E se Lula ou Dilma fossem presidentes na crise de coronavírus?
por Gustavo Conde
Se Lula ou Dilma fossem presidentes em meio a essa pandemia de coronavírus, o governo estaria neste momento cuidado de todos os brasileiros.
Teríamos um SUS forte, re-equipado. Teríamos o Mais Médicos fumegando em todos os cantos do país. Teríamos uma equipe técnica gigantesca atualizando os dados minuto a minuto, combatendo a subnotificação de casos, costurando parcerias diretas com Cuba (o mais avançado centro de pesquisas com vistas à cura da doença), dando entrevistas coletivas decentes e prestando contas diárias à população brasileira.
Se Lula ou Dilma fossem presidentes, nossa saúde mental estaria consideravelmente melhor, pois não teríamos de nos preocupar com a saúde mental do mandatário.
Se Lula e Dilma fossem presidentes, não seríamos obrigados a achar que Doria faz um bom trabalho, porque o trabalho do governo federal iria ser o habitual espetáculo de competência, inteligência e solidariedade com a população mais pobre, o que deixaria a todos nós mais tranquilos para preparar a retomada econômica do futuro próximo.
Se Lula e Dilma fossem presidentes, estaríamos otimistas, poderíamos ajudar a Itália, a Espanha e os EUA, ao invés de estarmos levando a população brasileira para a morte certa, como sói acontecer neste momento tétrico.
Teríamos em ação a melhor diplomacia do mundo, com Celso Amorim ou a escola por ele deixada, obtendo parcerias com os países asiáticos e trabalhando em harmonia com as diretrizes da ONU e da OMS.
Seríamos grandes.
Se Lula ou Dilma fossem presidentes, o Brasil faria uma imensa ‘limonada’ da crise de coronavírus, salvando a população da morte, estabelecendo uma nova concepção de Estado mais inteligente, mais eficiente, mais humano, além de embicar para consolidar a liderança global a que somos naturalmente vocacionados pelas dimensões gigantescas da nossa economia, cultura e multietnia.
Se Lula e Dilma fossem presidentes, eles estariam sendo severamente criticados pela imprensa, acusados de piorar a situação da pandemia, acusados de fazer uso político-ideológico da crise sanitária e acusados de corrupção nas tratativas internacionais para conter o coronavírus.
Mas isso é apenas o absolutamente normal para o nosso jornalismo subdesenvolvido e suicida, que ora trata Bolsonaro como um doente e não como genocida que é.
A força da palavra é realmente definidora da nossa condição de seres predadores de sentido. Vínhamos usando a palavra ‘fascista’ de maneira um tanto retórica quando, de repente, ela se tornou literal.
Vínhamos usando a palavra ‘genocida’ de maneira ilocutória e, de repente, ela se tornou tremendamente real e literal.
O Brasil caminha para um holocausto com Bolsonaro. Veremos corpos de brasileiros sendo amontoados. Corpos de nossos amigos, corpos de nossos familiares.
Bolsonaro se tornou aquilo que sempre sonhou ser: um genocida na acepção máxima da palavra.
Nós, docilmente, ainda estamos paralisados diante deste assassino. É assim, nas cadeias predatórias do mundo animal: a vítima fica hipnotizada pelo seu predador.
Perdemos o nosso tempo discutindo se o que Bolsonaro diz é crime ou não e, enquanto isso, a catástrofe só aumenta e se potencializa.
Às vezes, me pergunto: será que o brasileiro merece tudo isso? Será que esse povo pacífico, tão sofrido, realmente tem de passar por esse morticínio recoberto de ódio e mentira para aprender alguma coisa?
Eu prefiro acreditar que não. Não merecemos e não podemos aceitar tamanha catástrofe em nossas vidas.
O brasil, neste momento, carece de um discurso. Carece de um líder que organize a nossa revolta. E como diz o nosso maior líder, silenciado neste momento pelo mesmo jornalismo que reverbera a podridão vocal que emana da Besta que nos desgoverna, se não se está satisfeito com o que se tem, vá lá e faça você mesmo.
Pois é a isto que conclamo todos vocês. Basta de terceirar a culpa, basta de depositar nossas mazelas nas costas do outro, da elite assassina. Vamos arrancar à fórceps o nosso direito de governar este país novamente.
Imprensa, elite e bolsonarismo são todos vetores de ódio e, portanto, todos covardes. Nós já vencemos esses entes infames em outras oportunidades.
Não custa repetir a dose.
AMORAIZA
30 de março de 2020 2:18 pmBora bater panela pedindo a dupla dinâmica. “Volta Lula, volta Dilma” em dobradinha.
Basta um simples reconhecimento da globo.
Eraldo
12 de abril de 2020 4:54 pmAí vc acordou né. Deixa de ser pessimista. Ainda bem que nós nos livramos daquelas pragas!