Como? Não tem remédio para um vírus que morre com água e sabão?, por Armando Coelho Neto

A burrice é fruto de cérebros destruídos, seja pela fome, seja pela dominação.

Deutsche Welle

Como? Não tem remédio para um vírus que morre com água e sabão?

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Não adianta explicar quando o burro não quer entender. A burrice é fruto de cérebros destruídos, seja pela fome, seja pela dominação. Em outubro de 2018, publiquei neste GGN o texto “Século do Ego (I) – A TV Globo é um crime contra a humanidade” – ataque deliberado, e ou sistemático contra uma população civil.

Esse crime pode ocorrer em tempos de guerra ou de paz e tem como resultado danos à estrutura mental. É o que parece ter feito a TV Globo e não só ela contra grande parte dos brasileiros. A geração Roberto Marinho migrou para o Ratinho e aquilo deu nisso. Esvaiu-se a capacidade de pensar, sentir e se expressar por si.

Sob essa perspectiva, virou quase regra que as emissoras que não concorrem com a TV Globo a imitem; quem não imita debate e repercute sua programação – sobretudo novelas, jornalismo, e toda sua linha de besteirol que vai dos BBB e seus barracos aos caldeirões de latas velhas. Nas demais emissoras, pior ainda.

Tudo, porém, é receita testada e aprovada. O documentário “Século do Ego” (YouTube) revela como negócios e política recorrem a técnicas psicológicas para seduzir o público com produtos e ou discursos. Técnicas, aliás, inspiradas na obra de Sigmund Freud, via seu sobrinho americano Edward Bernays e sua filha Anna.

Outras análises podem ser feitas na produção de limites de pensamento, de forma que não dá sequer para criticar o povo por seus desacertos. Se ao pobre só dão dois mais dois, não há como discordar dele que a soma é mesmo quatro. E assim, Lula virou bandido e o ex-juiz mercenário teve horas de glória como herói.

Num singular recorte, os Estados Unidos, movidos a ideias do Freud surge como laboratório social, manipulando o inconsciente das pessoas. Numa eficiente experiência, mulheres foram convencidas a fumar em público (proibido, mal visto). O cigarro associado ao pênis e ao poder masculino foi desafiado pelas mulheres.

Aconteceu num evento da Páscoa. Um grupo de debutantes ricas esconderem cigarros sob as roupas. Com um sinal de Bernays, elas acenderam o cigarro teatralmente como “tochas da liberdade”. O ato saiu em toda a imprensa e a venda de cigarros estourou. Valores sociais foram trocados por consumidores.

Mais recentemente, essa massa de manipulados foi objeto da obra “Engenheiros do Caos” (Giuliano Da Empoli), com foco nas teorias conspiratórias e algoritmos utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar eleições, de modo que, no Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral acabou diplomando a fraude conhecida por Bozo.

O povo da mente corrompida foi alvo fácil para os estrategistas que levaram ao poder uma personalidade de índole assassina. É esse ser abjeto a grande referência de boa parte do povo, sobre como se portar diante de uma pandemia, na qual o “presidente” da República se encarregou de espalhar o vírus.

No embalo do Bozo, o povo não entende e minimiza a pandemia. Não entende como uns pegam Covid e outros não, uns pegam a doença e sobrevivem, crê que o vírus é chinês, rejeita vacina. Há até quem acredite que não é a Covid que vai matar, mas sim a vacina, que veio para matar velhos para não ter que pagar aposentadoria.

O povão não entende a Cracolância todo viva; por que pôde votar; não entende a Rua 25 de Março (São Paulo) e o Saara (Rio) lotados no Natal. Não entende pancadões, bailes funks, nem as aglomerações provocadas por um presidente terrorista e assassino (por omissão) e seu pouco caso quanto à vacina e a máscara.

Enquanto tripudia da pandemia, Bozo verbaliza e fatura o sentimento do povo que está de saco cheio e quer trabalhar. Flerta com comerciantes lamentando a morte de CNPJ, e vai entrando em sintonia com o povo desinformado e crente em Deus, falando verdades óbvias: todo mundo morre um dia e Deus está no comando!

O pilantra-mor do Planalto vem consolidando a normose – doença cuja principal característica é tornar o anormal em algo normal. Desse modo, 200 mil mortos não sensibiliza o coletivo. A Covid é normal, e Bozo não é coveiro mesmo (normal) e toda morte normal foi politizada e contabilizada como Covid. Há algo errado, dizem.

O povo é apenas o lado mais tosco das incompreensões que envolvem a pandemia, inclusive as que concorrem com estranhas teorias conspiratórias, que vão da inserção de chips nas pessoas e até o risco de o vacinado virar jacaré. Teorias do genocídio programado, do grande reset econômico mundial.

Fato: o vírus está aí, e é difícil explicar pandemia para o pobre, sobretudo quando, antes de mais nada, você tem o desafio de explicar para certos pobres, porque ele é pobre, mas não se vê como tal. Para esses, portanto, fica bem mais difícil explicar porque não há remédio para um vírus que pode morrer com apenas água e sabão.

É preciso rever o Século do Ego e revisitar os Engenheiros dos Caos.

Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-representante da Interpol em São Paulo.

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