Dilma contra Dilma, por Janio de Freitas

Lourdes Nassif
Redatora-chefe no GGN
[email protected]

da Folha

Dilma contra Dilma, por Janio de Freitas
 
Até poucos dias, a crise econômica era um tema, entre outros, aproveitado pela crise política para alimentar-se. Com a proposta governamental de recriação da CPMF, as duas crises se fundiram. Foi o que ficou evidenciado na reação de empresários e entidades: há pouco manifestantes de apoio a Dilma e portanto à política econômica e, de repente, indignados com o governo, logo, com Dilma. A ponto de alguns querem a saída de Joaquim Levy, seu aliado ideológico.
 
A inoportunidade política da proposta governamental, reafirmando uma falta de percepção política sem limite, deu-se na ocasião mesma em que o PSDB aturdiu-se com as manifestações empresariais em defesa de Dilma e fez, por isso, um recuo patético na sua ferocidade oposicionista. Dilma e ministros deram aos adversários um socorro masoquista.
 
Certa foi a irritação de Michel Temer com o mau passo do governo, ao qual foi dado, e atribuído ao vice, o apropriado apelido de “imposto impeachment”. Renan Calheiros, em instantes, passou de novo general do governismo para a janela de crítico. A insensibilidade do governo Dilma só tem paralelo na insensibilidade do oposicionismo de Aécio, há oito meses forçado a manipular as intensidades de um extremismo primário.
 
A proposta de recriação da CPMF (com outro nome) traz, porém, um aditivo inteligente: a arrecadação é dividida entre governo federal e Estados. Pezão e outros aderiram sem esperar por qualquer conta. Isso faz ainda mais nítido o descompasso do governo entre lucidez política e oportunidade. Se há na proposta o lado que atrai apoios importantes, é incompreensível que não fosse esse o carro-chefe de lançamento do plano, como possível fator de neutralização da pressa para recriar um imposto.

 
Nesta barafunda que é o Brasil a caminho do buraco, muda tudo de um dia para o outro, todos os dias. Não por acaso é agosto, o mês dos ventos insensatos, volúveis entre todos os quadrantes. E setembro vai chegando com ares de que pretende ser um agosto com nome de guerra: as expectativas para setembro voltaram a acinzentar-se. Se depender da percepção e da habilidade do governo, ou da inteligência política da oposição, não há dúvida do que esperar.
 
PRÊMIO DUPLO
 
Indagado sobre prisões para obter concordâncias com delação premiada, o procurador-geral Rodrigo Janot disse no Senado que 79% das delações foram obtidas com réus soltos. São portanto, em suas contas, quatro em cada cinco delatores premiados.
 
Só se a proporção se vale dos réus insignificantes, que pouco estiveram presos porque pouco ou nada tinham a dizer. Os réus graúdos, que justificam a Lava Jato, afinal cederam à delação ainda presos. E, desses graúdos, os que não cederam continuam presos e cercados da expectativa de que cedam. Fernando Soares, Pedro Corrêa e José Dirceu são alguns dos vários exemplos possíveis.
 
A propósito, o Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade que não tem importância, para recebimento do novo prêmio de liberdade por delatar, o fato de Alberto Yousseff haver feito há cerca de dez anos outra delação premiada e descumprido o compromisso de não voltar ao crime. Muito ao contrário, é o criminoso central, o craque do meio-campo, na bandalheira que utilizou a Petrobras.
 
A decisão de dez ministros do STF vale por uma recomendação aos empreiteiros agora premiados: de volta à ativa, não precisam contrariar nada, nem a alma dos seus negócios, nem a sua natureza.
 
HORRORES
 
O motivo, se houve incidente de fronteira ou não, nem importa. Colombianos expulsos da Venezuela às correrias, com seus pertences miseráveis às costas, cruzando riachos a pé, filhos pendurados no corpo, enquanto seus casebres são incendiados, são parte de um quadro de perversidade intolerável do governo venezuelano.
 
Assim como é intolerável a indiferença com que os demais países sul-americanos, sobretudo o Brasil, testemunham essa reprodução cucaracha, criada pelo destrambelhado Nicolás Maduro, do horror de expulsos e fugitivos do Oriente Médio.
 
A indiferença, no caso, é conivência.
Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

8 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Os assessores de confiança da

    Os assessores de confiança da Presidente estão sacaneandno com ela. E não é a primeira vez. Ela está sempre embarcando em canoa furaada. Alguém tem que dar um basta e mandar os traíras e bastardos e incompetentes para casa. 

    1. Martinho, se sua teoria

      Martinho, se sua teoria estiver certa, ou seja,  que os assessores de Dilma a estão sacaneando e ela sempre embarca em canoa furada, o que isso revela a respeito da nossa Presidente ? Que ela é uma ingênua, que segue cegamente o plano que  os malvados traçaram para ela ? Ou ela tem uma deficiência na inteligência que A imoede perceber o que está por trás dos planos dos malvados ? Em  qualquer uma das possibilidades, estamos  mesmo ê muito mal representados. Não pode ser umapoessoa capaz de dirigir a oitava ou nona economia mundial.

      1. É esse tipo de pensamento seu

        É esse tipo de pensamento seu que nos impede de fazer qualquer crítica à presidenta: mesmo que lha admitamos a ingenuidade ante uma situação política prá lá de controversa, e diariamente, re-alimentada, mesmo assim, isso não implica imediatamente em questionar-lhe as condições para ser presidenta da 7ª economia do mundo. Ela foi eleita, e deve governar, assim é na democracia. Pelo seu critério, quem dos eleitos cumpriria seus mandatos ? O governador de SP, que nos deixa faltar até mesmo a elemntar _ àgua ? O do Paraná, que açoita professores ? O do Rio Grande do Sul, que compromete os salários dos servidores públicos ? E, no entanto, ninguém está a lhes questionar os mandatos. 

        1. Em nenhum lugar do meu

          Em nenhum lugar do meu comentário questionei a legitimidade do posto de presidente eleita democraticamente. Isso foi você que inferiu. Questionei sim, a sua competência, que, a não ser para aqueles que querem se auto enganar, é reconhecida até mesmo  por companheiros partidários e, nesse caso concreto aqui, corroboradda pelo sábio Jànio de Freitas, acima de qualquer suspeita. Questionei, sim, e critiquei, o que é UM DIREITO MEU e obrigačão como cidadã brasileira e eleitora. Estamos, sim, pessimamente representados e somente criticando, o que faz parte da cidadania, é que podemos MUDAR ou MELHORAR alguma coisa. Agora, quem, como você, que se sente impedido de criticar devido a críticas de outrem, deve ter algum problemaa de arrogância. São cidadãos como vocė que, apesar de enxergarem erros, são incapazes de fazer uma crítica para não se sentirem diminuìdos ou humilhados e com isso emperram qualquer correção de erros ou rota. É através do debate, da participação,  da pressão popular que pode haver uma chance de a presidente corrigir erros e não afundar mais ainda o país. Pelo que parece, no seu entender, devido a pessoas que criticam o governo, você prefere se calar sem contribuir para o debate. Parabêns ! Cidadão nota 10 ! 

          P.S.: quanto aos governos estaduais citados, é dever dos paranaenses e gaúchos,cidadãos que elegeram ou não esses governantes, gritarem, protestarem e exigirem  o que a eles é de direito. MAS NÃO SE CALAR. É só através da pressão popular que é possível modificar e melhorar. Quanto aos paulistas, parece que eles continuam muito satisfeitos com seu governador.

  2. Como dizia Raul Seixas, Parem

    Como dizia Raul Seixas, Parem esse mundo que eu quero saltar. Tudo virou por demais enganador, os paradoxos se multiplicaram, não há saída possível. Tudo ficou extremamente pequeno e inoportuno, até mesmo as palavras do sábio Jânio de Freitas. Não há mais como ser justo num mundo onde não há pespectiva para nenhuma ponderação. Não há mais paciência, todos têm pressa. Para chegar aonde? Ninguém sabe.Todos têm razão, ninguém tem razão. Apenas uma aporia. Sem saída.

  3. Correção

    O articulista escreveu: ” a insensibilidade do governo Dilma só tem paralelo na insensibilidade do oposicionismo de Aécio..” Acredito que seria uma melhor expressão dizer: “na insensibilidade do oportunismo de Aécio”. Pois numa hora em que a política e a economia do País estão fragilizadas, ele levanta o seu palanque eleitoreiro.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador