Indicadores de Lula, Bolsonaro e Milei, por Marcos Hecksher
Em meio à disputa eleitoral, é importante conhecer indicadores públicos para checar o desempenho dos últimos governos. Flávio Bolsonaro tem falado muito em poder de compra dos trabalhadores, mas este subiu (+5,4% ao ano) no governo Lula 3 (2023-2025) após ter caído (-1,4% ao ano) sob Jair Bolsonaro (2019-2022), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Todos os grupos de trabalhadores e empreendedores tiveram ganhos positivos e maiores em Lula 3 do que no governo Bolsonaro, quando só empregados sem carteira (+0,9% ao ano) e empregadores sem registro (0,0%) escaparam de perder.

A vantagem de Lula 3 se dá em todos os setores da economia: indústria (+5,0% a -1,9%), comércio (+5,5% a -1,2%), administração pública (+4,6% a -3,0%), outros serviços (+7,9% a -1,2%), agropecuária (+5,1% a +1,2%).

Não foi só a pandemia que atrapalhou Bolsonaro. Em 2019, antes que a covid chegasse ao Brasil, o salário mínimo ficou sem ganho real, e o poder de compra médio já caiu (-0,6%).

Assim, com Bolsonaro, as vendas cresciam pouco nos supermercados (3,8% acumulados em quatro anos), e as pessoas passaram a comprar menos móveis e eletrodomésticos (-0,6%). Com Lula 3, as vendas do comércio cresceram 9,5%, e a quantidade vendida de carros, motos e peças saltou 18,3%.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), nos anos Bolsonaro, o crescimento médio do produto interno bruto (PIB) no Brasil (1,4% ao ano) foi maior que na Argentina (0,8%), porém menor que nos Estados Unidos (2,3%). Já em Lula 3, o Brasil acelerou seu crescimento (3,0%), superando o americano (2,7%) e ampliando a distância para o argentino (0,4%).

A inflação média anual caiu entre Bolsonaro (6,1%) e Lula 3 (4,6%). Restringindo aos anos Javier Milei (2024-2025), a inflação média foi de 4,5% ao ano no Brasil contra 69,3% na Argentina.

Já o desemprego subiu na Argentina, de 6,1% em 2023 para 7,4% em 2025, enquanto caiu de 8,0% para 6,0% no Brasil segundo o FMI.

A pobreza caiu em todos os 11 anos completos de Lula segundo os microdados do IBGE. Sob as linhas recomendadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), tanto a pobreza como a extrema pobreza oscilaram fortemente nos quatro anos de Bolsonaro, fechados com reduções de 1,8 ponto percentual em ambas as séries. Nos três anos de Lula 3 até 2025, a pobreza já caiu 8,6 pontos e a extrema pobreza, 3,0 pontos.

As mortes violentas intencionais, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), caíram no primeiro ano de Bolsonaro (-9.827), mas ficaram relativamente estáveis até o fim de seu mandato (+198). Em Lula 3, caem ano após ano (-7.188 acumuladas).

Em especial, os episódios de violência contra jornalistas, uma ameaça à democracia, deram um salto no governo Bolsonaro e voltaram a cair no governo Lula.

Já o desmatamento da Amazônia subiu com Bolsonaro, de 7,5 para 11,6 mil km2, e caiu nos três mandatos de Lula, chegando agora ao menor nível histórico (3,3 mil km2).

Flávio não tem experiência em governar, mas os governos de referência de sua equipe tiveram desempenhos piores que Lula nos grandes temas em debate.
Marcos Hecksher – Doutor em População, Território e Estatísticas Públicas.
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