4 de junho de 2026

Feia, grossa e errada, por Janio de Freitas

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da Folha

Feia, grossa e errada

Janio de Freitas

Aí estão os dias finais de uma campanha feia. Antecipada por Eduardo Campos e Aécio Neves, que em maio já tinham atitudes eleitoreiras, nos cinco meses até agora não deixou nem um só instante de brilho pessoal ou de criatividade política. Não é menos notável que, em se tratando de candidaturas à Presidência, também não aparecesse nem uma só proposta capaz de distinguir-se do que tem composto o palavrório trocado entre oposições e governos.

Em compensação, não faltou grossura. Desde sua queda na pesquisa anterior à de agora, Marina Silva consumiu muito das oportunidades de atração eleitoral com o discurso de vítima na campanha baseada em ataques. É claro que algum efeito o tiroteio político sempre produz, em quem é alvo e no atirador. Mas ninguém sai desta campanha na condição de devedor de ataques aos adversários diretos. E daí vem uma ameaça às eleições futuras.

Vê-se que o fracasso da agressividade de José Serra, na disputa com Lula, não serviu de ensinamento aos políticos que os sucedem em confrontos iguais. E com os mais afortunados marqueteiros parece ter ocorrido o mesmo, sendo que, no seu caso, também nada aprenderam com o mestre marqueteiro, Duda Mendonça, e o seu Lula cativante e proponente.

A grossura foi até institucionalizada agora, como técnica marqueteira, sob o nome enganoso e enganado de “desconstrução” do adversário. Agressão e desconstrução são coisas diferentes. Mas como ao final da batalha verbal haverá, necessariamente, vencedor que praticou a “desconstrução”, é grande o risco de que a nova “técnica” fique consagrada como chave do sucesso eleitoral.

O ataque como campanha não fará a vitória nem as derrotas nesta eleição. Explicar as suas quedas nas pesquisas pelos ataques recebidos, como fazem Marina e seus correligionários, equivale a dizer que os ataques eram fundados, porque ela decaiu, em apenas um mês, dos 50 pontos que tinha no fim de agosto para os 27 do fim de setembro.

Da mesma maneira, se “desconstruir” por ataques levasse ao êxito, Aécio Neves teria hoje outra situação. E Dilma Rousseff não poderia estar na liderança, porque durante os cinco meses foi o alvo principal de Aécio, inaugurador da campanha baseada na “desconstrução” e divulgador desse nome.

Aécio tem motivos para lamentar sua campanha. As perspectivas que o levaram à candidatura caíram com o avião de Eduardo Campos, mas as últimas pesquisas mostram que errou duplamente. Primeiro, ao relaxar por causa da entrada impetuosa de Marina na disputa e nas pesquisas. Segundo, por se limitar aos ataques. Quando viu o movimento descendente de Marina, há duas semanas, Aécio reanimou a campanha e, para isso, afinal fez um pouco mais do que atacar. A resposta veio nos dois últimos Datafolha: subida equivalente a 20% do total anterior.

A campanha de Marina não foi capaz de demonstrar ser ela o tal novo, que lhe fora atribuído pela mistura de aversão ao PT, rescaldo de votações passadas, escassa identificação de Aécio e morte de Eduardo Campos. Marina preferiu a aderir aos ataques, e leva o troféu do mais violento deles, na acusação aos governantes do PT de “nomear diretores para assaltar a Petrobras”. A expectativa do novo refluiu, à falta de sua exibição, e várias contradições tornaram Marina mais vulnerável. Na queda, à sua fixação no ataque juntou apenas a lamentação de vítima. Será pouco para explorar os próximos e últimos dias.

Dilma entrou na campanha com um patrimônio único. Se bem trabalhadas, muitas das ações do seu governo traziam um potencial grande de atração do eleitorado. Mas sua campanha pendeu, de início, para um populismo barato, levado a extremos no horário eleitoral. Depois, entrou e ficou no jogo dos ataques, escolhido pelos adversários.

Só nas duas últimas semanas Dilma adotou o papel de candidata diante dos eleitores. E recebeu, como resposta, o aumento de sua vantagem no primeiro turno e a liderança no eventual segundo, perdida por Marina. E, a depender dos próximos dias, até a hipótese de encerrar a eleição no primeiro turno.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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17 Comentários
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  1. João Maria Fernandes de Sousa

    28 de setembro de 2014 5:43 pm

    “Se bem trabalhadas, muitas

    “Se bem trabalhadas, muitas das ações do seu governo traziam um potencial grande de atração do eleitorado.”

    Janio, na fôia, dizendo que o Governo Dilma agiu em alguma coisa e que isso pode influenciar eleitores?

    Começo a crer que devem estar mesmo jogando a toalha… até devido ao final emblemático:

    “a depender dos próximos dias, até a hipótese de encerrar a eleição no primeiro turno.”

     

  2. Orlando Fogaça Filho

    28 de setembro de 2014 6:15 pm

    A Dilma provavelmente sempre

    A Dilma provavelmente sempre teve 40 % dos votos. Apenas nas pesquisas os números variaram de acordo com a vontade do PIG. A situação é a mesma de sempre. 40 por cento para Dilma, e variações entre Aécio e Marina.

     

  3. Francy Lisboa

    28 de setembro de 2014 6:38 pm

    Uma censa que não vou

    Uma censa que não vou esquecer é de estar acompnhando a apuração de 2010 na GloboNews. A certa altura do campeonato quando so numeros já indicavam a tendencia de vitoria de Dilma sobre o Serra, a Mônica Waldvogel soltou a pérola tipo o saudoso Luciano do Vale: “mas ainda tem jogo pela frente”. Eu fiquei embasbacado com a torcida ali, sem pudor algum. O único que tentava parecer sóbrio era o Paulo Resende. Foi hilário e terrivelmente desalentador ao emsmo tempo.

  4. NICKNAME

    28 de setembro de 2014 7:11 pm

    Respeitemos a exceção de Jânio na Folha

    Ele dá dica sobre a dose entre agressividade e divulgação de realizações e propostas.

    Ainda acho que os marketeiros de Dilma/PT e coligados precisam repensar para o 2º turno. O marketing de Marina é excepcional. O resultado está demonstrado na quase totalidade dos comentaristas e comentários pelo blog.

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=YlhHIfgjFVk align:left]

    1. NICKNAME

      28 de setembro de 2014 7:13 pm

      Smile

      [video:http://www.youtube.com/watch?v=UN8oLGBNXpE align:left]

      1. NICKNAME

        28 de setembro de 2014 7:28 pm

        Sorria, embora seu coração esteja doendo

        Sorria, embora seu coração esteja doendo

        Sorria, mesmo que ele esteja partido

        Quando há nuvens no céu

        Você sobreviverá

        Se você apenas sorri

        Com seu medo e tristeza

        Sorria e talvez amanhã

        Você verá o sol brilhando, para você

        Ilumine sua face com alegria

        Esconda todo rastro de tristeza

        Embora uma lágrima possa estar tão próxima

        Este é o momento que você tem que continuar tentando

        Sorria, o que adianta chorar?

        Você descobrirá que a vida ainda vale a pena

        Se você apenas sorrir

        Este é o momento que você tem que continuar tentando

        Sorria, de que adianta chorar?

        Você descobrirá que a vida ainda vale a pena

        Se você apenas sorrir

        (- Tradução site Vagalume)

  5. naldo

    28 de setembro de 2014 7:41 pm

    Acredito que apontar as

    Acredito que apontar as contradições da marina não é ataque, afinal se apresentou como o novo, mas era o velho “velho disface” de novo que muitos politicos tanto gostam de usar em eleições, até sarney já foi nova republica;

  6. jura

    28 de setembro de 2014 8:01 pm

    O marketing ocupou o lugar da política

    Fernando Meirelles X João Santana

    Postado em 27 set 2014por :  400o7tlq2zbwgq377fnv3y362

    Meirelles, Marina e o cantor Dinho

     

    O publicitário Fernando Meirelles chamou o marqueteiro João Santana de Goebbels. Ou seja: mentiroso.

    Goebbels, para quem não lembra, foi o marqueteiro e publicitário do nazismo, para quem uma mentira repetida milhares de vezes vira uma verdade.

    Eis aí uma briga interessante.

    Ela tem tudo pra revelar de uma vez por todas, para quem ainda não percebeu, o que é e para que serve o marketing político.

    Antes, porém, é preciso revelar o publicitário que se esconde por detrás do cineasta Fernando Meirelles.

    Como muitos bons cineastas brasileiros, Meirelles começou como publicitário.

    Isso é normal, todo mundo tem contas para pagar, o cinema nacional já passou por uma crise atrás da outra mas a publicidade brasileira sempre foi de vento em popa.

    E Fernando se deu bem nos dois negócios. Ele tem talento de sobra para ambos.

    Lógico que com a vida financeira encaminhada, a produtora crescendo e dando lucro, ele pode se dedicar cada vez mais ao cinema e às séries de TV.

    Atualmente ele está produzindo e dirigindo para a TV Globo a série Felizes para Sempre, que está sendo rodada em Brasília.

    É por isso que ele está apenas ajudando os marqueteiros de Marina, pois está ocupado com a série da Globo.

    Ao mesmo tempo, sua produtora de cinema, TV e publicidade O2 continua produzindo isso tudo.

    Meirelles, portanto, continua sendo publicitário mesmo sendo cineasta.

    Ora, se ele é publicitário, por que acusaria um colega marqueteiro – que é um diretor de publicitários – de mentiroso?

    Só pode ser por propaganda enganosa.

    Santana diria mentiras sobre os produtos que vende ou sobre os produtos da concorrência.

    No caso da briga deles, seria sobre as críticas de Dilma a Marina.

    As críticas da cliente dele seriam todas verdadeiras.

    Somos obrigados a acreditar também que a produtora de propagandas de Meirelles só vende produtos perfeitos.

    Nada do que produzem tem qualquer intenção de iludir o consumidor.

    Os produtos que eles vendem há duas décadas – muitos para crianças – são absolutamente confiáveis e as mensagens publicitárias gravadas por eles não devem conter qualquer dose de ficção.

    Talvez as modelos dos anúncios da O2 sequer sejam maquiadas.

    A voz das crianças não é dublada.

    Os jingles são mais sinceros e verdadeiros do que os conselhos da vovó.

    Como você – assim como lorde Wellington – não acredita em nada disso, talvez também não acredite em outras mentiras, sejam elas de qual marqueteiro ou publicitário forem.

    Ou de qual candidato forem.

    Ao reclamar da mentiras do filme da concorrência, Meirelles está querendo esconder as próprias.

    Tanto da sua candidata quanto do seu negócio.

    Na mesmo entrevista a Morris Kachani da Folha em que fala mal do seu colega marqueteiro, Meirelles fala mal dos partidos no Brasil.

    “No Brasil os partidos não significam nada”.

    Ou seja, ele está reclamando só dos produtos que os outros vendem.

    Não ele.

    Sem querer, o marqueteiro cineasta ou cineasta marqueteiro – um mistério de Tostines – comprova que um dos maiores problemas de partidos e candidatos no Brasil é exatamente o de terem se tornado produtos.

    O marketing substituiu a política.

    É por isso que ela deixou de ser atraente e o eleitor – como o consumidor – fica cada vez mais desiludido com tanta ilusão.

    Não é à toa que até intelectuais como o cineasta estejam entre eles.

    O mais inacreditável é que nem eles percebam as ilusões que criam.

    Ao invés de xingar os colegas, Fernando Meirelles deveria produzir um documentário sobre o marketing político e suas consequências.

    O DCM faria até campanha no Catarse para financiá-lo!

     

  7. luiz mattos

    28 de setembro de 2014 8:16 pm

    Ataques seriam acusar o

    Ataques seriam acusar o marido da moça de contrabandista de mogno, dizer que foi um estorvo no ministério do meio ambiente atrapalhando por anos a contrução de obras necessárias ao Pais,dizer que não gosta de partidos mas já passou por 3 e em todos levou a discórdia,não foi capaz de criar um partido e acusou o TSE,tenta dar a banqueiros o poder de decisão sobre preços,salários e juros e etc.

    Isso nunca foi ataque,são verdades.

  8. Sta. Catarina

    28 de setembro de 2014 8:26 pm

    Eleições 2014

    De fato espero que nunca mais tenhamos um período pré-eleição como o que estamos tendo em 2014. Um complô escancarado entre banqueiros, mídia e empresários (não todos, claro) para tirar do poder um governo que transformou o país para melhor. Ajustes obviamente precisam ser feitos, mas acho que estamos no caminho certo. Que neste segundo mandato, a presidente Dilma não tenha medo de enfrentar esses urubus que claramente identificamos nesta campanha.

  9. dinarte22

    28 de setembro de 2014 9:38 pm

    FHC e o destino da campanha de Aécio

    Deve estar profundamente arrependido o candidato Aécio por ter dado credibilidade aos conselhos de FHC. Este dizia ha algum tempo atras, para que Aécio não agredisse Marina, pois precisaria de seus seguidores para derrotar Dilma. Só esqueceu que o candidato do PSDB precisava ganhar de Marina para chegar lá. Agora, está um desespero, pois Aécio não conseguiu ate agora chegar nos 20% e Marina segue indo para segundo turno. Se arrependimento matasse… E quando FHC pregou abertamente o apoio a Marina, quando Aécio ainda tinha chance, então, foi de matar.

    É o mesmo que aconteceu com o país, quando acreditou em FHC e o elegeu presidente. Quase quebra o país, vendeu suas principais estatais a preço de banana, foi monitorado dia e noite pela Globo, tremia de medo quando ACM  falava, e nós, brasileiros, assisitamos o Brasil de joelhos aos USA. Errou o povo brasileiro, errou o Aécio. 

    1. Athos

      28 de setembro de 2014 10:53 pm

      As últimas notícias dão conta
      As últimas notícias dão conta que o PT se prepara para segundo turno contra Aécio.

  10. wendel

    28 de setembro de 2014 11:02 pm

    Lamentavel…………..
    É realmente lamentavel que não possamos ter uma oposição séria e comprometida com nosso País!!!
    Também, tendo como parceira esta mídia vendida e mercenária, queriam o quÊ?
    vão todos para o buraco, e se depender de mim, e as pessoas que eu puder convencer, irão ainda no primeiro turno!

  11. Fabio Passos

    28 de setembro de 2014 11:17 pm

    O grande (ir)responsável pela baixaria é o PiG!

    Que tal analisar os 12 anos de mentiras, omissões, fraudes e difamações que o PiG produziu contra Lula, Dilma e o PT?

    O PiG está mergulhado até o nariz no esgoto que produziu.

  12. Alessandre de Argolo

    29 de setembro de 2014 12:49 am

    Faltaram “gorda” e “velha”

    .

  13. altamiro souza

    29 de setembro de 2014 1:31 am

    janio pôde até

    janio pôde até profetizar:

    dilma pode vencer no primeiro turno.

  14. Orlando Soares Varêda

    29 de setembro de 2014 3:00 pm

     
    DESDE O DESCOBRIMENTO, O

     

    DESDE O DESCOBRIMENTO, O BRASIL SOFRE COM A ELITE DE M….QUE NOS COUBE

    FHC é um tremendo incompetente. Incapaz de enxergar além de dois centimentros de sua descomunal vaidade. Além da pusilânime postura de se esconder acovardado, quando as águas da enchente lhe bate na bunda.

    Mas a responsabilidade pela surra que tomam os bicudos tucanos não deve ser atribuida somente ao fraco fhc, tem que ser dividida com o arrogante e inescrupuloso político aécio. Vadio que fez carreira cavalgando o nome do avô, e com as lorotas de “choque de gestão” que inventa.

    Não fosse o jornalismo corrompido e desonesto que temos na imprensa brasileira, esses tucanos não enganariam a tantos, por tanto tempo. Quanto à Sta. Maria Osmarina, o pessoal do Acre que a conhece, que opine.

    Orlando

     

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