Não basta tirar a caneta de Bolsonaro: tem que tirar o megafone da Presidência

A cada dia que passa, a manutenção de Bolsonaro no poder significa milhares de vidas a menos

A pax brasiliensis proposta pelos militares da reserva para isolar Bolsonaro consiste em dois pontos:

1.     Blinda-se a República contra atos formais de Bolsonaro. Ele não consegue demitir o Ministro da Saúde, não consegue assinar medidas provisórias contra o isolamento social. Dessa blindagem participam o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional.

2.     Mas permite-se que ele se manifeste, usando o megafone da voz do Presidente.

E como Bolsonaro tem se valido disso?

Na Paulista, celulares captaram contato direto de Bolsonaro com manifestantes anti-quarentena através do Facetime. Em Goiânia, ele ostensivamente tirou a máscara de proteção e se confraternizou com populares. E, ao governador Ronaldo Caiado, sintetizou sua loucura maior: todo mundo tem que ser infectado para acabar com o coronavirus.

 

A fala do presidente têm sido o maior fator de resistência nacional contra a quarentena proposta pelos governadores e prefeitos. Os alertas já foram dados pelo prefeito de Manaus Arthur Virgilio, pelos governadores do Piauí, Wellington Dias, e do Maranhão, Flávio Dino. Foi a pregação de Bolsonaro que convenceu o mais estúpido dos governadores – o inacreditável Romeu Zema, de Minas Gerais – a propor o relaxamento da quarentena, enquanto a contaminação cresce exponencialmente, enfraquecendo a posição racional da maioria dos governadores.

Esse movimento de Bolsonaro tem produzido manifestações contra governadores que, até outro dia, surfavam nas ondas da irracionalidade e da política de ódio, com João Doria Jr e Wilson Witzel, responsável pela política de segurança genocida no Rio de Janeiro.

Facebook, Instagram e Twitter interditaram parte das falas de Bolsonaro: a República permite que ele continue conclamando o país ao genocídio. O representante comercial da família, Flávio Bolsonaro, anuncia a criação de um aplicativo próprio, para conferir autonomia de comunicação à tropa bolsonariana.

Não apenas isso. O discurso presidencial, propondo a massificação da cloroquina, a recessão brava que vem pela frente, o desemprego e o fechamento de pequenas e microempresas, em função da incompetência do governo em fazer renda e crédito chegar na ponta, tudo isso criará, mais à frente, um clima propício para uma radicalização ainda maior.

Hoje, a ombudsman da Folha criticou o espaço que se dá às loucuras de Bolsonaro. Ou seja, a crítica às loucuras promove as loucuras. Por que tudo isso? Porque vêm de um Presidente da República. Sem o cargo, Bolsonaro seria inofensivo.

A cada dia que passa, a manutenção de Bolsonaro no poder significa milhares de vidas a menos.

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora