4 de junho de 2026

Modo programador, por Gustavo Gollo

Boa parte da ciência consiste em compreender o funcionamento de fenômenos que vemos ocorrer; vemos algo e perguntamos: o que está acontecendo ali? Como aquilo pode acontecer? Nossa ciência tem se desenvolvido em busca de respostas para perguntas assim.

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por Gustavo Gollo

Recentemente, os computadores trouxeram um novo tipo de compreensão do mundo; ao ver algo interessante acontecendo, podemos perguntar: como eu programo algo análogo àquilo? Se eu conseguir fazer um programa que simule precisamente tudo o que seja relevante no fenômeno em questão, ficarei convicto de que compreendo bem o fenômeno. Eventualmente, a satisfação da exigência popperiana de descobrir algo novo, não conhecido antes, a partir da simulação, sugere fortemente que o programador realmente captou algo sobre o funcionamento do mundo.

Computadores são máquinas universais, podem ser programadas para simular qualquer parte de nosso mundo, e o farão. Em poucos anos, esse modo claro de compreensão do mundo se disseminará imensamente e inundará todas as áreas do conhecimento incluindo – ou, talvez, partindo de – as ciências humanas. Conheceremos a humanidade, por exemplo, através de simulações.

O desconhecimento de programação alijará as pessoas dessa possibilidade de compreensão que, aliás, proporcionará o vocabulário para descrição do mundo, assim como seu modo de funcionamento.

Crianças devem aprender a programar computadores. Todos devem a aprender a ler e a programar, exigências universais que se tornarão cada vez mais necessárias.

 

 

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4 Comentários
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  1. Ciro Medeiros

    10 de janeiro de 2017 10:53 am

    O xadrez e o funcionalismo

    Pergunte a um mestre em xadrez se os computadores que vencem humanos em partidas são uma simulação de como humanos pensam sua estratégia. 

     

    1. Ivan de Union

      10 de janeiro de 2017 11:48 am

      Nao, sao algoritmos, nao tem

      Nao, sao algoritmos, nao tem a ver com simulacao de pensamento exceto se voce considerar uma cabrioleh como um antepassado de uma nave espacial -e pode se fazer o argumento -ja que ambos sao transporte- mas nao convincentemente.

  2. aqua

    10 de janeiro de 2017 11:26 am

    dois poréns

    Acho q o conhecimento por modelização vai se somar a diversos outros, mais que se sobrepor, alguns inclusive oriundos da informática. E, mais importante, pensando na própria história da programação, me parece que ela tende a ser cada vez mais intuitiva. De tal modo, que me parece que o ato de “programar” vai ser cada vez menos hermético, demandaria cada vez menos treinamento (A ponto de se poder pensar, no limite, em algo como dar instruções verbais a um sistema, como “localize padrões nesses dados” ou “modelize esse comportamento já registrado”). Então não sei caberia falar de uma espécie de alfabetização nesse sentido. Acho que o interesse de ensinar programação mais “clássica” na escola tem a ver com o desenvolvimento de aspectos  como habilidades lógicas. E treinar habilidades úteis no médio prazo, para lidar com a computação atual.

  3. Ivan de Union

    10 de janeiro de 2017 11:42 am

    Esquece, Gollo. Houve uma

    Esquece, Gollo. Houve uma geracao inteira de programadores no mundo inteiro no comeco dos anos 80.  Ela foi intencionalmente assassinada pela Apple, que comecou a vender computadores sem linguas nativas, e o resto da industria seguiu a dica.  Hoje eu tenho um tab, um iPad, um notebookinho, e um Mac de 10 anos com…  com zero linguas.  Tenho maquinas que me computam mas nao computam absolutamente nada pra mim.  E nas escolas a coisa nao esta longe disso tampouco.  Nao ha lingua de programacao sendo ensinada em escola hoje, nenhuma.

    Note se que eu ja inventei algumas instrucoes a nivel de lingua de maquina, elas estao implicitas no codigo SE, eh impossivel nao as ver -pra comeco de conversa, o unico bit test do mundo que indica nao-primalidade e que nao depende do least significant bit eh o codigo SE, entao tou falando serio.  So que -poderosas como sao- ninguem as implementou a nivel de CPU.

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