Por que jornalismo corporativo está tão incomodado com documentário ‘Bolsonaro e Adélio’?, por Wilson Ferreira

As reações da grande mídia seguiram a velha estratégia de comunicação alt-right: tentar sistematicamente desautorizar o interlocutor, ao invés de apresentar contra-argumentos em um debate.

Por que jornalismo corporativo está tão incomodado com documentário ‘Bolsonaro e Adélio’?

por Wilson Ferreira

Nesse momento, o jornalismo corporativo reage com o fígado (e com muitas falácias lógicas e adjetivos) contra o documentário “Bolsonaro e Adélio: uma fakeada no coração do Brasil”. Até o deputado arrependido, Alexandre Frota, ganhou manchetes com o seu pedido de “CPI da Facada” sob o impacto do documentário nas redes – mesmo bolsonarista arrependido, Frota continua útil na guerra criptografada de informações alt-right, ao contaminar uma CPI com sua “credibilidade”. Para além da estratégia morde-assopra da grande mídia (no fundo, Bolsonaro ainda é a sua única “esperança branca” neoliberal), há algo mais profundo: um misto de inveja e pânico ao ver um didático exemplo de jornalismo investigativo, há muito convenientemente esquecido pelos veículos corporativos de imprensa – um tipo de jornalismo preguiçoso que confunde “investigação” com “checagem” ou “apuração”, prática de um jornalismo que trabalha unicamente sentado.

“Petistas divulgam documentário que insinua que facada em Bolsonaro foi falsa”… “Petistas estimulam teses fantasiosas de que facada de Adélio em Bolsonaro foi falsa”… “PT entrevistará autor de documentário sobre tese de que foi fake”… “Alexandre Frota protocola pedido de CPI da facada em Bolsonaro: ‘Foi premeditada’”…

Essas foram algumas reações do jornalismo corporativo (respectivamente, do O Globo, Folha, Yahoo e IstoÉ) ao documentário do experiente e premiado jornalista Joaquim de Carvalho ao site Brasil 247 intitulado Bolsonaro e Adélio: uma fakeada no coração do Brasil, financiado coletivamente por assinantes e apoiadores do portal de notícias.

As reações da grande mídia seguiram a velha estratégia de comunicação alt-right: tentar sistematicamente desautorizar o interlocutor, ao invés de apresentar contra-argumentos em um debate. Desautorizar ou pela via direta (a onipresente sigla “PT” ou o substantivo coletivo “petistas” nas manchetes) ou através da marota via indireta – destacar que o “arrependido” deputado ex-bolsomínio, Alexandre Frota, protocolou pedido da abertura de uma “CPI da Facada”… Mesmo “arrependido”, Frota continua muito útil à guerra criptografa da direita alternativa, ao transferir toda a “credibilidade” do deputado ex-bolsonarista a um pedido de CPI.

No todo, a grande mídia ignorou, tentou “melar” o impacto colocando a figura inacreditável de Alexandre Frota na história ou partiu para a belicosidade adjetivada, como fez a Folha numa matéria de página inteira. 

Jornal cuja reação foi a mais extremada na imprensa corporativa: não apenas pelo texto adjetivado, a começar pela própria manchete (cadê o Manual de Redação da Folha?), mas também pela sucessão de falácias lógicas – aquelas descritas por Aristóteles. 

Autoatentado e extraterrestres

Além da falácia do ataque à pessoa – o texto apenas relata apenas as reações favoráveis de políticos petistas, num evidente desequilíbrio, ao invés de reportar reações de todo o espectro político – apela para a falácia da ignorância (a facada foi verdadeira por não ter sido provada que é falsa) e para a falácia da falsa analogia. Uma falsa analogia entre a tese do autoatentado com a da suposta existência de uma conspiração de seres extraterrestres: 

De fato, a PF nunca teve como objeto formal da investigação a hipótese do autoatentado, assim como não teve a de que a facada foi planejada por alienígenas, por exemplo, pelo simples fato de não haver qualquer indício plausível nesse sentido.

Falsa analogia entre ETs e autoatentado para forçar a dedução de uma suposta inverossimilhança da investigação de Joaquim de Carvalho. 

Porém, a Folha deixa de lado a realidade factual: um episódio que envolveu o candidato militar, ponta de lança de um movimento de ocupação da máquina do Estado pelas Forças Armadas – como ficou comprovado após a vitória do capitão da reserva.

Por isso, não passa pela cabeça dos infants jornalistas da Folha de que as chamadas “operações de bandeira falsa” (conceito militar de utilização das “bandeiras” do inimigo para realizar operações que aparentem serem realizadas pelo próprio inimigo, tirando partido das consequências resultantes) estão presentes em qualquer manual de estratégia militar – o malogrado atentado do Riocentro em 1981 foi um exemplo de como esse tipo de operação faz parte do repertório da caserna nacional.

Ou ainda o mesmo modus operandi com a live de Bolsonaro sendo auto derrubada, uma verdadeira mini false flag – principalmente quando sabemos que seria tecnicamente impossível para as empresas Facebook e YouTube (Google) derrubarem simultaneamente as duas plataformas. Além do que, os vídeos seguem publicados, ao contrário do que aconteceria se os vídeos fossem mesmo derrubados por restrições das políticas das empresas – clique aqui

Enquanto isso, até onde se sabe, alienígenas a bordo de seus OVNIs não estão operando estratégias de ocupação militar nesse planeta. 

Ingenuidade ou má-fé por parte da Folha em usar um tipo de falácia tão primária?

Então, porque veículos do jornalismo corporativo parecem tão incomodados, acusando o golpe da viralização nas redes dos resultados do trabalho investigativo do jornalista Joaquim de Carvalho? 

  Sabemos que a grande mídia continua sua estratégia de “morde-assopra” com o governo Bolsonaro, já que desde que assumiu o papel de partido de oposição no jornalismo de guerra dentro do consórcio militar-judiciário (cabeça de ponte da guerra híbrida brasileira) que culminou no golpe de 2016, simula ser oposição a Bolsonaro. 

Por exemplo, hoje comemora o centenário do grande educador e filósofo Paulo Freire para fazer de conta que se opõe à guerra cultural do chefe do Executivo – como se, por toda a vida do educador, a grande mídia não o tivesse olimpicamente ignorado por ser um nome ligado aos movimentos progressistas. 

Agora a grande mídia o celebra, mas do seu jeito: “Pedagogia do Oprimido” está quase se transformado numa obra de empreendedorismo educacional, segundo os textos que os apresentadores dos telejornais leem nos teleprompters.

Continue lendo no Cinegnose.

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1 comentário

  1. A facada foi uma das tres fraudes que elegeram o tenente (ele so se tornou capitao ao pedir baixa): prisao de Lula, facada e fakenews.

    Todas as tres com a conivencia da justica eleitoral e da grande imprensa. Cumplices, portanto.

    Eles so estao se precavendo do que vira quando a verdade vira a tona, e ela vira como veio para a Lava Jato.

    Talvez ja saibam ate quem ira denunciar, como e porque. Quadrilhas conhecem seus membros.

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