeu doando seu órgãos, por Leonardo Boff

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Do blog de Leonardo Boff

 
Dona Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula, morreu num contexto politico conturbado. Nas palavras do próprio Lula, “ela morreu triste” e também traumatizada.
 
Diz-se que todas as instituições funcionam. Mas não se qualifica o seu funcionamento. Funcionam mal. Em outras palavras não funcionam. Se tomamos como referência a mais alta corte da nação, o STF, aí fica claro que as instituições estão corrompidas, incluindo a PF e o MP. Especialmente o STF é atravessado por interesses políticos e um dos seus ministros, de forma escancarada, rompe diretamente a ética de todo magistrado, falando, criticando, atacando fora dos autos e tomando claramente posição por um partido; nada acontece, no nosso vale tudo jurídico, quando deveria sentir o rigor da lei e sofrer um impeachment. Esta situação é um sinal inequívoco que estamos numa derrocada política, ética e institucional. O Brasil vai de mal a pior, pois todos os dias os itens sociais e politicos se deterioram. E havia senadores e deputados de poucas luzes que propalavam que, com a derrubada do PT, o Brasil entraria uma nova primavera de progresso.

O que nos parece mais grave é o fato de que se instaurou um real estado de sítio judicial. A operação Lava-Jato mostrou juízes justiceiros que usam o direito como instrumento de perseguição, no caso do PT e diretamente do ex-presidente Lula. A Polícia Federal, bem no estilo da SS nazista, entrou casa adentro da família Lula, revistaram cada canto, reviraram o colchão, remexeram a penteadeira de Dona Marisa, revolveram a geladeira, carregaram o que puderam e levaram sob vara, pois é esta a expressão correta, quer dizer, coercitivamente o ex-presidente Lula para interrogatório numa delegacia do aeroporto.
 
Tal ato de violência física e simbólica traumatizou a ex-primeira dama. Maior foi o trauma quando foi indiciada como criminosa na operação Lava Jato junto com o marido. Isso a encheu de medo e alterou todo seu estado de saúde.
 
Como se não bastassem aquilo que escreveu corajosamente a jornalista Hidegard Angel em seu blog na internet “os oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas”. E faço minhas as palavra de Hildegard Angel, pois representam o que posso testemunhar em mais de 30 anos de amizade entranhável com Dona Marisa e Lula: “Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo. Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou com Lula, um verdadeiro casal”.
 
Criticam-na porque como primeira dama não assumiu funções públicas. Mas poucos sabem que foi ela que restitituíu a forma original do palácio do Planalto, resgatando os móveis e tapetes que haviam sido doados a ministros e a outross departamentos. Ela possuía elevado sentido estético. Foi fundamental na reforma da Catedral que acompanhou passo a passo.
 
Finalmente, foi ela que introduziu no Torto as festas da cultura popular, a celebração de seus santos de devoção que são da maioria do povo brasileiro, Santo Antônio e São João. Lá, organizou o carnaval bem no estilo do povo, com as bandeirinhas, a procissão e o pau de sebo. Escândalo da burguesia descolada de nossas raízes e envergonhada de nossas tradições.
 
Ela sofreu um AVC que foi fatal. Visitei-a na UTI, falei-lhe ao ouvido (dizem que mesmo em coma o ouvido ainda funciona) palavras de confiança e de entrega ao Deus Pai e Mãe que ela acreditava com fé profunda. Deus a estava esperando para que caísse em seu seio materno e paterno para ser feliz eternamente. Abracei o ex-presidente que não escondia as lágriamas. Quando se constatou a morte celebral, o coração ainda pulsava. Ele disse uma palavra verdadeira:”O coração dela pulsa porque o nosso amor vai para além da morte.”
 
Ao lado de tanta dor se constataram na internet palavras de ódio e de maledicência. Felizes porque morria e merecia morrer daquele jeito. Aí me dei conta de que não temos apenas pedófilos mas também necrófilos, aqueles que amam e celebram a morte dos outros. Pertinente é a frase atribuída ao Papa Francisco:”Quando você comemora a morte de alguém, o primeiro que morreu foi você mesmo”.
 
Diante da morte, o momento derradeiro para cada ser humano, pois vai encontrar-se com Suprema Realidade que é Deus, devemos nos calar reverentes. Ou proferimos palavras de conforto e de solidariedade ou emudecemos respeitosamente. Como podemos ser cruéis e sem piedade diante da morte dolorosa de uma pessoa conhecida como extremamente bondosa, arraigada aos mais pobres, lutadora dos direitos dos trabalhadores e das mulheres e com grande amor ao Brasil? Ao ódio ela respondeu doando generosamente os próprios órgãos para que outros pudessem viver.
 
Lamentavelmente, o golpe perpetrado contra o povo, impôs uma radical agenda que, segundo o joranalista Elio Gaspari, ”é uma grande máscara, atrás da qual se escondem os velhos e bons oligarcas”(O Globo 5/02/17 p.8). Esses odeiam os pobres como odeiam o PT e Lula e odiaram Dona Marisa Letícia.
 
Mas a verdade e justiça possuem uma força intrínseca. Elas arrancarão as máscaras dos pérfidos. A luz brilhará. Enquanto isso contemplaremos uma estrela no céu da política brasileira: Dona Marisa Letíca Lula da Silva.
 
Leonardo Boff é amigo da família Lula da Silva e articulista do JB on line.
 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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6 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    6 de fevereiro de 2017 5:58 pm

    Necrofilia?

    Quem se alegrou com a morte de Dona Marisa não é necrófilo pois necrofilia é atração sexual por pessoas mortas enquanto que quem festejou o assassinato da Dona Marisa tem aversão a ela.

  2. jefontenele

    6 de fevereiro de 2017 7:39 pm

    Maria não é frei Beto quem

    Maria não é frei Beto quem escreveu o artigo. É Leonardo Boff, ex-frei Leonardo Boff. Grande teologo, grande professor, palestrante dos mais requisitados aqui e lá fora e sobre tudo um grande catolico. Autor de muitos livros, é o grande pensador e maior intelectual que faz brilhar ainda mais as esquerdas deste País.

  3. Maria Luisa

    6 de fevereiro de 2017 8:01 pm

    Olhar para frente

    Lindo texto de Frei Beto, de emocionar. A memoria de Marisa Leticia ainda vai ser resgatada, Frei Beto. Esse momento que vivemos é tão desumanizado que talvez uma catarse sacuda a cabeça do brasileiro e que ele compreenda que, se deseja ser uma nação precisa pensar no coletivo, nas lutas de todos por todos e deixar os antagonismos somente no campo da politica.

    P-s: Seria bom corrigir o “celebral”.

    1. Jus Ad Rem

      6 de fevereiro de 2017 8:00 pm

      Frei Beto escreve muito bem,

      Frei Beto escreve muito bem, mas esse texto é do Leonardo Boff.

  4. LuizArmando

    6 de fevereiro de 2017 9:18 pm

    Onde trabalho ouvi coxinhas

    Onde trabalho ouvi coxinhas dizendo que dona Marisa era diabética e que não  poderia doar órgãos. Diziam que o Lula estava aproveitando o momento para se valorizar. Alguém poderie me esclarecer se é verdade? Realmente o ódio parece que venceu. É a Treva. 

  5. Roxane

    6 de fevereiro de 2017 9:35 pm

    É um fato: as intituições

    É um fato: as intituições estão funcionando mal, muito mal, então não funcionam . E ainda para piorar corremos o risco de ter  para usar um eufemismo, intimo conhecedor do PCC, como minstro do STF. Lembro do Chico: “chama o ladrão, chama o ladrão”.

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