15 de junho de 2026

Bolsonaro recusou ou foi barrado no Fórum Mundial do Holocausto?, por Hugo Souza

Na última quinta-feira, 23, o Yad Vashem foi sede do quinto Fórum Mundial do Holocausto. Coincidindo com o 75º aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz

do Come Ananás

Bolsonaro recusou ou foi barrado no Fórum Mundial do Holocausto?

por Hugo Souza

“O Holocausto pode ser perdoado? Bolsonaro diz que sim”, dizia o New York Times no dia 13 de abril do ano passado, intitulando assim matéria sobre uma famigerada declaração, mais uma, dada por Jair Bolsonaro.

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A declaração havia sido dada em um encontro com pastores evangélicos, e quando Bolsonaro falava precisamente da sua visita, dias antes, ao Yad Vashem, o memorial oficial de Israel às vítimas do Holocausto, que fica em Jerusalém.

“Nós podemos perdoar, mas não podemos esquecer”, foi o que disse o Capitão Caserna.

Na época, a declaração provocou fortes condenações do presidente de Israel, Reuven Rivlin, que afirmou que “nós nunca vamos perdoar nem nunca vamos esquecer”; e da própria direção do Yad Vashem, que rebateu Bolsonaro, em comunicado, dizendo que não é direito de ninguém determinar se os crimes cometidos pelos nazistas durante a II Guerra Mundial podem ser perdoados.

Na última quinta-feira, 23, o Yad Vashem foi sede do quinto Fórum Mundial do Holocausto. Coincidindo com o 75º aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, que será comemorado nesta segunda, 27, a edição 2020 do fórum foi simplesmente o maior evento diplomático da história de Israel, com representantes de mais de 40 países.

Estiveram lá, por exemplo, Vladimir Putin, Emmanuel Macron e o príncipe Charles. Donald Trump mandou seu vice, Mike Pence.

Alguns dias antes do Fórum Mundial do Holocausto, o secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, caracterizou-se de Joseph Goebbels, montou um cenário imitando o escritório de Goebbels no ministério da Propaganda nazista, botou Wagner na vitrola e recitou Goebbels em um vídeo institucional.

Um dia antes do fórum, o portal UOL informou, citando o Itamaraty, que o “governo israelense consultou o Brasil sobre a possibilidade de ida ao evento do Presidente Jair Bolsonaro, que declinou em virtude de visita à Índia”.

No mesmo dia, porém, o jornal israelense Jerusalém Post informou, citando o diretor-geral do Yad Vashem, Harel Tubi, que países como Brasil, Cazaquistão e Kosovo pediram para participar do Fórum Mundial do Holocausto, mas foram informados que isso não seria possível, porque, segundo Tubi, esses países “não participaram da II Guerra Mundial”.

Cazaquistão e Kosovo não existiam enquanto países independentes na época da II Guerra Mundial. O Cazaquistão, por exemplo, era República Socialista Soviética Cazaque. Já o Brasil é independente, pelo menos no papel, desde 1822. E o Brasil, sim, participou da II Guerra Mundial.

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8 Comentários
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  1. Jossimar

    27 de janeiro de 2020 10:57 am

    O que os judeus fazem com os palestinos hoje é diferente do que os alemães fizeram com eles durante a segunda guerra?

  2. Mauro Zilbovicius

    27 de janeiro de 2020 1:34 pm

    Primeiro, “os judeus” não fazem com Palestinos. O governo de Israel faz. Representa parte dos judeus, os israelenses. Mesmo entre os israelenses, muitos cobdem a política e as ações do governo de Israel. Eu sou judeu, e também brasileiro e corinthiano e não tenho nada a ver com esse governo de Israel, que transforma o país em uma mistura de Irã teocrático com África do Sul do apartheid.

    2. Por pior que seja o tratamento dado aos Palestinos, tratados como cidadãos de segunda classe sem direito a autodeterminação e, em Gaza bloqueados com um cerco infernal, não, não é o mesmo tratamento dos alemães com os judeus na II Guerra. Não há um política de extermínio, de “solução final”, não há campos de concentração e de extermínio na Palestina. O modelo é o apartheid, Como eu já disse, que espero que acabe como acabou na África do Sul.

    1. Agnaldo

      27 de janeiro de 2020 3:41 pm

      1. Dizer que Israel não representa os judeus é a mesma coisa que dizer que os alemães não tem nada a ver com o nazismo!!!
      2.Eu não vejo diferença entre os campos de concentração nazistas e o que restou da Palestina hoje. “Cidadão de segunda classe sem direito a autodeterminação” e”… bloqueados com um cerco infernal” lembra exatamente um campo de concentração. Veja só, adjetivos seus. E quanto ao extermínio, ele é vagaroso, sem pressa, pra não dar na cara, até que a Palestina não exista mais. Agora dizer que é um apartheid é brincadeira da sua parte. Nós estamos falando de um país chamado Palestina, de um povo, de uma nação, e não de parte da população como é, ou era, na Africa do Sul. De qualquer forma, você me fez lembrar de uma notícia que eu vi no Jornal Nacional, há muito tempo atrás, em que um sobrevivente judeu dos campos de concentração, olhando para as terras ocupadas da Palestina, disse que lembrava exatamente…(adivinha o quê?)

    2. peregrino

      27 de janeiro de 2020 4:58 pm

      então, por favor, substitua “tratamento dos alemãs” por tratamento dos nazistas

    3. RicardoAg

      28 de janeiro de 2020 12:20 am

      Mauro, estou de acordo com a sua primeira mensagem. Os judeus do mundo inteiro não têm necessariamente a ver com Israel e menos ainda com o governo Netanyahu. É um grave erro confundir as coisas.

      Quanto a segunda mensagem, acho que vc está parcialmente correto. Sim, o modelo israelense se parece mais com o da África do Sul do apartheid. No entanto, ele tem sim alguns toques nazistas. A ideia de “solução final” para o problema palestino volta e meia ronda a cabeça dos líderes da direita israelense que está no govenro. Os palestinos que vivem em Israel na condição de cidadãos israelenses são cidadãos de segunda categoria, e os de Gaza vivem pior do que os negros de qualquer gueto sul-africano. Esses, eu diria sem medo de errar que vivem num gueto à moda nazista. Basta ver como funciona aquilo lá.
      Então, acho que sim, Israel está vivendo atualmente uma mistura de África do Sul pré-Mandela com Alemanha dos primeiros dias do hitlerismo. Já há câmaras de gáS? Não. Mas em 1935, por exemplo, tb não havia.

    4. RicardoAg

      28 de janeiro de 2020 12:20 am

      Mauro, estou de acordo com a sua primeira mensagem. Os judeus do mundo inteiro não têm necessariamente a ver com Israel e menos ainda com o governo Netanyahu. É um grave erro confundir as coisas.

      Quanto a segunda mensagem, acho que vc está parcialmente correto. Sim, o modelo israelense se parece mais com o da África do Sul do apartheid. No entanto, ele tem sim alguns toques nazistas. A ideia de “solução final” para o problema palestino volta e meia ronda a cabeça dos líderes da direita israelense que está no govenro. Os palestinos que vivem em Israel na condição de cidadãos israelenses são cidadãos de segunda categoria, e os de Gaza vivem pior do que os negros de qualquer gueto sul-africano. Esses, eu diria sem medo de errar que vivem num gueto à moda nazista. Basta ver como funciona aquilo lá.
      Então, acho que sim, Israel está vivendo atualmente uma mistura de África do Sul pré-Mandela com Alemanha dos primeiros dias do hitlerismo. Já há câmaras de gáS? Não. Mas em 1935, por exemplo, tb não havia.

  3. Mauro Zilbovicius

    27 de janeiro de 2020 3:05 pm

    rimeiro, “os judeus” não fazem nada com Palestinos. O governo de Israel faz. Representa parte dos judeus, os israelenses. Mesmo entre os israelenses, muitos condenam e combatem a política e as ações do governo de Israel. Eu sou judeu, e também brasileiro e corinthiano e não tenho nada a ver com esse governo de Israel, que transforma o país em uma mistura de Irã teocrático com África do Sul do apartheid.

    2. Por pior que seja o tratamento dado aos Palestinos, tratados como cidadãos de segunda classe sem direito a autodeterminação e, em Gaza bloqueados com um cerco infernal, não, não é o mesmo tratamento dos alemães com os judeus na II Guerra. Não há um política de extermínio, de “solução final”, não há campos de concentração e de extermínio na Palestina. O modelo é o apartheid, como eu já disse, que espero que acabe como acabou na África do Sul.

  4. HELIO ALVES PEREIRA

    27 de janeiro de 2020 4:26 pm

    CONSIDERANDO OS PRÓS E CONTRAS, NUNCA DEVEMOS ESQUECER E PERDOAR AS ATROCIDADES COMETIDAS, SEJAM POR QUEM QUER QUE SEJA,PARA QUE NÃO VOLTE JAMAIS ACONTECER…..

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