5 de junho de 2026

Gafisa, mais uma vítima do CEO genérico, por Luis Nassif

A crise da Gafisa é mais uma comprovação da praga que passou a dominar a gestão de grupos nacionais, um CEO sem conhecimento, de olho no caixa

A crise da Gafisa é mais uma comprovação da praga que passou a dominar a gestão dos grandes grupos nacionais, o CEO genérico, sem conhecimento maior do setor, trabalhando exclusivamente de olho no caixa.

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A empresa já enfrentava problemas com desaquecimentos do mercado. Aí a gestão foi assumida pelo coreano Um Hak You, dono da gestora GWI. Já detinha participação de 38% na Gafisa e se valeu da crise da empresa para assumir o controle e a maior parte dos integrantes do Conselho de Administração. Depois, indicou Ana Maria Recart, uma executiva de mercado, que já havia trabalhado com ele na GWI, para a presidência executiva.

Recart impôs a receita padrão que já vitimou outras grandes empresas brasileiras. Enxugou a companhia, sem ter noção sobre a operação. Cancelou lançamento, mudou a sede, passou a
atrasar pagamentos para fornecedores, criando enorme ruído.
Para melhorar o caixa, passou a exigir entradas maiores dos compradores, condições muito piores de que a de seus concorrentes.

O plano foi um desastre. O resultado foi uma queda acentuada no caixa líquido, caindo de R$ 194 milhões no terceiro trimestre para R$ 137 milhões ao final de 2018. Segundo o balancete, dos R$ 889 milhões em dívidas, 39% vencem até o final do ano.

You acabou saindo da companhia, vendendo suas ações e reduzindo sua participação a 5%. A maior acionista da empresa terminou sendo a Planner, corretora que intermediava as ações da
GWI.

A executiva genérica foi demitida e o novo conselho indicou para seu lugar Roberto Portella, que deverá conduzir o plano de reestruturação.

Veja mais dados aqui.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. alfeu

    3 de abril de 2019 2:05 pm

    Situações propícias para Tanure

    Roberto Portella já estava na lista

    https://moneytimes.com.br/gafisa-salta-com-tanure-negociando-entrada-no-capital-da-construtora/

  2. Anônimo

    3 de abril de 2019 2:27 pm

    O criador desses genéricos foi o cherra!

  3. Manuel Filho

    3 de abril de 2019 10:20 pm

    O CEO de mercado é movido apenas por uma meta, a margem EBITDA. Começa dando resultados e se a empresa não for vendida rapidamente irá quebrar fatalmente. Busca o ganho não no objeto social e sim na valorização de mercado. Poucos ganham e muitos perdem quando bancos ou fundos administram empresas operacionais.

  4. Carlos Brito

    4 de abril de 2019 2:00 pm

    Uma empresa nunca deve fugir do seu objetivo social, ou dos fatores operacionais da empresa.

    Deve prestar atenção na sua identidade e direcionar seu foco, seu objetivo, sua energia na
    sua excelência de forma a operar para ter resultados financeiros e crescimento. Obviamente, de olho na conjuntara política e econômica do momento, do mercado e do governo.

  5. Afonso

    4 de abril de 2019 2:38 pm

    Esse coreano não é o mesmo que quebrou em 2008 com um fundo alavancado até a alma?

  6. Evandro

    4 de abril de 2019 4:44 pm

    Quando me lembro da destruição promovida pela Gomes Almeida Fernandes (vamos dar nome aos bois) aí no Rio, sinto a tristeza enorme, e fico até achando bom.

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