4 de junho de 2026

A Armadilha da Âncora, por Manfred Back

O regime de metas de inflação é uma armadilha, porque aprisiona as autoridades monetárias às expectativas dos agentes econômicos.
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A Armadilha da Âncora

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por Manfred Back

“As pessoas sabem o preço de tudo, mas o valor de nada”. (Oscar Wilde)

A teoria das expectativas racionais supõe que todos os agentes econômicos têm informação perfeita sobre os preços e conhecimento técnico de todos os mecanismos e relações econômicas. Portanto, no longo prazo a política monetária seria neutra, porque torna-se previsível por nós seres econômicos racionais.

A pedra angular dessa crença de pensamento está em ancorar as expectativas dos agentes, ou vice-versa, os agentes ancorarem as expectativas. É meio contraditório, apesar da suposta racionalidade, no sistema de preços, não só eficientes, mas sempre buscando como resultado o equilíbrio. Para o ceteris paribus se materializar, se matematizar, o tempo e os preços param, desde que as expectativas dos agentes econômicos, sejam as mesmas, convirjam, ancorem, estacionem, sejam constantes.

Travestido por modelos sofisticados econométricos em científicos, são uma capa, um véu, que procuram esconder a realidade, para funcionar, é necessário convencer, e, muitas vezes, catequizar, as pessoas, a serem agentes econômicos racionais. A retórica algébrica de uma suposta precisão infinitesimal, só funciona se a âncora das expectativas dos agentes indicarem para onde a economia vai! É o famoso dilema, quem vem primeiro o ovo ou a galinha? Na teoria das expectativas racionais, o ovo depende da âncora de expectativas das galinhas, se a expectativa do mercado galináceo for é mais eficiente botar ovo, teremos ovos. Com preço estável e inflação equilibrada!

O regime de metas de inflação é uma armadilha, porque aprisiona as autoridades monetárias às expectativas dos agentes econômicos. Os bancos podem apenas determinar a taxa de juros para cumprir a meta estabelecida, e nada mais. Tem que tornar previsível a política monetária, para que âncora não desancore e leve o Titanic ao iceberg.

É interessante ressaltar, que tanto os Estados Unidos da América e a República Popular da China, não adotam o regime de metas de inflação. O banco central da américa a meta de inflação é secundária, a meta primária é equilibrar menor inflação com a menor taxa de desemprego. No caso chinês, controlam e administram a taxa de câmbio, controlam a entrada e saída de capital estrangeiro, fechando sua conta de capital, para ter independência para fixar sua taxa de juros. Ambos com sistemas diferentes têm histórico de taxas de juros baixas, um por deter a moeda reserva o dólar, outro por controlar o fluxo de moeda estrangeira.

Fico como uma dúvida, eles não acreditam que os agentes econômicos são racionais? Não levam fé na âncora de expectativas? Ou acreditam que o ovo depende da galinha, da ração, do ambiente, do clima, da temperatura…

As suas superpotências seriam agentes econômicos irracionais? Ou o resto do mundo?

Manfred Back bacharel em Ciências Econômicas pela PUC-SP, mestre em Administração Pública pela FGV-SP. Atuou como Trader na bolsa de valores (BOVESPA), como operador na mesa de operação de renda variável e futuros, como economista-chefe, como gestor de carteira e fundo de ações. Professor de microeconomia, macroeconomia, mercado de capitais e derivativos de graduação, pós-graduação e de ensino fundamental.

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Manfred Back bacharel em Ciências Econômicas pela PUC-SP, mestre em Administração Pública pela FGV-SP. Atuou como Trader na bolsa de valores (BOVESPA), como operador na mesa de operação de renda variável e futuros, como economista-chefe, como gestor de carteira e fundo de ações. Professor de microeconomia, macroeconomia, mercado de capitais e derivativos de graduação, pós-graduação e de ensino fundamental.

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1 Comentário
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  1. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    22 de setembro de 2025 7:27 am

    Falando de forma mais direta, as metas de inflação é um mecanismo inventado pelos çábios economistas a serviço do clube da usura, para controlar o BACEN. Ou seja: Programa-se uma meta quase impossível de cumpri-la, para se justificar taxas de juros extorsivas em nome do combate à inflação.

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