As ‘causas universais’ contra o Estado Nacional, por André Araújo

As ‘causas universais’ contra o Estado Nacional, por André Araújo

Foram os EUA que, ao fim da Primeira Guerra Mundial, inauguraram a Era das causas universais,  contra a soberania dos Estados Nacionais, poupando desse combate seu próprio Estado.

Em artigo especifico sobre esse tema tratei do papel do Presidente Woodrow Wilson na propagação desse principio de “causas” contra “Estados”. Wilson foi o primeiro Presidente “politicamente correto” dos Estados Unidos e seu ativismo missionário foi um desastre completo de politica externa, podendo-se dizer que ele foi um dos que plantaram as sementes da Segunda Guerra através de seu idealismo tosco e tolo, sua visão fantasiosa da Historia e seu iluminismo mal colocado e mal aplicado. Wilson foi o grande maestro do Tratado de Versalhes, o pior acordo diplomático da História contemporânea, tão ruim que sequer o Congresso do seu próprio País o ratificou. Compare-se o Tratado de Versalhes de 1919, que durou  formalmente 20 anos, mas efetivamente deixou de ser aplicado após 1933,  portanto sua vigência real foi de 12 anos, após 1933 sua validade foi enfrentada pelo nazismo, com outro grande acordo histórico, a Paz de Viena de 1815, que durou 99 anos, obra de magistrais realistas da verdadeira politica, o Príncipe de Metternich e o Principe de Talleyrand, estadistas de berço e escol que sabiam operar a História e não viviam de ilusões moralistas.

AS CAUSAS E OS ESTADOS NACIONAIS

Uma “causa” moral é fundamentada na ética e seus ativistas a consideram acima da politica.

Para eles a causa tem um valor superior à noção de Estado e assim deve ser entendida e aplicada. Wilson, por exemplo, entendia que os “protocolos secretos” nos tratados diplomáticos não deveriam existir e que todos os artigos e disposições de um tratado deveriam ser revelados aos cidadãos. É uma grande estupidez, há inúmeros temas em negociações diplomáticas que devem permanecer secretos para sua própria eficácia.

Wilson abraçava a “causa da transparência”, uma virtude sempre benéfica para ele.

Wilson criou imensos problemas nas suas desastrosas intervenções na Conferência de Versalhes e a conta dessa fantasia explodiu em Setembro de 1939. A marca de ação de Wilson foi a prevalência das “causas” sobre o realismo politico, que Wilson considerava corrupto e imoral, ele achava que os europeus praticavam uma politica de safadezas e engodos resultante da decadência moral que vinha de longe enquanto que ele,  Woodrow Wilson, representava a pureza dos peregrinos que formaram os Estados Unidos.

Por isso pode-se considerar Woodrow Wilson o pai da doutrina politica das causas universais que tem um valor superior às soberanias que, segundo Wilson, são a fonte do mal que levou à Grande Guerra de 1914. Conquanto a Doutrina Wilson possa ser considerada altruísta em termos filosóficos, ela sempre foi desligada da realidade geopolítica, e a tentativa de introdução de modelos não realistas produz resultados muito piores do que os pecados que visa extirpar, a luta pela causa produz mais males do que o mal primitivo.

O ESTADO NACIONAL E SUAS RAZÕES NÃO MORAIS

Desde a criação dos Estados Nacionais entre 1460 e 1610, esses entes aéticos usam de todos os instrumentos de poder à sua disposição, como usavam os nobres e senhores feudais antecessores dos Estados em suas intermináveis lutas por territórios e riquezas. Um Estado não sobrevive a partir de purezas e bondades neutras, contra o que há a razão de Estado.

Os Estados grandes usam a espionagem como instrumento de poder e essa ação na sua origem e pratica envolve largamente a corrupção pelo Estado, os espiões são subornados em beneficio de um Estado que geralmente não é o seu.  Os Impérios foram formados em grande medida por compras de lealdades nos territórios a conquistar, assim a Inglaterra conquistou a India, o “Raj”, aliciando os marajás e rajás, foi mínima a ação militar no subcontinente, valia a adesão comprada e assim foi até a Independência em 1947, na China a influencia britânica no período entre a Guerra dos Boers e a fundação da Republica em 1911 foi financiada com venda de opio aos “warlords”, territórios e concessões eram compradas, como Hong Kong, como negocio, a área de soberania extra territorial de Shangai era a própria confissão da compra.

Em tempos modernos como encarar a soltura do maior chefe mafioso dos EUA, Lucky Luciano,(Salvatore Lucania) muito mais importante que Al Capone, cumprindo pena de 50 anos na penitenciaria de Sing Sing, a pedido da Inteligência Naval americana, para que o mafioso fosse  um  “batedor” na invasão da Sicília, pelas suas rede de ligações na sua terra natal. Como guia, Luciano pouparia vidas de soldados ao aliciar colaboradores por trás das linhas alemãs, servindo como “abre alas” das tropas do General Patton. Soltar Luciano era absolutamente imoral, mas RAZÕES DE ESTADO prevaleceram sobre a logica do sistema judiciário, um interesse maior de Estado se sobrepunha. Luciano prestou os serviços para os quais foi contratado pela Marinha e foi pago com a comutação da pena em 1948, assinada pelo Governador Dewey, de Nova York, com a condição de não mais voltar aos EUA. Luciano livre depois da Guerra teve ainda grande atividade criminosa como chefe de uma das cinco famílias  e teve tempo para montar a grande rede de casinos em Cuba que controlou até a Revolução  Castrista, morrendo de morte natural em Nápoles em 1962. O arranjo do Estado americano com Luciano foi absolutamente imoral e aético, mas prevaleceram as razões de Estado.

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A CAMPANHA ANTI-CORRUPÇÃO NA AMERICA LATINA

Um caso clássico do confronto entre “causas” e razões de Estado. Instala-se uma Associação Ibero Americana de Ministérios Públicos, declarando ser a união de 21 MPs de países do Continente e abre campanha internacional anti-corrupção, com aceitação de denuncias e troca de informações entre Ministérios Públicos. É um confronto absoluto entre “causas” e razões de Estado. Vamos ao exemplo da “reapolitik”. O Governo Brasileiro tem em um país vizinho um Chefe de Estado alinhado com os interesses do Estado Brasileiro. Esse Presidente dá preferencia a empreiteiras brasileiras para seu grande programa de obras publicas.  O Estado brasileiro tem todo o interesse na permanência desse Presidente porque ele atende aos interesses do Brasil. Mas sai do Ministério Publico brasileiro documentação colaborativa que pode criar condições para um impeachment desse Presidente de pais vizinho por ter recebido doação de campanha de empreiteira brasileira.  Para o Governo brasileiro a queda de um Presidente aliado vai contra os interesses do Estado brasileiro, essa “colaboração” do MP brasileiro com seus colegas do País vizinho vai contra as razões de Estado do Brasil, não pode acontecer porque o Brasil NADA GANHA com a queda desse Presidente, só perde e muito.

Essa seria uma situação de “realpolitik”, mas não está sendo operada pelo Brasil como Estado.

O MP brasileiro colaborou para derrubada ou desgate de Presidentes e políticos de países vizinhos e da África alinhados com os interesses do Estado brasileiro, grave erro de geopolítica.

O que o Brasil GANHOU em colaborar para a derrubada de políticos amigos? Absolutamente nada. Então porque fez? Porque o Estado brasileiro perdeu completamente o controle de sua projeção de poder geopolítico, permitindo o desgaste e, portanto, o enorme prejuízo de desmonte de posições politicas e econômicas em grande numero de países, conquistadas por suas empreiteiras e marqueteiros políticos operando em aliança para apoiar eleição de presidentes alinhados ao Brasil, um modelo engenhoso que foi implodido em nome da “causa’ universal anti-corrupção mas com enorme perda para os interesses estratégicos do Brasil.

Um Estado patrocina interesse nacional e não causas universais, que JAMAIS SÃO NEUTRAS, as causas servem como arma politica a todo tempo, não importa a intenção inicial de seus patrocinadores, causas podem atingir alvos imprevistos pelas suas boas intenções iniciais.

As causas “anti-corrupção” são as menos neutras entre todas porque seus efeitos POLITICOS são imediatos e concretos, mudam as peças do jogo do poder e com isso mudam o resultado da disputa politica no mundo real, o manejo dessa causa gera imenso poder politico, a causa nunca é neutra mesmo que essa seja a intenção de seus patrocinadores.

No Brasil os beneficiários dessa causa foram em larga medida os Estados Unidos e seu arco de interesses geopolíticos, financeiros e corporativos,  o enfraquecimento da PETROBRAS se deu por causa da escandalização dos desvios e não por causa da corrupção, essa sempre existiu na Petrobras como em quase todas as estatais petrolíferas do mundo, mas essa falha moral já estava precificada pelos mercados. A super escandalização provocou ações de acionistas minoritários nos EUA e uma serie de multas e indenizações ainda não terminadas, esses processos custarão muito mais que as propinas, incluindo a colocação de monitores americanos do Departamento de Justiça dentro da Petrobras, a perda de independência da empresa é absoluta, para todos os efeitos práticos a Petrobras é governada de fora.

O pior resultado da campanha de “causas morais” foi a preparação de condições para duas grandes operações de desmonte do Estado e do sistema econômico brasileiro: a “privatização branca” da Petrobras pela venda de ativos sem licitação e contra a  logica estratégica, provocando a DESINTEGRAÇÃO da petroleira, sendo a integração o padrão da concorrência  e em  segundo lugar  venda de grandes blocos do PRE-SAL perdendo o Brasil a garantia de auto suficiência em petróleo, uma vez o petróleo extraído dos blocos vendidos pertencem a seus novos donos e poderá ser comercializado no mercado internacional, perdendo o Brasil sua garantia de abastecimento QUE ERA A RAZÃO  DO PROJETO PRE SAL, desenvolvido desde o inicio  pela técnica e esforço de pesquisa da Petrobras para suprir o Brasil de petróleo.

Ao lado desses prejuízos notórios há muitos outros. A quebra ou inviabilização de grandes construtoras e estaleiros, a transferência para o exterior de todas as encomendas de equipamento da Petrobras, na linha “preferencia pelo estrangeiro” em qualquer compra de qualquer natureza, toda uma visão esquizofrênica anti-brasileira e pro-estrangeiro DERIVADA DA IDEIA ANTI-CORRUPÇÃO cuja resultante foi a colocação de um notório privatista na sua presidência, como resposta à campanha de estigmatização da empresa.

OS ESTADOS NA LAVAGEM DE DINHEIRO

Grandes estados com interesse geopolítico global operam fundos encobertos para pagar operações especiais. A celebre operação IRÃ-CONTRAS no segundo Governo Reagan foi um complicado negocio envolvendo venda de armas ao Irã, que estava sob embargo resultante da invasão da Embaixada americana e o produto da venda destinado aos “contras”, milicianos que lutavam contra o domínio sandinista na Nicarágua, operação organizada pelo NSC, o Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, toda a operação clandestina do começo ao fim, sem passar pelo orçamento dos EUA, mas sob controle da Casa Branca.

A invasão da Baia dos Porcos em 1961 em Cuba, foi financiada com dinheiro de origem mafiosa numa operação organizada pela CIA, invasão que fracassou. Os mafiosos americanos controlavam o jogo e a prostituição em Cuba e se aliaram a CIA para uma tentativa de retomada de Cuba, o Estado americano aliado a grupos criminosos como na Sicília em 1943.

Mas a maior operação de lavagem de dinheiro praticada pelo Governo americano foi o financiamento do Vaticano no final da Segunda Guerra e nas três décadas seguintes.

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Com o conflito na Itália entre 1943 e 1945, no quadro maior da Segunda Guerra, o Estado do Vaticano perdeu sua renda imobiliária que mantinha sua estrutura, no final da guerra em maio de 1945 a Itália, especialmente no Norte, viu um grande crescimento do Partido Comunista Italiano, o maior do Ocidente. Os Estados Unidos se preocupavam com a hipótese da Itália cair sob domínio comunista e somente o prestigio da Igreja poderia enfrentar essa ameaça. Allen Dulles, então chefe do OSS, escritório antecessor da CIA, arquitetou com o Vaticano a criação do Partido Democrata Cristão, que se tornaria o maior da Itália e a barreira contra o crescimento do PCI. Para financiar esse projeto, a CIA montou um esquema de financiamento do Vaticano e deste para o Partido Democrata Cristão que começava na Arquidiocese de Chicago destinando doações para o Vaticano, os recursos na realidade vinham de fundos da CIA. Para operar o sistema foi criado o IOR-Instituto de Obras Religiosas, conhecido como o “Banco do Vaticano”, sob a direção do Arcebispo Marcinkus,  da Arquidiocese de Chicago e foi esse o canal financeiro que construiu o partido que governou a Itália por boa parte da segunda metade do Século XX.

Outra operação com dinheiro de origem não oficial organizada pela CIA foi o financiamento da Organização Gehlen, um vasta rede de espionagem dentro da antiga URSS herdada do serviço de inteligência do Exercito alemão e chefiada pelo general do Terceiro Reich Reinhard Gehlen, com mais de 1.000 agentes operando na União Soviética. O financiamento vinha de fundos secretos da CIA, sem registro e durou por boa parte do período da Guerra Fria.

Operações com dinheiro encoberto foram usadas em larga escala na invasão e ocupação do Iraque pelos serviços de inteligência americanos, conforme já relatei aqui em artigos específicos quando foram usados intensamente bancos de Beiruth e tradings polonesas como dutos de recursos para pagamentos dentro do Iraque.

O DESASTRE BRASILEIRO NO ACORDO DE COOPERAÇÃO JUDICIARIA COM OS EUA

Um dos atos governamentais mais desastrosos da Historia brasileira foi a assinatura pelo governo FHC de um “acordo” judiciário com os EUA, em 2001.  Pode-se dizer sem chance de erro que esse acordo é o ninho da cruzada moralista e por tabela a semente da liquidação da PETROBRAS e da alienação do pre-sal. O enfraquecimento da PETROBRAS, submetida a extorsões sob pretextos de prejuízo a acionistas americanos, infringência a leis americanas anti-corrupção e outras sangrias sem fim já na casa dos bilhões de dólares, mais a colocação de “monitores” americanos, indicados pelo Departamento de Justiça em Washington,  DENTRO da Petrobras para controlar suas operações, tudo isso ocorreu com base nesse fatídico Acordo de 2001, guarda chuva da cruzada moralista anti-corrupção, na realidade uma operação de grande porte disfarçada de “causa” para submeter o Estado brasileiro sob o manto do moralismo aplicado à politica, um instrumento tóxico pelos danos que causa à força do Estado.

Ao levar documentos e provas contra a PETROBRAS ao Departamento de Justiça para que este processasse a PETROBRAS, ao permitir que promotores americanos viessem ao Brasil interrogar delatores brasileiros, INOMINAVEIS AGRESSÕES foram cometidas contra o Estado brasileiro, seus interesses estratégicos, seu patrimônio e seu projeto geopolítico natural.

O Brasil e sua população pagam hoje com desemprego e pagarão no futuro com imensa perda de riquezas e patrimônio nacional, a leviandade com que o Poder Executivo e o Congresso brasileiro sem qualquer escrutínio de interesse nacional aprovaram esse absurdo “Acordo” sem nenhuma logica em torno algum objetivo estratégico para o Estado brasileiro, Acordo onde só o Brasil gera benefícios aos EUA e de lá não vem beneficio algum ao Brasil, servindo  de cobertura para intromissão de Washington em assuntos brasileiros sem que reciprocamente o Brasil possa fazer o mesmo, como se viu no caso dos pilotos do Legacy, onde o tal Acordo não serviu para nada porque ele não atua onde há interesse dos EUA.

O Acordo de 2001, assinado por Fernando Henrique Cardoso e Celso Lafer é na realidade uma operação de projeção de poder dos EUA, como foi a operação de salvamento financeiro do Vaticano ou o conjunto de operações que levaram à invasão do Iraque em 2003.

Seus frutos finais atingem a PETROBRAS e o pre-sal, entre muitos outros resultados.

A PRESENÇA GEOPOLITICA DO BRASIL NA AFRICA

De todos os grandes países com potencial de ação internacional, o Brasil é o mais natural parceiro da África, pela sua diversidade cultural, étnica, religiosa, pela facilidade de convívio de seu povo com outras culturas, o Brasil é especialmente bem recebido nos países africanos, o que de forma alguma acontece com nossos concorrentes na área, os chineses, indianos, malaios, povos étnicos, com culturas fechadas, que não convivem bem com outras culturas e povos, não estão acostumados como os brasileiros à mescla de civilizações e hábitos.

Os chineses são recebidos hoje na África por falta de opção, mas o Brasil tem vantagens únicas para atuar no campo de obras publicas e grandes projetos no continente africano.

Enquanto no canteiro de obras de empreiteiras brasileiras há jogos de futebol com os locais, todos participam e se confraternizam, nos canteiros chineses, turcos, indianos isso é praticamente impossível, não se misturam, tem hábitos e costumes fechados, não mudam, são guetos implantados, a comida tem que ser importada, não há LIGA com a população local.

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Pela mesma razão forças armadas brasileiras são as preferida para as missões de paz da ONU, sãos as mais bem recebidas em qualquer lugar e por sua vez se sentem bem em todo lugar.

AS EMPRESAS ‘BRAÇO LONGO”

Os grandes países usam empresas como braços de projeção de poder, o mundo se acostumou a ver a Standard Oil, a Texaco, o City Bank, a Pan American, a IBM e a ITT como braços do governo dos EUA, funcionavam não só como empresas comerciais, mas tinham também papel diplomático, de espionagem, de penetração estratégica, a Inglaterra tinha essa relação com a Shell e a Unilever, a Alemanha com a Siemens,  a França com a Schneider, a Rhodia e a Cegelec, a empresa estratégica do Brasil seria a Odebrecht, liquidada pela cruzada moralista, empresa que chegou a ter 10% do PIB de Angola e operações em 30 países, em alguns, como no Peru, era a maior construtora, o mesmo no Equador, Republica Dominicana, etc.

Na Segunda Guerra foi a hoje extinta Pan American Airways quem construiu os aeroportos que seriam as bases aéreas para a invasão da África do Norte pelo Exercito americano, atuando como braço longo do Governo dos EUA no Brasil.

Os grandes países expansionistas USAM essas empresas “LONG ARM”, braço longo do Estado,  para pagar espiões, operações especiais, proteger aliados dentro dos países, financiar campanhas, providencia empregos e  exílios, TODOS os grandes países operaram suas relações internacionais usando empresas “braços longos” como INSTRUMENTOS de sua politica externa para tarefas onde o próprio Estado não deve aparecer. A Texaco foi fundamental para a vitória de Franco na Guerra Civil Espanhola, fornecendo petróleo a credito ao Exercito nacionalista como braço longo do Departamento de Estado, a ITT foi fundamental na derrubada de Allende no Chile em 1973, a IBM ficou na Alemanha nazista até dezembro de 1941 como olhos do Departamento de Estado mesmo após dois anos de guerra na Europa.

O que fez o Brasil? Liquidou com suas empresas “ponta de lança” em nome da moral, pelo caminho liquidando os políticos que ajudaram as empresas e o Brasil em projetos brasileiros em seus países, que abriram as portas ao Brasil e seus negócios e interesses. Nenhum País faz isso, perseguir suas próprias empresas no exterior, são armas nossas, todos vestem a mesma camisa, se alguém quiser investiga-las que sejam os países prejudicados e não o pais sede da empresa, é algo tão absolutamente obvio que custa a crer tenha ocorrido com o Brasil,, onde empresas brasileiras são DENUNCIADAS por procuradores brasileiros aos seus colegas do pais anfitrião, mas com que interesse do Brasil? Não é possível descobrir. Não consta que o governo do EUA faça o mesmo com suas multinacionais no Brasil, ele as protege em qualquer circunstancia, aliás e uma das principais funções da diplomacia americana em todo o mundo.

Será historicamente incalculável o prejuízo do Brasil ao cortar a ação de suas empresas de engenharia no exterior em nome do moralismo, assim como foi uma tragédia para a diplomacia brasileira a queda de um Presidente do Peru, pais vizinho, estratégico e importantíssimo para o Brasil, por denuncias vindas do Brasil. O que ganhou o Brasil com a queda de Pedro Pablo Kuczinsky? Nada, mas perdeu projeção de poder no Peu pelos próximos 30 anos. Como é possível o Estado brasileiro ter permitido isso?  Não há resposta.

AS ‘CAUSAS’ COMO ARMAS DA POLITICA

As causas morais de todos os tipos, humanitárias, ecológicas, anti-corrupção, de direitos humanos,  religiosas, servem como ARMA POLITICA sob a capa da virtude.

Uma histórica grande “causa” usada como arma politica foi a das CRUZADAS, verdadeiras operações de saque e tomada de território sob a capa de “reconquista dos lugares santos”.

A partir da Era dos Descobrimentos e depois na Era das Colonizações a pregação religiosa foi usada largamente como aríete de conquista de terras e riquezas. A bandeira era a “conversão dos infiéis”, o alvo real era a pura e simples busca do ouro em todas suas formas.

Parece incrível que ainda hoje não se entenda o uso claro e a luz do dia de “causas” como peças do jogo politico e não da  propagação da virtude e da pureza moral.

Através dos tempos, o resultado final das lutas por ‘CAUSAS”, tem tido um saldo desastroso.

O rescaldo dos destroços deixados por essas lutas custa muito caro na Historia. A LEI SECA Americana, assinada pelo Presidente Woodrow Wilson em 1919, o primeiro Presidente “politicamente correto” dos EUA, não reduziu o alcoolismo e ao criar o espaço para o contrabando de bebidas fez a fortuna e o poder da MAFIA no País, o saldo da CAUSA moral foi o pior possível, como costuma acontecer por toda Historia.

“Causas morais” não podem reger a politica de um grande Estado, é a lição da Historia.

Ao se intrometerem na POLITICA, causam imensos estragos, outra lição da Historia.

O ambiente da politica nacional e internacional NÃO é puro e nunca foi por toda a História conhecida, ao tentar purifica-lo matam-se os germes ruins e os bons juntos, no ambiente asséptico nasce um germe novo muito mais agressivo, a terceira lição da Historia.

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25 comentários

  1. Os textos do André são o que

    Os textos do André são o que de melhor existe no site. Mesmo quando eu discordo da idéia central – como é o caso desse agora – vale a leitura pela elegância e pela aula de história. Parabéns!

  2. Prezado senhor André

    Prezado senhor André Araújo,

     

    Estive lá, vi, vivi, presenciei a tudo isso, servi no sub continente, no pré sal africano.

    Fizemos e apadrinhamos Marinhas nacionais africanas. 

    Participei de tudo isso. Odebrecht era nossa segunda embaixada, como Varig anos passados.

    Fomos “tocados” como estado e postos fora como empresas.

    Chineses fazem e desfazem, fizeram verdadeiros protetorados no continente, Namíbia e Angola, por exemplo.

    Até o fim de meus dias me perguntarei…. Para que? Por que? Para quem?

    Encontro estes rábulas “moralistas” nos chibatando em nosssas próprias embaixadas, se acham o máximo nos expor e mostrar “nosso” atestado de pureza moral a estrangeiros.Que ficam horrorizados com tal estupidez…

    Quem sabe o senhor possa me fazer compreender ( não compreendo até hoje) como oficiais bem preparados se fizeram paneleiros de varandas gourmet`s.

    Globo News e CBN dão conta de tamanha abstração?

  3. Excelente trabalho do Andre

    Excelente trabalho do Andre Araujo. Os motivos para a traição ficarão nítidos quando os traidores começarem a se mudar para Miami.

  4. Tudo que eu queria

    O André arrasou nesse post.

    Para mim, tudo perfeitamente ciente do que sempre foi o poder – pureza na política sem propósitos, tem como destino final, o atraso -, mas o André buscou cirurgicamente exemplos na história para ilustrar o seu magnífico texto.

    Quando eu li a passagem do tosco Woodrow, enxerguei na hora a Dilma.

    A “sorte” dos EUA foi que nunca mais se repetiu um presidente desastroso como aquele.

    Sempre, sempre vi no desastre do Brasil – o eterno país do futuro -, a ingerência dos EUA e Europa, bloqueando os nossos interesses como nação soberana.

    Os exemplos, como mostrados pelo André, é de dar nojo. Mas não se faz uma nação com purismo cristão católico.

    E no Brasil, para piorar, crescem como ratos os fieis das seitas pentecostais, mais atrasados do que os “ensinamentos” de Cristo propagados pela igreja católica: se baterem na sua face direita, ofereça a esquerda.

    E o Brasil vem fazendo isso desde o seu descobrimento com seus padres catequisadores.

    Não poderia dar certo mesmo.

    Mas tudo que eu queria dizer, o André conseguiu fazer para minha “frustação”.

  5. Pois é, caro André,

    Pois é, caro André, caracteristica que marca a história das pessoas que hoje têm cargos chave na instituições do nosso país é a covardia. Há grupos na academia registrando os movimentos daquelas pessoas como registros histórico. Tomara que haja também grupos assim formados a partir de assessorias de parlamentares patriotas e lutadores, gente discreta e esperta, que esteja bem mais próxima tanto dos acovardados pessoalmente quanto da enorme horda de oportunistas que os cerca – os tais “lobistas”, seguranças, viabilizadores, providenciadores e toda sorte de depachantes e atravessadores…

    Agora, o que você diz de manter tratados e protocolos em segredo… sei não. Creio que privar a pessoa comum do jogo de interesses nacionais e internacionais não é contribuir para seu amadurecimento cidadão.

    Ok, para usar os termos em moda, estamos em tempos de “fake news”, um fenômeno muito velho expresso há uns 2.500 anos pelo grego Ésquilo no axioma “em guerra a primeira vítima é a informação”. E não há dúvida de que estamos em plena guerra, mesmo não sendo do tipo antigo*. Mas na Grécia antiga não havia Intenet, por exemplo. E de uns 300 anos para cá – bem recentemente portanto – estamos nos aglomerando e com isso nos percebendo, nos conhecendo melhor uns aos outros e à sociedade como um todo. O sentimento de cidadania decorrente do êxodo rural, fim dos feudos e até a ideia de estados nacionais propicia oportunidades muito melhores para a participação da pessoas nos tratos diplomáticos e de poder. A meu ver esse negócio de elites conduzindo massas amorfas já não funcionam mais como antes e devem funcionar cada vez menos. A pessoa comum é perfeitamente capaz de compreender o desejo e a luta pelo poder – principalmente depois de Marx – e não adianta mais tentar privá-la da participação.

    Até certo ponto, quando a gente finge ser burro, o outro se deixa influenciar pela burrice, topa uma relação baseada na burrice. Mas a partir de certo ponto, o outro passa a acreditar que burro mesmo é a gente.

     

    * – A guerra aberta em que estamos, apesar de não usar armas de fogo na mesma escala de antes, é perfeitamente sentida pela pessoa comum. Todos percebem, ainda que nem todos tenham instrumento para racionalizar, verbalizar, os ataques das empresas de comunicação social, chamada “mídia”, das ingerências jurídica, a tal de “lawfare” e até das instituições eletivas. É mais fácil que a pessoa não se dê conta do “de onde vem a porrada” do que que não sinta-se agredida, prejudicada. E como nem a mídia está mais dando conta de oferecer arrozado crível, minimanete fidedigno (à exceção de patos-de-fiesp e afins – podemos contar com cada vez maior senso crítico da pessoa comum.

  6. Durante a leitura deste

    Durante a leitura deste excelente post, temos a noção de que se trata de uma verdadeira aula, tamanha a capacidade explicativa do autor, que leva-nos a trocar em miúdos aquilo que parece indecifrável diante de sua concretude. O autor dá marretadas certeiras e transforma em pó as rochas aparentemente impenetráveis, como a dizer em cada frase: Estão vendo o que isso significa e o que há dentro? É um moedor de ideias pré-concebidas e moldadas para transformarem-se em verdades inatacáveis. E de pedaço em pedaço faz-nos rememorar algumas figuras do atual ideário político nacional.

    Se Woodrow Wilson, por exemplo, acreditava que visava o Bem, não se poderá afirmar que era corrupto, não obstante o Mal que ocasionou. E isso nos traz à mente as figuras nacionais que foram postas para combaterem a “nossa” corrupção, mais especificamente FHC e Moro. Conforme se diz em Minas, “os porcos falando mal dos toicinhos”. Que dialética perversa o autor nos mostrou em sua dissecação!

    Cliquem para os favoritos, este post é primoroso.

  7. há agentes, que além de agente…

    são atores para qualquer palco de relações internacionais

    ( quem acha lucrativo estar ao lado que se cuide )

    ……………..finalmente teremos o que comemorar……………..

    é desse tipo de agente que vem o efeito que a inteligência chama de  bumerangue

    ( do macro ao micro ), que por aqui, aparentemente, deve consistir no seguinte:

    destruídas as empresas partirão para as pessoas, fortunas e famílias físicas

     

    em tempo: também agradeço pela excelente aula que tivemos do AA

  8. André, nem sei se já estás fazendo, mas se não faça. Escreva….

    André, nem sei se já estás fazendo, mas se não faça. Escreva um livro exatamente desenvolvendo este artigo, seria um verdadeiro guia para a posteridade.

    • Concordo, inclusive esse

      Concordo, inclusive esse livro eu daria de presente para um monte de amigos e colegas, entre coxinhas completos, mais ou menos coxinhas, analfabetos políticos e semi-analfabetos políticos.

      Alías esse texto obrigatório do AA é uma introdução à alfabetização política do cidadão inocente útil.

      Espetacular é pouco! Sou um fã desse cara, que sei não ser nem um pouco de esquerda.

      • Pergunto eu

        Pérolas para porcos?

        Conheço vários, gostam de se informar por manchetes. Dê de presente a quem for e deseja aprender.

  9. Trecho final do artigo de

    Trecho final do artigo de Vinicius Torres Freire de hoje, em que ele descreve o saque final que a nossa elite está fazendo, através dos deputados federais, com o país. Nossa elite colocou o país na rota do iceberg deliberadamente e está pegando todos os salva-vidas. Mesmo que se pusesse uma mistura de Roosevelt e Churchill no comando, é impossível dar um cavalo de pau num transatlântico. E mais uma vez, a parte da elite que poderia evitar isso, ao invés de se unir fica um querendo foder com o outro, como se vê na questão Ciro e PT. Eram pros dois nesse momento terem feito um pacto de não agressão até o segundo turno, pois hoje considero que há chance de ir um candidato do PT e Ciro Gomes no segundo Turno. Aí no segundo turno que se matem, mas pelo menos a direção do governo seria de não aceitar ser laboratório do rentismo internacional, como foi a Argentina até 2001 – e [fo]deu no que [fo]deu 

     

    O que se chama de “elite”, por falta de palavra mais adequada e publicável, se dedica à degradação do país e, no fim das contas, à autodestruição. Que outro nome dar à mazorca da Justiça, no domingo de Lula e no tumulto do Supremo, ao apoio quase geral ao caminhonaço, à depredação parlamentar do Tesouro Nacional nesta semana?

  10. Prezado André
    Novamente uma

    Prezado André

    Novamente uma grande artigo, muito bom, erudito e com uma sofisticação intelectual que demonstra as relações me ligações que não percebemos, mas intuímos que existem

    1 – houve um erros de digitação; no China, houve a Guerra dos Boxers. A Guerra dos Boers foi na África do Sul

    2 – essa sofisticação intelecutal , erudição e capacidade de argumentação inexistem no mp brasileiro (que é um braço do governo norte-americano agora). Uns caras que mal desewnvolvem um power point, escrevem errado e deoram apostilas para passar em concursos se consideram agentes do processo, mas são fantoches e marionetes (menos um, que despacha de curitiba e vai toda  semana aos EUA prestar contas. Esse safado é traidor mersmo, quinta coluna maldito)

  11. Bons filmes

    Os filmes franceses historicos são boas pistas para se seguir e chegar à mesma conclusão de André Araujo: moralistas e ideologos cegos não mudam o mundo para melhor.

    Vejam, entre outros, o filme Que la fête commence (que se comece a festa) de Bertrand Tavernier sobre a França na regência do Duque d’Orléans e o movimento minusculo separatista da Bretanha. Uma aula de realpolitk. 

    Ps: FHC, quem for vivo vera, ainda sera revelado como um dos agentes do governo americano no Brasil. 

  12. EXCELENTE VEÍCULO. FAZ A PERGUNTA MAS TAMBÉM RESPONDE

    Depois de três anos, Lava Jato denuncia executivo americano“.  

    Caro sr., tirando um minúsculo grupo deste veículo e de uma Mídia Qualificada, verificamos que a absoluta maioria tem excepcional conhecimento. Mas lhes faltam Vivência e Experiência. E isto conta demais. Tanto quanto o Conhecimento, que fica manco se não houver a vivência e experiência para exercê-lo. Para Nós Brasileiros, muitas vezes até o óbvio é de difícil compreensão. Toda a Cadeia Produtiva Nacionalista reconstruída durante o Governo do PT (e esta parte deste Governo merece apoio e aplausos. Overdose de Nacionalismo. ‘Não inventaram a roda’) está sendo destruída. Empresários e Empresas Brasileiras, Financiamento Autonômo e Nacional via BNDES, Irrigação Financeira por Bancos Nacionais. Tudo está sendo destruído juntamente com a Economia Nacional. Hoje vejo Andre Esteves absolvido de alguma coisa, condenado a se retirar do jogo. E não era este o objetivo? Não era este o objetivo de sabotar Empresas Nacionais? De abrir caminho para a volta das PRIVATARIAS e criação de centenas de MultiNacionais Estrangeiras a partir de Empresas e Empregos Brasileiros? Ou realmente o óbvio nos é de difícil compreensão? O Acordo de Leniência da CAF foi divulgado pelo MP, quando seus Diretores Estrangeiros e Famílias já estavam desembarcando na Europa em vôo fretado. Mais de 400 Empresas Estrangeiras foram indicadas na Lava Jato, agora depois de 3 anos é que se denuncia um Executivo americano? E o espetáculo das Conduções Coercitivas e Prisões Provisórias? É coisa para Brasileiros? Sabemos. Mas não culpemos o ‘carcara’ por sua natureza. Fomos Nós mesmo que nos colocamos nesta posição. As Privatizações da Era FHC tiveram no seu começo enorme simpatia de parte da Intelectualidade e Elite Nacional. Assumir a mediocridade e anticapitalismo tupiniquim é o primeiro passo para solucioná-los. Putin está dando um baile no Mundo. Será que ele tem tanta competência ou se cercou de Competentes. Putin poderia tanto sem Lavrov? O sr. já apresentou nos seus artigos centenas de ‘Notáveis’ na recente História Brasileira. A maioria foi subutilizada ou dispensada. Foi o próprio governo petista quem dispensou Celso Amorim ou Samuel Pinheiro Guimarães.  E continua a cada dia aumentando o túmulo que abriu para si. E levará o país junto. Mas não consegue enxergar. Experiência muitas vezes vale tanto quanto Conhecimento. abs.        

  13. André, concordo em genero,

    André, concordo em genero, numero e grau com o que escreveu, mas tente explicar a política real para um coxinha intoxicado pelo neoudenismo neomoralista. É impossível. São toscos e primários demais para entender o mais elementar da política.

    Acho que a resposta do porquê o Brasil aceitou o que acontece é muito complexa, mas penso que um pouco é porque a grande maioria das pessoas é estúpida demais para entender certas coisas; outro pouco é devido as nossas elites, historicamente agarradas ao servilismo colonial; outro tanto o medo desta mesma elite com uma possível ascenção das massas; outro tanto a vaidade de certos segmentos sociais (como juízes e promotores) que não resistem a homenagens dos “States”; ou tanto aos erros do PT (que optou pelo republicanismo); outro tanto do próprio Lula, que acreditou numa possível reconciliação com as elites históricamente servis a interesses alienígenas.

    Sei lá.

    Em todo caso, espero que o que ocorre ocorre desde 2013 sirva como lição histórica: não é possível governar com Aves-Marias. Se não servem para administrar nem para conventos Carmelistas, servem muito menos para Estados-Nações.

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    Não sei por que razão meus comentários nunca são editados neste site. E  no entanto nada têm de ofensivo ou agressivo. É necessário inscrver-se antes? Não percebo.

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    Não sei por que razão meus comentários nunca são editados neste site. E  no entanto nada têm de ofensivo ou agressivo. É necessário inscrver-se antes? Não percebo.

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