Mercosul, União Europeia e a armadilha Trump, por Andre Motta Araujo

A diplomacia brasileira hoje é a mais confusa do planeta, pretende operar com uma agenda ideológica completamente fora da realidade geopolítica.

Reprodução Youtube

Mercosul, União Europeia e a armadilha Trump

por Andre Motta Araujo

No domingo 8/9, o excelente programa ANDRES OPPENHEIMER, no canal CNN de Miami, entrevistou por quase uma hora o Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araujo. Oppenheimer é um jornalista de expressão internacional, Prêmio Pulitzer, tem uma coluna no jornal MIAMI HERALD, um dos principais dos EUA e é altamente especializado em política latino-americana. A entrevista foi emblemática e teve pontos inacreditáveis.

MERCOSUL

Perguntado como ficaria o MERCOSUL se fosse eleito o candidato peronista Alberto Fernandez, o Chanceler deu muitas voltas confundindo o entrevistador e, do papo confuso, se concluiu que o Governo Bolsonaro pode não aceitar o resultado porque é um governo “democrático” e só se parceriza com governos democráticos, sendo o candidato ALBERTO FERNANDEZ ligado ao Foro de São Paulo e, portanto, companheiro da eleição de Chavez. Oppenheimer concluiu então que o Brasil sairá do MERCOSUL se o candidato do Foro de São Paulo for eleito na Argentina, porque não será um governo “democrático”.

A entrevista toda teve um ar de surreal, se salvou o bom espanhol do Chanceler. Oppenheimer parecia não acreditar no que ouvia, tal o nível de absurdos.

UNIÃO EUROPEIA

Mais confusão ainda, o Chanceler celebrou o pré-acordo comercial com a União Europeia, mas o Acordo é com o MERCOSUL, disse Oppenheimer e não só com o Brasil. E se o Brasil sair do MERCOSUL como fica o Acordo com a União Europeia? Mais confusão ainda, nem Oppenheimer e nem ninguém entendeu como fica e nem Araujo conseguiu explicar. Parecia que ele veio para confundir e não para explicar, uma diplomacia de hospício.

ACORDO COMERCIAL COM OS ESTADOS UNIDOS

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O Chanceler colocou todas as fichas em um Acordo Comercial com os Estados Unidos, segundo ele só possível pelas relações especiais que os Bolsonaro têm com Trump. Mas aí também há complicações, segundo Oppenheimer, o Brasil NÃO PODE celebrar sozinho acordos comerciais, só junto com o MERCOSUL. Araujo não soube explicar como o Brasil faria um acordo isolado com os EUA. Também há outro problema, o Acordo Americano entra em choque com o Acordo já contratado com a União Europeia, como fica?  Ninguém entendeu nada, nem Oppenheimer, nem os espectadores e nem o Chanceler, que dava voltas em torno dos temas sem chegar a uma conclusão lógica, a cada avanço da entrevista a espantosa confusão de ideias só aumentava.

FIM DO PROGRAMA

Oppenheimer trouxe dois especialistas para analisar a entrevista, cuja abertura foi sobre a crise ambiental na Amazônia, que o Chanceler negou que exista.

Na conclusão Oppenheimer disse o óbvio: só um tolo ou cego confia em Trump, um Acordo Comercial é muito trabalhoso, demorado e Trump não entrega o que promete em 95% dos casos. Um Acordo não é só Trump, envolve o Departamento de Estado, o Departamento do Comércio, o Congresso, burocracias que têm seu próprio calendário e compromissos, Trump não manda fazer e acontecer na maioria dos temas complexos.

CONCLUSÃO

A diplomacia brasileira hoje é a mais confusa do planeta, pretende operar com uma agenda ideológica completamente fora da realidade geopolítica. A Argentina é o terceiro comprador de produtos brasileiros e o segundo em produtos manufaturados, os EUA não tem muito mais o que comprar do Brasil. Ao contrário, os EUA são concorrentes maiores do Brasil em exportação agrícola. Um Acordo com a União Europeia tem mais lógica para o Brasil do que um Acordo com os EUA, que só fariam um Acordo com o Brasil, se puderem exportar muito mais para o Brasil, como por exemplo etanol de milho, altamente subsidiado. Não se vê vantagem alguma para o Brasil em um Acordo com os EUA, as economias hoje são mais concorrentes do que complementares e o Brasil há 8 anos tem mega déficits na balança comercial com os EUA, compra 4 vezes mais do que vende.

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Nesse contexto o Brasil ameaça romper com um grande cliente comprador, a Argentina, perder um grande mercado potencial, a União Europeia, e se submeter a um País que pouco pode oferecer ao Brasil e que nem sequer está propondo Acordo, é o Brasil quem está se oferecendo.

Tudo isso tendo como pano de fundo uma eleição no ano que vem nos EUA, que Trump pode perder. Se os Democratas ganharem o governo, Bolsonaro será visto como pária. As apostas da política externa brasileira são de altíssimo risco e resultados potencialmente negativos, o Brasil perdendo um capital diplomático acumulado desde o fim da Segunda Guerra, com uma diplomacia até então considerada uma das melhores do mundo. Em 1945, o Brasil foi um dos oito países Aliados vencedores e a segunda assinatura na ata de fundação da ONU, após os EUA, tendo até hoje o privilégio de abrir a Assembleia Geral da ONU.

Mais ainda, o Brasil é o principal país executor de Missões de Paz da ONU, chegando a ter NOVE Missões simultâneas e o comando da maior Missão de Paz na história da ONU, a da República Democrática do Congo, 27.000 homens, comandada pelo General Santos Cruz, de altíssima reputação internacional.

Hoje o Brasil está arriscado de ser suspenso da ONU porque não está pagando as contribuições devidas e pela atitude anti-ONU do atual Governo, que considera a ONU um antro de comunistas.

AMA

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4 comentários

  1. E com todo esse “rolo”, o que Bolsonaro vai fazer na ONU? Até o Santos Cruz, único militar brasileiro a ter estado em um real campo de batalha, até ele, Santos Cruz, foi demitido por uma bobagem. Seria interessante saber o que ele, Bolsonaro vai falar a todos aqueles “comunistas”. – “Vou matar todos vocês?”

  2. “Se os Democratas ganharem o governo, Bolsonaro será visto como pária.”

    Não é verdade. Os ataques dos EUA contra nosso país são política de estado dos EUA, sejam esses ataques desferidos em forma de pretensa ajuda, sabotagem direta ou ainda do aliciamento e corrupção de funcionários públicos locais, claro, com o apoio do vulgo pária e traidor, que não é “americano” mas também não é patriota em seu próprio país, Brasil.

    A plutocracia dos EUA pode colocar na presidência daquele país alguém mais ou menos tragável quanto a aparência, modos e decoro, mas o golpe contra nós será sempre o mesmo. Cabe a nós pararmos de nos iludir e enxergarmos o EUA e seus agentes infiltrados no nosso, brasileiros ou estrangeiros, país como inimigos que realmente têm sido para minarmos tanto quanto possível os ataques e sabotagens contra nós.

    Não é muito produtivo o uso do futuro do pretérito, apenas mas como ilustração… o que teríamos e seríamos se ao longo dos últimos 100 anos os EUA não tivessem encontrado aqui quem os quisesse defendê-los? Quantas vezes empresários brasileiros tentaram estabelecer indústria nacional, por exemplo, desde GV ou JK? E quantas vezes fomos sabotados ou por USAIDs, IPES, IBADs ou por explosões mesmo, como a da plataforma de petróleo P36 ou a Base de Alcântara? Pelo financiamento a ditadores locais, exatamente o que estamos vendo com Moro, Bolsonaro e Dallagnol, para ficar só nos célebres?

    Não, caro André, seja quem for que ocupar a adeira de presidente dos EUA, enquanto não largarmos de pagarmos pau aos EUA continuarem colônia submissa. Depende de nós, nossa soberania, altivez e prosperidade, não dos nossos inimigos. Estes sempre tentarão disfarçar seus ímpetos imperialistas e repressores através do marketing que os vende como se não fossem inimigos.

  3. Estes imbecis irão aprender da pior maneira que, como o ditado diz: “pardal que acompanha joão-de-barro vira ajudante de pedreiro”
    (com respeito aos profissionais. Ao pedreiro e ao ajudante, claro).

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