A confissão tardia da Lava-Jato dos crimes cometidos em Curitiba, por Paulo Pimenta

Controle externo - A rejeição dos rapazes à visita da Dra. Lindôra Araújo serviu para mostrar ao País que ali, na “república de Curitiba”, o rabo é que abana o cachorro...

A confissão tardia da Lava-Jato dos crimes cometidos em Curitiba

por Paulo Pimenta

O conflito entre a Procuradoria-Geral da República e a Operação Lava-Jato em torno do acesso a informações sigilosas revela nesses dias o grau de deterioração nas relações internas entre o Ministério Público e um dos seus instrumentos mais vistosos. Aparentemente, a Lava-Jato foi contaminada por um tipo especial de vírus denominado “pública-intercept”. Passa a partir de agora a respirar por aparelhos.

A visita da doutora Lindôra Araújo, da assessoria de Augusto Aras, em busca de informações que os “golden boys” de Curitiba julgam ser de sua exclusiva custódia ( não tão exclusiva, é verdade, porque partilhada com o FBI…), provocou um curto circuito que ameaça pôr fogo na casa. Um sinal de perigo derivado do descompasso entre a coordenação que compete ao Ministério Público – a PGR – e a força-tarefa.

Ilegalidade até nos EUA – Uma pergunta se impõe naturalmente: por que negar ao Procurador-Geral da República informações que foram partilhadas com o FBI? A OAB se encarregou de interpelar o Conselho Nacional do Ministério Público sobre o assunto, nesta terça-feira, 7 de julho. Afinal, a colaboração espúria entre a força-tarefa e a polícia federal americana se constitui numa dupla ilegalidade. Fere a lei aqui e nos Estados Unidos.

A Lava-jato, como tratou de anunciar aos quatro ventos, escolheu para si um escopo, estimulada pelo fervoroso aplauso da mídia corporativa. Ela seria uma força-tarefa apta para atuar sob o signo: “Para situações excepcionais, remédios excepcionais”. Ou seja, ignorando o Estado Democrático de Direito, atuando à margem da lei, desde que foi instalada, como lembrou, em debate recente, o ex-presidente da OAB-Rio Wadih Damous.

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Sepúlveda Pertence, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, se lembraria do impulso generoso durante os debates da redação do pacto constitucional de 1988, que resultou na modelagem de um Ministério Público independente, republicano, mas sem contar com um efetivo controle externo da sociedade, com uma frase: “Criamos um monstro”.

O que assistimos nesses dias confirma sua premonição. Os condutores da Operação Lava-Jato – um arranjo singular, bem brasileiro, liderado por um juiz… – em momento algum a conceberam como um esforço concentrado, para um determinado fim, que dispõe de uma equipe de procuradores, com objetivos definidos e prazo de vigência. Mas como uma instituição, ela própria. Autônoma com relação ao seu instituidor. Ao ponto de ser flagrada na tentativa de instituir um fundo bilionário com recursos sequestrados da Petrobrás e outras empresas e atribuir-se a si mesma o sacrifício de geri-lo sempre a serviço do combate à corrupção…

Organização criminosa – Uma operação do Ministério Público liderada por um juiz já era para causar espécie. Inspirada e treinada pelo Departamento de Justiça e pelo Birô de Investigação de um país estrangeiro interessado em neutralizar seus concorrentes na área da exploração de petróleo e da construção civil sai do território do escândalo para entrar no terreno do crime, em qualquer país que se julgue soberano.

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Por fim, fomos brindados pela confissão feita em dueto pelo ex-juiz, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

Moro, como sabemos, cumpriu papel determinante na eleição de Bolsonaro, ao impedir que Lula concorresse às eleições. Foi premiado com o cargo de Ministro da Justiça, depois de algum tempo tornou-se concorrente, traiu o presidente que ajudou a eleger e foi defenestrado. Na última entrevista à Globo News, usou a expressão “no ringue com Lula”, ou seja, confessou sua parcialidade e a serviço de quem conduzia os processos da Lava-jato. Definitivamente não estava a serviço da justiça.

A segunda voz do dueto, é Deltan Dallagnol, o rapaz flagrado no ato de constituir um fundo com recursos públicos sequestrados das empresas brasileiras que levou à bancarrota, levando centenas de milhares de trabalhadores ao desemprego. Encurralado, agora tenta falar grosso com a Dra. Lindôra Araujo e com o Procurador Geral da República, Augusto Aras. E reclama que essa ofensiva contra a força-tarefa é para prejudicar a candidatura de Moro à Presidência em 2022.

Como afirmou o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a Lava-jato é um movimento político. Cabe perguntar: a partir de que momento a Lava-jato se tornou um projeto de poder? E sob o comando e interesses de quem?

Paulo Pimenta é deputado federal (PT-RS)

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7 comentários

  1. Araújo, o problema dessa “ampla frente nacional” é o fato de ela ser uma fraude. A patética “elite” brasileira quer se livrar do vexame de ter um idiota como Bolsonaro representando o país mas eles querem manter a destruição do estado brasileiro e a virtual escravização da população. Representantes da esquerda teriam que ser completamente idiotas para aceitarem se aliar ao escorpião.

  2. Por principio o delinquente não confessa, nega as evidencias, os dalagnois de Curitiba crentes do dinheiros, interpretam as leis como fazem da biblia carregada nos sovacos.

  3. Sob o interesse de quem? Dos EUA que queriam destruir as empresas de engenharia concorrentes deles e abocanhar o pré-sal e destruir um concorrente deles no continente americano , da rede globo que quer um povo pobre e escravizado sem dinheiro para buscar alternativas ao sua péssima programação e interesses econômicos, dos empresários que querem escravizar o povo e pensam apenas numa parcela de 20% da população consumidora, a classe média que detesta pobre frequentando os mesmos ambientes e concorrendo aos empregos

  4. Ao meu ver, está tudo muito simplificado. A frente ampla é um rótulo para a concentração de esforços que objetiva detonar a polarização entre o PT e a extrema direita. Fenômeno de deslocamento de forças que excluiu da tradicional bipolarização eleitoral a direita liberal moderada (auto denominada ‘centro democrático’ – PSDB e aliados).
    Sem hipocrisias: juntam-se facilmente aí, os segmentos de esquerda que alimentam a pretensão de abocanhar uma fatia do mercado de votos que são influxados pelo duto da ‘hegemonia’ petista. Entraram nessa dança no vácuo do teste teleguiado pela onda de 2013 ( e se deram mal com o levantamento das bandeiras de suas agremiações, porque não tiveram antena para captar o sentido anti-esquerdista e anti-partidário da mobilização ‘fortuita’).
    No mais: é a velha direita oligárquica querendo assumir protagonismo sem o combustível dos votos, tentando reconquistar espaços, ajuntando adubo na horta visando uma colheita que derrame fartura na mesa montada para 2022.
    Ora, ora. Não se ajunta adversários reais numa aliança virtual que anuncia lutar contra a hipótese de um inimigo fake que pratica ‘ameaças’ inconsistentes, levantando hashtag nas redes sociais. Por isto, até agora, essa proposta de frente ampla tem servido apenas para gerar declarações Sparring: espaço na mídia corporativa para dar voz a quem deseja exercitar a prática de bater em Bolsonaro/Olavo e em Lula/PT.

  5. São os Homens de Ouro de Curitiba, o Rio de janeiro já teve homens com os mesmo título só que eram da polícia civil, mas eram semelhantes.

  6. Os Homens de Ouro do Rio de janeiro geraram o esquadrão da Morte, os Homens de Ouro de Curitiba geraram Bolsonaro, são resultados semelhantes e quando surgiram foram muito aplaudidos pela grande imprensa .

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