Após meses de guerra e do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, as negociações para restabelecer a navegação comercial avançam, mas o principal impasse deixou de ser a reabertura da rota e passou a ser quem exercerá influência sobre ela.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo poderá ser alcançado ainda nesta semana. Do lado iraniano, porém, autoridades insistem que as negociações ocorrem exclusivamente com Omã e acusam Washington de atrasar as conversas por meio de ameaças militares e interferências diplomáticas.
Segundo autoridades iranianas, o entendimento em discussão prevê a criação de um corredor marítimo intermediário entre as águas territoriais do Irã e de Omã, substituindo o modelo anterior, no qual o tráfego internacional atravessava o estreito sem que um dos países exercesse controle direto sobre a navegação.
O que o Irã pretende
Para Teerã, o novo arranjo deve reconhecer que a segurança, a remoção de minas e os serviços marítimos na região são responsabilidade iraniana. O governo também defende que o modelo estabeleça uma administração compartilhada, mas com protagonismo do Irã durante um período inicial de transição.
Na prática, isso significaria transformar a vantagem estratégica obtida pelo país durante o conflito em uma influência política permanente sobre um dos corredores marítimos mais importantes do planeta. Analistas avaliam que esse objetivo é mais relevante para Teerã do que uma eventual cobrança de tarifas sobre embarcações.
Por que Washington resiste
Como explica a CNN norte-americana, os Estados Unidos rejeitam qualquer modelo que permita a um Estado exercer controle sobre uma hidrovia internacional. Para Washington, aceitar esse precedente abriria espaço para que outros países reivindicassem autoridade semelhante sobre rotas estratégicas do comércio global.
Além da divergência jurídica, permanecem dúvidas sobre como funcionaria o novo sistema: quais embarcações poderiam transitar livremente, qual seria o papel da Guarda Revolucionária iraniana, se navios militares estrangeiros teriam acesso ao estreito e quais informações seriam exigidas das embarcações comerciais.
Enquanto essas questões permanecem sem resposta, o mercado internacional acompanha as negociações com atenção. O Estreito de Ormuz segue como a principal via de escoamento de petróleo do Golfo Pérsico, e cada dia sem acordo mantém cerca de 15 milhões de barris de petróleo fora do mercado mundial, pressionando os estoques e aumentando a volatilidade dos preços.
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