ANÁLISE INEEP
Petrobras acumula 5° trimestre consecutivo de resultado positivo
por Mahatma Ramos dos Santos
A Petrobras registrou lucro líquido de 32,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), resultado 109,9% superior ao trimestre anterior(4T25) e 7,2% inferior ao verificado no 1T25. O resultado positivo é o terceiro melhor resultado trimestral desde janeiro de 2023. Neste trimestre, a manutenção de fortes investimentos e a elevação das receitas com exportações, quando comparado ao 1T25, garantiram incremento dos indicadores operacionais e a distribuição de R$9,03 bilhões de dividendos.
O bom resultado da Petrobras no 1T26, quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, resultou, do ponto de vista operacional, da ampliação da curva de produção de óleo e gás (+16,4%) e dos derivados (+6,4%), em especial do diesel S10 e óleo combustível, além de seu melhor desempenho comercial no mercado interno, dado o incremento no volume de venda de derivados (+2,9%), que compensou a queda de 9,8% nos preços médios dos derivados. Na dimensão financeira, a estabilidade das despesas operacionais (+1,2%), o resultado positivo das variações cambiais e monetárias líquidas (R$ 11,2 bilhões) e reversão de impairment de R$2,13 bilhões, referentes sobretudo a estimativa de geração positiva de caixa com a retomada do projeto da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), foram fatores determinantes para o resultado trimestral.
A companhia chegou a seu quinto trimestre consecutivo de lucro líquido positivo, acumulando resultado positivo de R$ 142,7 bilhões no período. No mesmo período, a estatal investiu o equivalente a R$139,8 bilhões, com capex concentrado no E&P, e distribuiu cerca de R$50 bilhões em dividendos a seus acionistas.
No governo Lula III, a estatal acumula resultado positivo de R$304,1 bilhões, montante 52,8% superior ao lucro líquido acumulado pela Petrobras nos treze primeiros trimestres do governo Bolsonaro (R$199,0 bilhões). No mesmo intervalo de comparação, o volume de investimentos realizados pela estatal em Lula III mais que dobrou em relação ao seu antecessor, variação de 109,0%. Contudo, a estatal segue como grande fonte de remuneração a seus acionistas, em especial a União. No governo Lula III, a estatal distribuiu R$197 bilhões em dividendos, o equivalente a 60% do total distribuído em toda a gestão Bolsonaro, e 14,8% superior aos dividendos pagos nos primeiros 13 trimestres de seu antecessor (R$171,6 bilhões).
O quadro analisado reforça que o público-alvo da companhia segue sendo os acionistas e seus interesses de curto prazo e que a necessária recuperação dos investimentos deve ser acelerada, não só para ampliar a capacidade de geração de valor da companhia, mas, sobretudo, para ampliar os investimentos exploratórios visando a reposição das reservas e a segurança energética no longo prazo, redução da exposição do mercado doméstico a choques internacionais, mitigação da dependência de importação de insumos estratégicos a segurança energética nacional, tais como derivados e fertilizantes, além de ampliar a contribuição da estatal no desenvolvimento de novas rotas tecnológicas de baixo carbono e recuperação da integração vertical da companhia via os setores logístico, comercial e petroquímico.
O conflito no Oriente Médio e as tensões em torno do bloqueio do Estreito de Ormuz seguirão desafiando e exigindo uma reconfiguração do comércio internacional de petróleo e derivados. No caso da Petrobras, esse cenário, por um lado, reforça o papel estratégico da estatal na manutenção da modicidade dos preços dos derivados para os consumidores brasileiros, mesmo com limites, mas também significa uma oportunidade de expansão e disputa de novos mercados. A ampliação de suas receitas com exportação de petróleo e derivados, já percebida nesse primeiro trimestre, deve se acentuar no próximo período.
Mahatma Ramos dos Santos – Diretor Técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP). Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável da Presidência da República (CDESS). Doutor em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGSA-UFRJ) e pesquisador do núcleo de pesquisa Desenvolvimento, Trabalho e Ambiente (DTA-UFRJ).
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN “
WRamos
14 de maio de 2026 12:44 pmÉ preciso uma campanha para restaurar um fundo soberano com parte das reservas cambiais e recomprar os ADRs da Petrobrás, fazendo investidores respeitarem a lei brasileira e afastando a empresa da chantagem da lei americana. Desta forma a empresa pode definir preços com base nos custos operacionais e no retorno do capital investido, retendo lucros para investimento no atendimento da demanda doméstica e não correndo risco de ser processada em Ney York pelo crime de evitar remeter lucros estorsivos.