A Política Monetária prolonga a atual recessão, segundo Krugman, por Andre Motta Araujo

Essa política monetária aponta para um novo ciclo da atual recessão brasileira, que se retroalimenta na entropia da crise, a próxima etapa será a DEPRESSÃO econômica

A Política Monetária prolonga a atual recessão, segundo Krugman

por Andre Motta Araujo

Em cerca de 50 artigos neste blog estamos apontando a POLÍTICA MONETÁRIA como causa conclusiva da atual recessão. As causas primeiras antecedem a que confirma, acentua e prolonga a atual recessão. Ao contrário das POLÍTICAS MONETÁRIAS INTELIGENTES dos países centrais, a atual política monetária brasileira é CONTRACIONISTA porque seu único objetivo é manter a inflação na meta e não há nenhum outro alvo, nem crescimento, nem emprego e nem sequer construção de alicerces estruturais para um novo ciclo de crescimento. É tal a obsessão com a inflação na meta que está muito abaixo do piso da meta, que aponta para um ERRO DE CALIBRAGEM da política monetária. Inflação caminhando para a deflação é UM SINTOMA DE DOENÇA e não de SAÚDE DA ECONOMIA DE UM PAÍS, é mais difícil combater a deflação do que a inflação, o Japão tenta há décadas com escasso sucesso.

A CHAVE DO CRESCIMENTO SÃO OS BANCOS PÚBLICOS

A demonização dos bancos públicos, das estatais e das políticas de Estado, na linha ultradireitista, produziu um ENCOLHIMENTO da capacidade de expansão monetária através dessas instituições. O BNDES, principal agente de fomento ao crescimento desde 1950, está em um violento processo de ESVAZIAMENTO de seu capital, para deixá-lo sem condições de emprestar.

Desde o governo Temer o banco vem sendo esvaziado de recursos por transferências bilionárias ao Tesouro, dinheiro que sai de seu capital de operações. O objetivo é esse mesmo, os ultra neoliberais do Ministério da Economia gostariam de extinguir o BNDES, não podem fazê-lo sem aprovação do Congresso, o que é improvável, então vão para um caminho alternativo, a descapitalização do Banco para deixa-lo como uma simples casca vazia.

Eles são contra a existência de bancos públicos, que existem no mundo inteiro como arma de ação do Estado para vitalizar economias. Os EUA tem bancos públicos para exportação, habitação, pequenas empresas, crédito rural, a China tem uma enorme coleção de bancos públicos, assim como o Japão, a Coreia do Sul, a Índia, a Alemanha, a França, a Itália, o México tem um grande banco de fomento e está três graus acima do nível de investimento. Banco público de fomento é uma ideia americana no mundo e no Brasil. O Banco Mundial é uma instituição criada por inspiração dos EUA e o BNDES também, fruto do relatório da Comissão Abbink, enviada pelos EUA no final da década de 40 e que destinaram ao BNDE o saldo que o governo americano tinha no Fundo do Trigo depositado no Banco do Brasil.

O grande ideólogo do BNDE foi um brilhante neoliberal, o Embaixador Roberto Campos, que via no banco o agente do desenvolvimento do Brasil.

A ANÁLISE DE KRUGMAN

Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia de 2008, que nos últimos anos não tem feito palestras no Brasil por falta de convite, os tradicionais patrocinadores, instituições financeiras, têm interesses opostos ao que Krugman pensa sobre o Brasil, em artigo [aqui] diz que a política monetária brasileira aprofunda a recessão, só não disse que essa política atende aos interesses do sistema financeiro que no Brasil tem lucros recordes sobre ativos e sobre patrimônio líquido, só possíveis exatamente porque a política monetária dá aos bancos as armas para que prevaleçam os interesses do mercado financeiro sobre os interesses da população brasileira. Quanto maior a recessão mais valorizados os ativos financeiros contra o sistema produtivo, maior o valor real dos créditos dos bancos contra as pessoas físicas e jurídicas, com os ativos financeiros protegidos pela política deflacionista do Banco Central tornando o credor cada vez mais beneficiário da política econômica contra os devedores que são a população brasileira e o sistema produtivo não financeiro, com a maioria das empresas fortemente endividadas, assim como a população mais pobre.

Krugman, com sua opinião externa, confirma os mega erros que vem desde a gestão Levy no Ministério da Fazenda e agora se prolongam com mais força.

A FALTA DE PLURALIDADE NO BANCO CENTRAL DO BRASIL

O Conselho do Sistema da Reserva Federal dos EUA é composto por sete economistas com forte currículos acadêmicos, DE ESCOLAS DIFERENTES, com pontos de vistas diversificados, para que haja diversidade de opiniões no estabelecimento de política monetária. É um enorme risco manter em um Banco Central uma “igrejinha” onde todos pensam igual, todos da mesma escola ideológica de economia, a PUC-Rio e seus satélites Instituto Millenium, Casa das Garças, Instituto Mises, FGV-Ibre, INSPER, IBMEC, todos são clones do mesmo molde. Essa concentração de neoliberais começou no Plano Real e se aprofundou desde então, chegando neste governo ao apogeu, com uma POLÍTICA MONETÁRIA DEFLACIONISTA, pela primeira vez na história do Banco Central criado em 1966.

Essa política monetária aponta para um novo ciclo da atual recessão brasileira, que se retroalimenta na entropia da crise, a próxima etapa será a DEPRESSÃO econômica, ciclo natural da atual política monetária, o fechamento da TEMPESTADE PERFEITA de Paul Krugman, o Brasil se afundando no lodo da mediocridade econômica.

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