“Kochtopus”: os tentáculos da máquina de influência política dos irmãos Koch, por César Locatelli

Uma mistura das palavras ‘Koch’ e ‘octopus’ (polvo em inglês) deu origem a Kochtopus, como referência aos vários tentáculos criados pelos irmãos Koch para moldar a política às suas ideias e aos seus interesses.

Foto O Globo

“Kochtopus”: os tentáculos da máquina de influência política dos irmãos Koch

por César Locatelli

“O Kochtopus é essa máquina de 360 graus notavelmente eficaz que afeta o debate público em torno de questões como essa [mudanças climáticas], que tem lobistas que trabalham em questões como essa e que conseguem, no final das contas, atrair os eleitores. A Americans for Prosperity … eu estive nesses eventos em que eles transportam eleitores para Washington, DC Eles dão aos eleitores brilhantes cartazes de protesto impressos. Eles lhes dão um almoço. Eles os levam para os escritórios do Congresso. E eles podem alimentar o que parece ser uma verdadeira revolta pública contra uma legislação como essa”, disse o jornalista e escritor Christopher Leonard na segunda parte da entrevista ao DemocracyNow!

Uma mistura das palavras ‘Koch’ e ‘octopus’ (polvo em inglês) deu origem a Kochtopus, como referência aos vários tentáculos criados pelos irmãos Koch para moldar a política às suas ideias e aos seus interesses.

Na cabeça do polvo, ou do Kochtopus, estavam os irmãos Charles e David Koch, antes de David falecer em agosto. Juntos eram donos de um patrimônio conjunto superior a 100 bilhões de dólares. As fontes de seus lucros eram negócios com petróleo, gás, refinação, fraturamento hidráulico (fracking), areis betuminosas, pecuária, fertilizantes, produtos florestais, especulação com commodities e derivados de petróleo.

Parte dos lucros é direcionada para fundações, como a Charles Koch Foundation e a Koch Family Foundations and Philantropy, e organizações não governamentais, como a Freedom Partners, a DonorsTrust e a Americans for Prosperity.

A DonorsTrust se define como “uma comunidade de doadores dedicados a criar um futuro melhor. Nossos doadores apoiam instituições de caridade que acreditam proteger a liberdade constitucional de nossa nação e fortalecer a sociedade civil por meio de instituições privadas, e não com programas do governo.”

O caráter contra a interferência do governo e favorável a ampla liberdade de empreender é bem evidente logo na apresentação no site do fundo, do mesmo modo que sua relevância em termos de volume de recursos: “Desde o início, a DonorsTrust concedeu mais de US $ 1,1 bilhão a mais de 1.900 instituições de caridade que protegem nossas liberdades constitucionais e fortalecem a sociedade civil sem financiamento do governo”.

Sobre a Americans for Prosperity, Leonard salienta: “Koch controla um exército de ativistas de base, na forma da Americans for Prosperity, uma rede de funcionários e voluntários que batem à porta, participam de comícios para protestar contra a legislação sobre mudanças climáticas e visitam os escritórios de qualquer legislador que pareça cruzar os interesses Koch Indústrias sobre o assunto”.

A Americans for Prosperity se apresenta assim: “Nós recrutamos e unimos cidadãos em 35 estados para fazer avançar políticas que ajudarão as pessoas a melhorarem suas vidas. Através de largo alcance de base, encaminhamos soluções de longo prazo para os maiores problemas do país. Há mais de 3.200.000 de nós, e somos ativos em sua vizinhança”.

Os tentáculos do Kochtopus tem largo espectro de atuação: manipuladores da mídia, think tanks, movimentos de base falsos, lobistas e contadores, congressistas colaboradores, colaboradores nas cortes de justiça, agentes na academia, polícia e militares para conter manifestações civis, entre outras entidades. Clique para visualizar o Kochtopus que mapeia a influência do dinheiro dos Koch.

Nesta segunda parte da entrevista de Christopher Leonard, que publicou recentemente um importante livro examinando os negócios dos irmãos Koch, que é intitulado “Kochland: a história secreta das indústrias Koch e do poder corporativo na América”, fala sobre o Kochtopus, o método de fazer com que seus interesses tivessem a aparência de causas populares, sobre a investigação do Senado dos EUA, que descobriu uma subnotificação sistemática na quantidade de petróleo extraído de terras indígenas pelas Koch Industries e sobre a divergência dos Koch com Donald Trump.

Esta é a segunda parte da entrevista: http://bit.ly/2k65Zrg

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