5 de junho de 2026

República Velha com alto grau democrático e período Getulista com baixo grau?

Nada contra a Academia acolher textos com posição ideológica dos seus membros desde que atendam as premissas mínimas do método científico no sentido do compromisso com a verdade dos fatos e do decoro civilizatório

Por Jorge Alberto Benitz*

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Lendo um interessante artigo da revista Piauí, 178, de julho de 2021, intitulado “ No Pior Clube”, de João Gabriel Lima sobre a preocupante situação de 5 países (Hungria, Polônia, Índia, Brasil, Turquia) cujos governantes estão, de um modo ou outro, empenhados em desgastar o processo democrático, deparei-me com a informação de que no período da República Velha (1889-1930) houve alta na democracia e no período Vargas como um todo baixa. Esta tese é baseada em análise sobre a evolução política do Brasil de Fernando Bizarro, pesquisador brasileiro Do Instituto de Pesquisas Afro-Latinos- Americanas da Universidade Harvard, em parceria com Michael Coppedge, fundador do V-DEM (Instituto ligado a universidad e de Gotenburgo, Suécia, que está empenhado em radiografar os regimes políticos no planeta). 

    Nada contra a Academia acolher textos com posição ideológica dos seus membros desde que atendam as premissas mínimas do método científico no sentido do compromisso com a verdade dos fatos e do decoro civilizatório. No entanto, um pesquisador de uma universidade como Harvard publicar um documento defendendo uma tese que beira o fakenews, isto é, classificando todo o período Vargas (1930-45), não restringindo esta classificação atilde; o ao período do Estado Novo, como grau baixo de democracia e a República Velha do liberalismo plutocrático e sua política colonialista café com leite como de alto grau democrático, é dose. Pior, para usar um termo em voga nestes tempos de CPI da Covid, é narrativa com maniqueísmo ideológico de direita e paroquialismo de muito baixo nível.

    Clássico exemplo daquilo que Antonio Candido desmonta em sua fala no documentário 3 Antonios e 1 Jobim vide link aqui, quando diz “A gente fica muito chocado porque estamos nutridos dos conceitos de liberalismo e democracia, segundo a oligarquia. Oligarquia que prega: bons somos nós, votamos nós, nos elegemos nós. Logo adiante ele não se constrange em dizer que Getúlio quebrou a oligarquia, preparou o Brasil moderno.”

    Sobre esta questão reitero o que escrevi, na sequência,  sobre esta fala de Antonio Candido no artigo “Sempre Antonio Candido” que saiu publicado no jornal Sul 21 ” Aquela plateia distinta de intelectuais mais um artista consagrado como Tom Jobim ficou muda diante um discurso de um intelectual paulista, embora costumasse dizer ser um mineiro nascido no rio,  respeitado que não sintoniza com o discurso fajuto da democracia para poucos feito pela democracia café com leite que, provavelmente, era mais palatável para socialistas como Antônio Houaiss e Antônio Callado que odeiam, com justa razão, o Getúlio repressor do Estado Novo e estendem este ódio para o Getúlio de qualquer época, mas que dada a intervenção do chara Antoni o Candido ficaram engasgados e sem discurso para rebater seu discurso. E Jobim que tinha começado tudo aquilo para enaltecer seu avô que lutou contra ele em 32, ficou sem palavras, provavelmente, contrariado. Para ser justo, Callado até concordou com Candido quando este disse que Getúlio teve consciência do papel histórico que tinha, acentuando o termo segundo Getúlio. Ouvir isso vindo de um intelectual paulista dá a dimensão da grandeza intelectual de um Antônio Candido como pensador que, ainda que socialista, é liberto de preconceitos ideológicos e paroquiais em prol de uma visão de país.”

Jorge Alberto Benitz é engenheiro e escritor.

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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  1. ROGERIO D. MAESTRI

    12 de agosto de 2021 12:03 pm

    Há primeiro um problema de origem em quem atribui a democracia, a universidade de Harvard. Qualquer uma pessoa bem informada sabe que instituições universitárias norte-americanas dependem de verbas de doações tanto de grandes capitalistas como de instituições nada transparentes nos seus objetivos. Olhar qualquer coisa que advenha dessas instituições deve ser feito com uma lente muito forte, pois em letras muito pequenas está escrito quem é a “Voz do Dono”.
    Segundo problema é considerar um país que vive na ditadura de um sistema bipartidário em que não existe possibilidade de levantar vozes contra o Imperialismo que eles professam (os dois partidos) é procurar razão em quem exatamente nãotem razão, pois se tivéssemos de classificar os países em ordem pela democracia no sentido estrito da palavra o próprio USA é uma ditadura do capital.

  2. ze sergio

    13 de agosto de 2021 11:01 am

    Ode ao Fascismo !!! Chega a ser surreal a comparação que Doutrinados por uma Esquerdopatia Fascista Congênita tentam fazer entre uma rara Democracia Livre, Soberana, Facultativa com um Golpe Caudilhista Ditatorial Militar com Amotinados de baixa patente, que resultou nestes 91 anos de Cleptocracia. O pior são os textos vagos sem nenhum argumento razoável, fora as teses baseadas no Revisionismo Histórico produzido por Elites Lacaias do Ditador e sua Estrutura Estatal Absolutista. Mas sabemos foi apenas um período !!! Que azar que deu Hitler em não permitirem que “evoluísse” logo após o seu Nazismo !!! No Brasil, Golpistas Ditadores Torturadores Assassinos conseguiram sua redenção apoiados por seu Nepotismo e Satélites. A culpa é daqueles que não entenderam. Sabemos. Olga Benário também sabe que foi apenas um período. Pobre país rico. Seria trágico se não fosse cômico.

  3. ze sergio

    13 de agosto de 2021 4:44 pm

    A Censura revela muito mais que esconde. Mesmo quando fantasiada como Moderação.

  4. jorge alberto benitz

    27 de agosto de 2021 3:50 pm

    Caro Rogério Maestri!
    Não indiquei a universidade de Harvard como um baluarte da democracia. Lembrei apenas que nestes tempos tão fecundos em fakenews espalhados pela extrema direita, cabe a quem ainda tem um senso mínimo de senso democratico, que defende os valores civilizatórios e cientificos, zelar para que não se ultrapasse um limite de decoro afim de não embaralhar tudo. O embaralhar, penso, só “carrega água aos moinhos” da extrema direita.

    Ao contrário do que professas, respeito e considero importante a defesa da democracia representativa a despeito de todos os defeitos que ela tem, alguns até, no meu entender, inapropriadamente classificados por você como a ditadura do bipartidarismo americano. Não acho que a democracia representativa seja somente um biombo usados pelo capitalismo para exercer seu poder. Tanto não é que o projeto neoliberal tenta a todo o tempo solapar seus princípios e valores para instalar um tipo de poder totalmente embasado nos valores do capital, extirpando tudo que ainda remanesce do “Welfare State” como, no caso brasileiro, o regime da CLT, a previdência e saúde(SUS) públicas, as estatais nas áreas estratégicas de energia, saúde, comunicação, etc……
    Que a academia tem sua ideologia, não precisa me corrigir. Isto é, qualquer um minimamente esclarecido, entre os quais me incluo, sabe. Melhor, parafraseando Mino Carta “ Isso até o mundo mineral sabe”.

  5. Ceci V. Juruâ

    1 de outubro de 2025 6:15 pm

    O importante é,também,anotar que o final da década de 1930 foi um tempo de pré-guerra mundial, anunciada por governos nazistas e fascistas. Incompatível com democracia plena.

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