Ciro precisa esclarecer seu apoio à Lava Jato, diz Wanderley Guilherme dos Santos

Foto: Divulgação
 
Por Wanderley Guilherme dos Santos
 
No blog Segunda Opinião
 
 
Sempre que perguntado se é a favor da Lava Jato o pré-candidato Ciro Gomes responde com um peremptório “sim”. Nem a pergunta nem a resposta são sérias. Os entrevistadores cumprem um protocolo sem precisar o objeto da pergunta, mas a resposta do pré-candidato merece escrutínio. Em seus inícios, a Lava Jato indicava, para uns, sério e inédito combate à corrupção “sistêmica”; para outros, armadilha jurídica para destroçar o PT e seu líder máximo, Lula. Fosse lá o que fosse hoje não é, exclusivamente, nem uma nem outra coisa, exceto para ingênuos ou distraídos entrevistados. Ciro Gomes também não é ingênuo ou distraído.
 
Único dos candidatos a discutir claramente parte de um programa de governo, Ciro expõe de modo consistente o que considera a principal agenda dos problemas brasileiros, dá sua explicação para a origem deles e costuma descreve-los quantitativamente, quando possível, o estado em que se encontram, e as medidas que tomará como presidente. Não se encontram contradições entre as entrevistas e palestras vindas a público. O eixo das propostas é, naturalmente, a economia, mas conviria ser igualmente articulado sobre temas como saúde, educação, segurança pública, meio ambiente, ciência e tecnologia e, neste, o impacto da automação em países como o Brasil, faminto por empregos de modestos requisitos especiais. Com a franqueza que advoga e debate, seu peremptório “sim” à Lava Jato é inaceitável sem maiores explicações.
 
À parte os notórios benefícios das investigações sobre corrupção e corruptores, de há muito a Lava Jato tornou-se algo muito mais complexo do ponto de vista judicial, político e constitucional. Se a acusação de perseguição ao PT deixou de ser exclusiva, apesar dos notórios esforços de Curitiba, para assim mantê-la enquanto foi possível, decisões sobre instâncias de julgamento de políticos do PSDB não têm sido isonômicas em relação aos políticos do PT e de outros partidos. Os vazamentos seletivos durante a fase mais intensa da exposição dos então apenas alegados crimes dos políticos petistas, que desapareceram depois que as investigações incluíram outras legendas e personagens, a escuta ilegal da conversa telefônica entre Dilma e Lula e sua divulgação, a condução coercitiva de Lula, abortada em seu objetivo de transporta-lo secretamente a Curitiba, as prisões preventivas e relatos críveis de que sejam usadas como eficaz tortura, e não cabe considerar o termo excessivo, o espetáculo de péssimo gosto e educação do evangélico Deltan Dallagnol e seu powerpoint, fundado, segundo confessou, em “convicção”, são algumas das peripécias que fazem parte integral da “Lava Jato”. O pré-candidato Ciro Gomes é favorável a isto?
 
Bem entendido, cidadão de posse de todos os direitos civis e políticos assegurados por nossa Constituição, Ciro Gomes tem absoluta autonomia para decidir o que apoiar ou combater.  Mas, como pré-candidato à Presidência do Brasil, uma resposta automática ou meramente protocolar a pergunta de tantas implicações ofende a todos aqueles cidadãos de bem, intolerantes da corrupção, mas do mesmo modo intolerantes a concepções preconceituosas e corrompidas do exercício do poder, seja judiciário, econômico ou político. Há dúvidas sobre o que pensa Ciro Gomes em matéria de arbitrariedades pessoais.

9 comentários

  1. Com certeza, a Lava Jato tem

    Com certeza, a Lava Jato tem cumprido, e muito bem, o seu papel: transformou-se no maior “Tribunal de Exceção” do terceiro milênio, fruto de um enorme acordo, com o Supremo e tudo, segundo Jucá. O mundo inteiro sabe disso, inclusive o Ciro Gomes. Como ele não tem nenhum pudor de apoiá-la e ainda esperar votos dos eleitores da Esquerda? Ah!…

  2. Ciro Gomes, em absoluto, é

    Ciro Gomes, em absoluto, é uma esfinge. Nada tem de enigmático. Para entendê-lo basta ouví-lo filtrando uma retórica exuberante que, se apreendida em estado bruto, pode levar a erros de avaliação. Nessa arte, que não pode ser confundida com a oratória(esta é um sub-produto daquela), o político cearense não tem concorrentes no país. Pelo menos na Política. 

    Ao contrário do que parece, Ciro Gomes não é prolixo. Sabe sintetizar -como poucos – assuntos complexos se valendo da cultura de almanaque. Só que a impressão fixada no ouvinte é que tem pós-doutorado no tema. Em suma: é inteligente, sabe se comunicar de acordo com os cânones da retórica, domina(mesmo que superficialmente) os temas principais que envolvem as disputas políticas-eleitorais, tem experiência administrativa(descontando-se, claro, algumas bazófias, em especial as relacionadas com o exercício do Ministério da Fazendas por “longos” três meses). 

    Agora uma “qualidade” ele tem em especial: a esperteza. E é aí que reside o seu calcanhar de Aquiles. Retórica nenhuma consegue disfarçar a ambiguidade ideológica do seu discurso. Numa analogia futebolística, seria como um jogador que joga com os dois pés. Só que ao mesmo tempo. Um baita surrealismo para o futebol, mas para o ideário cirista, não. 

    Ciro é de Esquerda? Não. Não é. É de Direita? Também não é. É do Centro? Não. O que diabos é, então? Tudo isso e mais alguma coisa. O que ele é mesmo é Ciro Gomes. O primeiro e único.O incomparável. 

    Reconhece como golpe o que fizeram com a então presidente Dilma. Afirma que a condenação de Lula foi injusta chegando ao ponto de, num acesso guevariano, se dispor a sequestrá-lo para colocá-lo numa embaixada. Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás! Fora isso, cadê a contundência, por exemplo, para condenar os excessos da Lava a Jato que ele sabe que existiram e perduram ainda? 

    Não critica porque quer também os votos da Direita, dos conservadores, dos ressentidos, dos antilulistas, dos antipetistas e dos antiesquerdistas. Como se dizia antigamente: acende uma vela para Deus e outra para o Diabo.

    Ciro Gomes quer se apresentar como uma síntese da embaralhada política do país; uma espécie de ponto alfa e ômega de que fala o Apocalipse. Ao final, se não corrigir os rumos, não será nenhuma coisa nem outra. “Nem mel, nem cabaça”, como diriam nossos avós.

  3. Atirando pra todo lado
    Seu único desejo é o poder!
    De tão ambíguo vai acabar sozinho e morrendo na praia.
    Um cavalo de Tróia!
    É um “Bolsonaro com noção”

  4. Wanderley G. dos Santos tá equivocado

    Lava-Jato: entre um monte de abusos, arbitrariedades, e não estamos numa Suécia, a Lava-Jato é positiva: Nunca antes neste país foram revelados pecadores e alguns santos (mas não acredito no puro pecador, nem no puro santo, isso é coisa religiosa no sentido amplo, não necessarimente crer ou ter uma divindade ou pertencimento a alguma igreja – outro Obs: apesar de eu achar que todos temos algum misticismo, sem falar nas quase seitas dominadas por sempre os mesmos eternos pastores ou gente muito obediente, seus discípulos). Espaço à dúvida? Sacrilégio. Ao questionamento? Sacrilégio.Confortoé ficar na onda

  5. Primitivismo

    O candidato do PDT é tão desprovido de sutileza e tão convicto de que todos são idiotas que acha que não percebemos que suas declarações têm sempre o objetivo de atingir Lula, a quem devota uma inveja doentia.

  6. Impressionante como alguns

    Impressionante como alguns com poucas ou  meias palavras podem sintetizar um pensamento… o que está fazendo Lula preso em Curitiba? Sem provas materiais que o impliquem. Por que Dilma se permitiu fazer alianças que mais tarde a trairiam?

    É necessário, portanto, saber enxergar por trás das lentes e microfones aquilo que não está claro ou demonstrado… as mesmas forças que condenaram e prenderam Lula sem uma prova sequer…são as mesmas que destituíram uma presidente eleita democraticamente, com recontagem de votos e sem nenhum crime que impusesse contra ela ou seu mandato.

    Ciro é inteligente demais para se deixar levar e entrar em arapucas que sabe exatamente qual o verdadeiro objetivo sejamos inteligentes ao usar este espaço.

    O Monstro que se tornou o atual Ministério Público Federal… não será contido com um simples discurso de campanha eleitoral…o buraco a se cavar será muito mais em baixo e em instâncias superiores…ou vocês acham que qualquer outro candidato à presidente (do Executivo) hoje no Brasil, teria coragem de explicitamente se dizer contrário ou que acabaria com a lava jato…sejamos por favor menos burros!.  

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