Meninos são azul, meninas são rosa nos quadrinhos, ou não… por Rogério Faria

A série em quadrinhos Bendita Cura, de Mário César, aborda a homofobia, a “cura gay”, e as consequências na formação do indivíduo.

Meninos são azul, meninas são rosa nos quadrinhos, ou não…

por Rogério Faria

A série em quadrinhos Bendita Cura, de Mário César, aborda a homofobia, a “cura gay”, e as consequências na formação do indivíduo. Já são dois volumes lançados e o terceiro, e último da saga, encontra-se em financiamento coletivo no Catarse. Inclusive, a obra já foi indicada ao prêmio Jabuti na categoria quadrinhos.

As HQs contam a história de Acácio, um garoto homessexual condicionado pela família e sociedade a se ver como um erro. Nos volumes 1 e 2, acompanhamos sua vida desde a infância, em 1965, até sua formatura na faculdade.

Ainda pequeno, seus pais, embora amorosos, mas carregando preconceitos sociais e familiares, o submetem a cruéis terapias de “reversão de distúrbio de gênero”, ou a famigerada cura gay. Isso cria no garoto uma confusão e aversão à sua própria condição como ser humano.

O roteiro aborda como as questões de identidade de gênero vêm sendo tratadas na história recente no Brasil, debruçando-se sobre a homofobia como política de estado, de dogma religioso, de formação (deformação) da família, de constituição do indivíduo. Isso sem deixar de assumir um tom intimista, acompanhando o drama de Acácio do seu ponto de vista.

E é interessante como o autor, junto ao preto, faz uso de apenas mais outras duas cores para revelar, às vezes sutilmente, a luta interna de Acácio. Meninos são azuis e meninas são rosas, mas essas cores oscilam no protagonista, ora prevalecendo uma, ora outra. É como se ele tivesse que vomitar todo aquele rosa pra fora para ser um “menino normal”.

Agora, Mário César está com campanha de financiamento no Catarse para publicação do terceiro e último volume da série. É o fim da jornada de Acácio, narrando sua vida adulta, o preconceito, e seu dilema em ser quem realmente é. Para apoiar clique aqui. Lá ainda dá para adquirir as edições anteriores.

A série Bendita Cura conta uma história com muita sensibilidade, de torturas físicas e psicológicas, que surpreendem por serem tão recentes na história. Mas que não ficaram guardadas lá atrás, ainda podem estar tão próximas como dentro de casa, na sala de aula, no escritório, e as vítimas e os algozes podemos ser nós mesmos. Como diz Mário César, a verdadeira doença é o preconceito, e tem cura.

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