Caminhoneiros: o maior impacto na História do Brasil, por Aldo Fornazieri

Foto CartaCapital

Caminhoneiros: o maior impacto na História do Brasil

por Aldo Fornazieri

“O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não”(Gandhi)

Nenhum acontecimento da história do Brasil teve um impacto tão avassalador sobre o conjunto da sociedade e do Estado, em todas as suas dimensões, tal como este produzido pelo movimento paredista dos caminhoneiros. Nem a Independência, nem a proclamação da República, nem a Revolução de 1930, nem a Segunda Guerra, nem o golpe militar de 1964, nem o Plano Collor, nada produziu um efeito tão universal sobre todos os aspectos da vida nacional. Com exceção de poucos lugares remotos do país, todos os demais lugares setores foram afetados. Nem mesmo uma guerra teria um efeito tão avassalador. Foi como se o Brasil fosse atacado em todo o território nacional, em todas as suas cidades, em todos os ramos de atividade, em todas as linhas de  abastecimento. A singularidade que o movimento dos caminhoneiros produziu talvez não tenha similaridade em nenhum outro país.

O movimento dos caminhoneiros revelou o grau de abandono do povo brasileiro e desnudou a mediocridade da política nacional – da direita, do centro e da esquerda; do governo e da oposição. Pôs à luz do sol a falência das instituições do Estado, dos partidos e das lideranças políticas. Espatifou a autoridade do Executivo, do Legislativo e do Judiciário reduzindo-os à impotência. Emudeceu os falsos moedeiros do mercado e ensinou aos movimentos populares como se para o país. Comprovou os equívocos das nossas opções estratégicas de desenvolvimento. Ninguém tinha nada a fazer e ninguém tinha nada a dizer. O povo, mesmo sacrificado pelo desabastecimento, na sua sabedoria espontânea, fez o que era certo: apoiou o movimento porque suas demandas são justas e o que é justo precisa ser apoiado.

Temer, o chefe da quadrilha governamental, depois de ter mergulhado o país no caos e nos desgoverno, depois de ter humilhado o povo brasileiro, depois de ter destruído os parcos sentimentos de sociabilidade, depois de ter extinguido direitos e de ter conspirado contra os interesses nacionais, fez o  que de mais ridículo se pode fazer: fez um acordo com as entidades representativas das empresas de transporte para depois acusá-las de locaute. Trata-se da estupidez elevada à máxima potência.

O movimento dos caminhoneiros revelou também a desorientação das oposições, das esquerdas, a sua falta de compreensão da conjuntura, sua incapacidade de se conectar com os sentimentos do povo,  a escassez de líderes virtuosos e competentes e a falência das direções partidárias. No seu temor crônico, a primeira coisa que as esquerdas viram no movimento, particularmente setores petistas, foi uma conspiração para um golpe militar e para cancelar as eleições. Em consequência deste pavor, demoraram em dar apoio aos caminhoneiros e, quando o deram, foi com toda a cautela do mundo e de forma protocolar e formal, através de notas. Em tudo isto ocorreram exceções, claro, a exemplo de movimentos sociais e da Frente Povo sem Medo.

O presidente da CUT emitiu a seguinte recomendação: “O governo deve sentar à mesa e negociar com seriedade, respeitando todos os representantes dos movimentos”. A nota da entidade recomendou também que o governo mude a política de preços dos combustíveis. Belos conselhos a um governo golpista, nessa plácida aceitação, como se fosse possível sair daí alguma seriedade. As oposições só tinham uma coisa digna a fazer: apoiar os caminhoneiros, exigir a renúncia de Temer e de Pedro Parente colocando-se em sintonia com o sentimento de indignação da sociedade e chamar manifestações em favor dessas consignas. A nota do PT também sequer pediu a renúncia de Temer e de Parente.

Era preciso entender que o movimento dos caminhoneiros suscitou uma enorme disputa política junto à opinião publica que voltou suas atenções de forma concentrada para os acontecimentos e desdobramentos da paralisação. O temor das esquerdas impediu que a disputa fosse feita de forma consequente e correta. Grosso modo, os caminhoneiros ficaram a mercê da direita.

Dividir para conquistar e unir para governar

Os grandes estrategistas da história, quando estavam em dificuldade ou dispunham de força insuficiente para combates decisivos, sempre agiram com a seguinte premissa da astúcia: dividir os inimigos e agregar o máximo de forças possível sob o seu comando. Os partidos de esquerda, alguns por pruridos infundados, outros por perda da noção da disputa política, preferem jogar as forças confusas ou intermediárias para o lado da direita. Grandes estrategistas como Felipe da Macedônia, Júlio César e Mao Tse Tung, entre outros, adotaram com eficiência esta estratégia. Quando, em 1937, os japoneses invadiram a China, Mao não vacilou em adotar a estratégia da frente única anti-imperialista. Foi com essa estratégia que reorganizou e fortaleceu o Exército Vermelho, tornando-o apto a triunfar.

Em A Arte da Guerra, Maquiavel faz uma síntese clara das estratégias vencedoras para conquistar o poder: dividir para conquistar. E em O Príncipe, mostrou qual a melhor estratégia no governo: unir o povo para governar. A rigor, o PT inverteu essas estratégias. No governo, adotou a estratégia da tirania: “divide et impera”. E na oposição busca o isolamento, jogando forças disputáveis para o lado do inimigo.

Era preciso perceber que nem todos os caminhoneiros são pró-Bolsonaro e favoráveis à intervenção militar. Mais do que isso: ao apoiar a paralisação e exigir a renúncia de Temer era a forma mais consequente de disputar setores da sociedade, humilhados, indignados e revoltados. O PT não consegue entender que parte do eleitorado de Lula pode votar em Bolsonaro e parte também quer a intervenção militar como solução da crise. Os dirigentes do PT não conseguem compreender os sentimentos difusos e confusos da espontaneidade popular.

Aliás, os dois líderes que compreenderam bem os sentimentos populares, terminaram mal: Getúlio Vargas foi levado ao suicídio e Lula foi posto na prisão. Esta é a tragédia do povo brasileiro. Um povo abandonado por todos. As elites só agem para assaltar o povo e, os progressistas, com a ressalva das exceções, só pensam em eleições e nas benesses dos cargos. O povo é massa de manobra, número de votos. Na paralisação dos caminhoneiros, em face da ausência de líderes e de partidos que indicassem caminhos, cada indivíduo ficou por sua própria conta, mergulhado nos transtornos do desabastecimento e na sua indignação solitária.

A incapacidade das esquerdas de lidar com os sentimentos confusos da espontaneidade popular faz com que setores desse segmento, diante do desespero social, do desemprego, da falta de direitos, busquem saídas na extrema-direita. Este fenômeno, que vinha acontecendo nos Estados Unidos e na Europa, parece estar chegando na América Latina. Como as esquerdas não são capazes de estimular o calor da solidariedade combativa, a direita desencadeia a fúria da solidão ressentida.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).

 

44 comentários

  1. Artigo de Aldo Fornazieri

    Que pressa em falar mal da esquerda!  Pena que não teve pressa em fazer artigos para ajudar a esquerda a enfrentar essa situação que é sim confusa, como confuso é todo o quadro político atual, numa situção de empate histórico – os de cima já nao conseguem manter o domínio e os de baixo ainda não são capazes de durruba-los.  Note-se que os petroleiros já estão em campo, a tendência de insatisfação em segmentos majoritários do povo é no sentido de alastrar-se.  Melhor que gastar energia com críticas divisionistas e intriguentas, melhor é gastar energias para unir e orientar o povo e suas lideranças. Use aquilo que vc acumulou como intelectual neste sentido. 

  2. Maquiavel ou Sun Tzu?

    Juro que não sabia que Maquiavel havia escrito a Arte da Guerra. Pensei que a obra era de Sun Tzu. Lendo e aprendendo.

    • Eu não sei se você está sendo

      Eu não sei se você está sendo irônico e querendo pagar de espertão ou realmente não sabia, mas em todo caso são dois livros com o mesmo titulo, um do Sun Tzu e outro do Maquiavel:

  3. “… só tinham uma coisa digna a fazer: apoiar…”

    1. Sabotagem econômica

    [video:https://youtu.be/h99R2194ub4%5D

    2. “Hace un año manifestantes de oposición en la Plaza Altamira quemaron vivo a Orlando Figuera por parecer chavista. El objetivo era imponer el terrorismo…”

    3. Mensagem de Álvaro García Linera (Bolívia) a poucos dias da votação na Venezuela — antes portanto de saber que uma jihad carretera estrangularia e imporia um dano de centenas de bilhões ao Brasil — oferece boa referência não só ao campo progressista sobre o quadro atual e a luta por dignidade continental do trabalhador na pátria iberoamericana.

  4. Bater e fazer sangrar, como queria Aécio. E os caminhoneiros?

    Professor Fornazieri, fico feliz com uma coisa: que o senhor não seja do Ministério Público.

    Seus pontos de vista político e recursos retóricos tem se assemelhado muito, com a diferença que suas acusações fiquem no âmbito do debate público, e não dos tribunais. Que alento!

    Cadê a análise da situação dos caminhoneiros? Cadê sua visão crítica, suas investidas de discernimento sobre esta situação complexa que gera o discenso entre tantos analistas? Após anunciar que este fenômeno criou um impacto maior do que uma guerra, que não tem precedentes, o senhor se omite de analisar o assunto e dedica-se, por sucessivas linhas, ao esporte favorito dos conservadores: bater e fazer sangrar a esquerda, como disse o aécio derrotado em 2014. Só faltou endossar esta última do Alexandre Garcia. Suas acusações têm se tornado agressivas, graves e generalizadas.

    E qual o embasamento para sua convicção de que o movimento dos caminhoneiros deva ser abraçado incondicionalmente pelas esquerdas? Como fazer declarações tão firmes e prescrições tão imprudentes? Parece que o professor não quis compartilhar com seus leitores o que o leva a tais posicionamentos… ou age por pura paixão. Para um intelectual a mistificação dos dos fatos é um risco terrível à credibilidade.

    Já que seu discurso bate-e-sangra a esquerda tem atingido este grau de saturação, por gentileza e para o bem de seus leitores, adote novos assuntos de modo mais esclarecedor e propositivo.

  5. Algumas observações

    Gostaria de fazer algumas observações tanto sobre a paralisação, quanto ao texto e aos comentários.

    Primeiro, não foi uma greve nem um lockout, foi uma mistura dos dois,  sendo que a paralisação das transportadoras não torna a movimento ilegítimo visto que o preço dos combustíveis também afeta os trabalhadores, direta e indiretamente, o que explica o forte apoio popular e porquê de outros setores que entraram em greve em solidariedade dos caminhoneiros, e evidencia um racha na elite, entre o setor de transporte (talvez outros) e o financeiro, racha esse que poderia e deveria ser usado pela esquerda.

    Segundo, mais uma vez a esquerda se mostrou incapaz de interferir nos acontecimentos e pela segunda vez em cinco anos ficou só assistindo sem capacidade de influenciar em nada, o que escâncara o que todo mundo sabia ou pelo menos já suspeitava, a esquerda se transformou em um grupo de pressão, incapaz de construir de um movimento de massas e organizar setores mais amplos, se isolou e se contentou somente com os grupos já tradicionalmente mais próximos a ela.

    Terceiro, é visível o preconceito e o abandono da esquerda, dos sindicatos e da sociedade civil como um todo aos trabalhadores do setor privado de serviços e comércio que apesar de serem a maioria dos trabalhadores são ignorados pelas grandes centrais sindicais e até mesmo pelos seus próprios sindicatos que são praticamente inexistentes (salvo raríssimas exceções, geralmente de trabalhadores com um trabalho mais técnico, como alguns sindicatos de médicos) sendo muitas caracterizados como lumpenproletariado e jogados para escanteio pela esquerda ou como se paralisações pedindo a diminuição dos preços de um produto fosse algo patronal ou burguês, como se diminuição do custo de vida não uma bandeira de esquerda (quem lembra do movimento custo de vida?), na falta de uma organização e da luta cotidiana eles ficam a mercê do senso comum, da narrativa da grande mídia e da propagandas da extrema direita nas redes sociais, quando a situação aperta e uma organização se faz necessária, eles se organizam por aplicativos.

    Quarto, é trágico e irônico que a extrema-direita, que estava deste o primeiro momento prestando apoio as paralisações, é quem mais se fortaleça da maior para paralisação que nos já tivemos em cem anos e o mais perto que nos chegamos de uma greve geral desde então, é um perigo de uma ascensão fascista muito maior que tudo o que vimos nos últimos anos.

    É isso, seria o momento da esquerda parar para pensar e traçar novas estratégias, formas de luta, etc… mas assim como não aconteceu em 2013, não acontecer agora, a esperança é que com o tempo esses trabalhadores vejam que os interesses da direita são contrários aos seus e ai construam seus próprios instrumentos de luta, assim como os metalúrgicos fizeram, só me resta esperar que não seja tarde demais.

  6. BIZARRO !

    Estou estarrecido com os comentários neste texto. Parece simplesmente que boa parte da militancia petista pirou de vez.

    Apesar de todo o esforço do PT e da esquerda fazendo diversas manifestações públicas e greves no país desde o impeachment em 2016, essa foi a única greve que realmente parou o país; e todos, em todos os estados sentiram os efeitos.

    Praticamente toda a população estava ao lado dos caminhoneiros.

    Após o governo golpista fechar um acordo com os empresários e mandar a força nacional acabar com a greve, e os caminhoneiro autônomos informarem que continuariam de greve, era a hora da esquerda entrar de cabeça, disputar o movimento, fazer sangrar o Temer até acabar o governo. 

    Exigir a Renuncia do Temer e Antecipação das Eleições. Simples assim.

    Qualquer movimento em outro sentido seria mais uma vez a explicitação do GOLPE. Como eles iriam fazer passar o parlamentarismo no meio desse caos ?! O Exercito aceitaria o custo de um golpe militar nesse momento ?! E mais, o exercito está unido ou rachado ?! E a aeronautica e a marinha ?!

    Mas não… todos preferem esperar pacifica e pacientemente até as eleições em outrubro quando creem que por obra divina Lula será candidato e ganhará as eleições.  

    ACORDA !!! É GOLPE !!! LULA NÃO SERÁ CANDIDATO !   

    A não ser por obra divina se o STF, STJ, TSE, MPF, PF e outros deixarem que aconteça, não vai acontecer…. 

    O PT falou que não ia ter impeachment, que Lula não ia ser preso, que iam reverter o resultado do Moro no STF, que dava pra pedir o habeas corpus, e agora que Lula será candidato….. 

    Eu tô chocado que as pessoas ainda estão acreditando que Lula será candidato !

    A campanha de Lula candidato é um movimento legítimo do PT de apoio ao ex presidente, e inclusive se lula for candidato, terá meu voto. Entretanto isso simplesmente não vai acontecer…. 

    O dever dos partidos e dos movimentos populares é estar com o povo. Entretanto a maioria destes militantes, não entende, não esteve e não conhece o movimento dos caminhoneiros. Colocam todos no mesmo saco, como extremistas de direita e nem sequer tentam disputar a narrativa e utilizar a GREVE para politizar a classe trabalhadora. Tem momento melhor para discutir e conversar com os trabalhadores do que uma GREVE ?!

    SOS !!!!

     

  7. Caminhoneiros, esquerdas com suas premissas e medos e Eleição.

    Uma opinião particular da greve/locaute dos caminhoneiros e as esquerdas. 

    Será preciso uma construção outra de pensamento nas esquerdas que não veja em quase tudo o que não se consegue prever ou comandar o discurso e ação como uma Teoria da Conspiração, uma nova etapa do Golpe, a facilitação da entrada dos militares no Poder, etc.

    Estas premissas e medos para quase tudo o que acontece de diferente no contexto social brasileiro de hoje impedem de as esquerdas irem a fundo nas ações que podem mudar o rumo das coisas. Há menos pragmatismo e mais discussão virtual. Há um processo de julgamento anterior, há várias premissas, medos e divisões e menos ação concreta, quase tudo referenciado na ideia de que terá uma reação dos golpistas, eles acuados como estão reagiriam como? Penso eu; que se daria um Golpe Militar; que teríamos o cancelamento das eleições, etc. Falta uma equipe de inteligência para ir a campo e prospectar os fatos in loco, os caminhoneiros e o que pensam e querem? Brasil afora, sem generalização.

    E há uma realidade muito forte, hoje, de deixar tudo para ser resolvido na Eleição, o que dificulta o imediato, que é criar caminhos de consensos para resolver o básico: o que se fará com Temer e com a política de Parente na Petrobrás, e é muito além de só denunciar e esperar outubro chegar.

    Quando na semana passada eclodiu a greve dos caminhoneiros se chamou ela, preferencialmente, de locaute dos patrões, se teve um tremendo medo de tentar compreender a complexidade da realidade dos caminhoneiros e do movimento de paralisação, e medo porque se viu um grupo significativo de caminhoneiros defendendo Intervenção Militar Já! Então, caminhoneiros se tornaram da outra margem do rio, não devemos estuda-los em sua complexidade e, talvez, compreender parte deles como, prisioneiros de soluções imediatas de força e crença que só um homem de pulso, um Governo de “coragem” para dar vazão ao que se encontra desenhado no quadro social e no quadro econômico atual do Brasil, para acabar com essa “corrupção” toda dos políticos brasileiros. E ficamos receosos de opinar sobre o locaute/greve. 

    Imaginemos as fontes primárias de informação do Brasil e do Mundo de boa parte dos caminhoneiros, passa por Datena, Cidade Alerta, Ratinho e JN, e todas as rádios brasileiras, incluindo CBN, Jovem Pan e outras no mesmo diapasão, aqui a companhia principal, certo? Do caminhoneiro na estrada. E não é a esquerda quem politiza e informa os caminhoneiros, é o mundo real quem os mobiliza aos seus modos, diferentes da nossa hierarquia vertical.

    Todavia, é bom lembrar, há na categoria dos caminhoneiros diferentes perfis e associações de classe, há diferentes níveis de compreensão da realidade do Governo Temer, da política de preços atual da Petrobrás, há os mais politizados, os que chamam o Governo Temer de comunista, os que pedem Lula Livre, os bolsonaristas, até os que pedem Intervenção Militar Já!, muitos destes caminhoneiros atrelados a grandes transportadoras de carga, etc.

    E temos uma insurreição em andamento contra o Status Quo. E ela é meio organizada e meio anárquica, podendo ter forças políticas impulsionando às escondidas e patrões dando força ao locaute/greve. É sem um sindicato tradicional, uma central sindical no centro das negociações, é quase a horizontalidade do início das Jornadas de Junho de 2013 com o MPL e os gritos de sem partido. Os caminhoneiros desafiam o Neoliberalismo radical sem terem ouvido e sem saberem, a grande maioria, o que significa e o que está em andamento com Temer na presidência e Parente no comando da Petrobrás.

    Uma insurreição que canaliza problemas reais e que se materializam no bolso do trabalhador, na sua sobrevivência, na saúde deteriorada, no trabalho em dose acima do normal para a subsistência do caminhoneiro e da sua família.

    Se as esquerdas ficarem reféns das premissas e dos medos do passado podemos perder a narrativa do momento e a insurreição dos caminhoneiros para uma emissora de televisão como a TV Globo, que pode querer, impulsionar a ideia de associar uma greve a caos  e tentar reverter o apoio popular aos caminhoneiros, apoio para além do apoio da sociedade organizada, da intelectualidade, da militância política de esquerda, que observam o discurso desconectado dos insurrectos, acima e apartado do prático, que é a realidade do caminhoneiro e a realidade que a sua insurreição pode trazer ao Sistema e ao Golpe.

    Do lado do Sistema se tentará capitalizar uma ação de produção do medo na população, como disse, via associação de greve a caos e greve e caos serão colocados nos extremos: de Bolsonaro pela extrema-direita; de Lula, PT, partidos de esquerda, sindicatos, sindicalistas do lado das esquerdas e realocar as forças de “centro”, do Sistema em uma candidatura apaziguadora, que é contrária à radicalismos e tem diálogo e solução sem deixar uma greve = caos precisar acontecer para resolver os problemas do Brasil.

    Se a disputa de narrativas não vier nas ruas e junto do povo podem construir Globo & velha mídia a imagem de uma Esquerda associada à caos, onde, se quer com esta associação reavivar em votos uma Eleição que têm tudo para perderem em outubro.

    Não deixemos o antipetismo voltar novamente. Sejamos práticos. Haverá Eleição, não tem o Golpe a capacidade de adiá-la. Os golpistas não possuem moral para adiar a Eleição nem para produzir um Golpe dentro do Golpe nem estão capacitados para a operação de volta dos militares ao Poder, a conjuntura do neoliberalismo radical quer gente subordinada, Militar não recebe ordens, o Sistema precisa fluir, quer movimentar o Capital de imediato e morre de medo de repente aparecer lucidez no Governo Militar e, este, propor medidas nacionalistas e sair a defender o pré-sal e a Petrobrás para os brasileiros, medo de pôr uma organização (ordem) no Governo, nas riquezas naturais e nas empresas estatais brasileiras.

    A realidade brasileira está em uma grande divisão e grande impasse hoje, e a única forma de dissuadir a divisão é via Eleição e ela está em andamento. Os candidatos estão em campanha, sendo sabatinados, produzindo seus programas de Governo e como serão suas campanhas eleitorais na TV e no rádio estão sendo discutidas.

    Saiamos da ideia das conspirações, do medo de Golpe dentro do Golpe e vamos à Luta! Podemos vencer em outubro de 2018 a Eleição e formar um Congresso com uma base parlamentar progressista. E vamos ganhar as ruas levando conscientização ao eleitor do que acontece para ganhar no voto a retomada do Poder sem sustos, com Lava-Jato, Rede Globo e com tudo!

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