22 de junho de 2026

A divisão e a soma, por Felipe Bueno

Estamos no fim de 2025, um novo ano se aproxima - e um novo inverno europeu bate à porta.
Banksy

1. Europa enfrenta tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, com possibilidade de protagonismo militar e político de Moscou na Europa Ocidental.

2. Washington e Moscou unem interesses na região, com Putin se sentindo protegido por Trump, levando a mudanças nas prioridades políticas e militares europeias.

3. Líderes europeus buscam gás, energia e armas em meio a incertezas, enquanto a Europa enfrenta desafios políticos e econômicos, refletindo uma realidade complexa e fragmentada.

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A divisão e a soma

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por Felipe Bueno

Repetindo uma expressão já usada nesta coluna, no caso Rússia-Ucrânia, bem como em outros aspectos da vida geopolítica atual, a Europa permanece à janela.

Reivindicando relevância mas à sombra dos movimentos de Donald Trump, os principais líderes do continente, por outro lado, bobos não são, e depois de quase quatro anos, sabem que o day after pode ser o início de uma condição não vista desde a Guerra Fria, para não falar nos conflitos prévios dos séculos XIX e XX.

Com uma diferença fundamental: os dois antagonistas do passado recente, Washington e Moscou estão aliando interesses e ações, falando a mesma língua.

Caso a última proposta para encerramento do conflito seja aprovada e se torne realidade, e os territórios invadidos permaneçam sob o guarda-chuva de Moscou, fica consolidada uma posição, já visível no horizonte, de protagonismo militar e político da Rússia frente à Europa Ocidental.

(Ainda que economicamente os quinhentos sejam outros, com ou sem o apoio da China.)

Falando em apoio, na atual (evitemos chamar de nova) configuração geopolítica do mundo, não soa estranho, sendo até previsível, ver Vladimir Putin se sentindo satisfeito e protegido pela liderança dos Estados Unidos, leia-se Donald Trump, nas discussões sobre o fim do conflito.

Estamos no fim de 2025, um novo ano se aproxima – e um novo inverno europeu bate à porta. E Putin é o homem que diz: “Se a Europa quiser guerra, estamos prontos”.

Se o Velho Continente deseja ou não o conflito, nunca saberemos ao certo, mas a preocupação já deixou há tempos o campo das ideias, abrindo espaço para decisões políticas, militares e econômicas reais. Líderes vão ao supermercado geopolítico em busca de gás e energia em um carrinho e armas em outro. As mudanças de prioridades orçamentárias não passam ao largo dos olhares de parlamentares e eleitores, tornando as realidades políticas internas cada vez mais difíceis de administrar, permitindo afirmar que hoje, como não se via faz tempo, a Europa não equivale à soma de seus países.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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