Corta o corte, por Gilberto Maringoni

A ideia dos cortes pelos cortes atinge seu clímax com o miliciano Jair Messias. Outros governantes, pelo menos, diziam passar o facão aqui e ali para investir em saúde e educação.

Foto Notícias ao Minuto

Corta o corte

por Gilberto Maringoni

Nas últimas três décadas, difundiu-se um mantra perverso – quase uma ideologia – no Brasil, o mantra dos cortes.

Cortar seria uma virtude em si. Cortar orçamento, enxugar gastos, contingenciar recursos, ajustar a economia, conter dispêndios etc. são os diversos nomes de uma única e só coisa impingida por todas as mídias à população. Ao longo de um quarto de século, FHC, Lula, Dilma, Temer e agora Bolsonaro – em graus variados, é verdade – nos disseram que o país é como uma família, não pode gastar mais do que arrecada. Daí a urgência de cortes para se equilibrar a vida.

É justamente esse conjunto de meias verdades e quilos de senso comum acumulados por décadas que criam a legitimidade para a aprovação da PEC do Teto (EC 95), que congela o orçamento federal por 20 anos.

Esqueceram-se de dizer, obviamente, que uma família não emite dinheiro e nem arrecada impostos.

A ideia dos cortes pelos cortes atinge seu clímax com o miliciano Jair Messias. Outros governantes, pelo menos, diziam passar o facão aqui e ali para investir em saúde e educação. O chefe das falanges da extrema-direita, nem isso. “Vamos economizar um trilhão”, afirma o miliciano da Economia. “Vamos cortar 30% da Educação”, dispara o miliciano da Educação.

NÃO HÁ “ESTUDO” OU “PLANO” ALGUM. Tudo é decidido no olho e na mão grande. Corta-se porque cortar é bom.

Na verdade, sabe-se que a meta última é transformar o Estado numa bomba alimentadora da conta de juros, para onde correm bilhões e trilhões ceifados de serviços  essenciais que serão, ato contínuo, oferecidos para a iniciativa privada.

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As manifestações maciças desta quarta (15) formam um grito ensurdecedor contra as tesouradas e a precarização de um setor essencial, como a Educação. Diferentemente de 2013, quando a reivindicação contra o aumento dos preços dos transportes coletivos foi tragada por uma onda de repulsa à política – “sem bandeira, sem partido” – e à esquerda, as grandiosas marchas de agora têm foco definido.

Elas juntam demandas por investimentos com exigência de mais regulação, mais previsibilidade, mais oportunidades, mais estabilidade e mais serviços públicos. Mais Estado e fim da EC 95, enfim.

Há uma boa convergência que pode amalgamar as múltiplas reivindicações: é a de acabar com a falsa ideia do corte pelo corte. Ela poderia ser sintetizada em uma frase:

CORTA O CORTE!

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