Economistas discutem modelos econômicos, ajustes e sacrifícios de forma total e se esquecem das mazelas do povo – Fernanda Castro/ GEPR
na Carta Capital
Gente é para brilhar e não morrer de fome
Não sei se idade, profissão, rodas que frequento, ou simples falta de sorte, me fazem amiúde estar em meio a tais polêmicas. Não deve ser diferente com vocês no trabalho, redes sociais, blogosfera e vacas sagradas das folhas e telas cotidianas.
Duvido que alguma conversa comece por “você não imagina a pobreza que vi na região de Jaupaci”. Antes de explicar onde fica Jaupaci, que nada importa, ouviremos: “claro, o mainstream ainda não chegou até lá”.
Vêm, então, lições de como acertar o País. Modelo, setores público e privado, tripé,ajuste fiscal. Para isso nos escolarizamos, treinamos com o afinco exigido por um Dunga, e adquirimos o direito de esquecer os de baixo. As soluções sempre vêm de cima.
E assim seguimos terçando armas sobre PIB potencial, taxa neutra de juros, câmbio fixo ou flutuante, produtividade do trabalho, carga tributária, produção primária e valor adicionado, taxas de arbitragem, enfim, sempre de forma totalizante, ignorando se isso irá melhorar ou ferrar a gente trabalhadora. Que não se ofenda a senhora comentarista que passou no vestibular da renda.
Senhores sombrios vivem a discutir o melhor remédio para o Brasil. Nacional-desenvolvimentismo, neoclassicismo ou neoliberalismo leve e solto. Os poucos caminhos deixados às nações no sistema capitalista, que outro não há, e sempre selvagem que, deixem de besteira, em outro estágio nunca estará.
Nação de pouco mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de terras e rios inanimados, corporificados em único “gigante pela própria natureza”, a quem devemos dar de mamar apenas legislações inócuas e planilhas econométricas, até fazê-lo rico para, futuramente, tratar bem os serezinhos humanos que nele teimam em circular.
Repito, há décadas, me esfolam com receitas de como conduzir os destinos do País. Se despovoado de pobres. Ouço muito mais do que falo, embora péssimo aprendiz.
Como a todos isso parece impossível, se metes lá uma cunha sobre o modelo econômico e sugeres distribuição melhor de renda, logo ouves: preguiça, Nordeste, mal gosto cultural, acomodação trabalhista, perfil dos portugueses que aqui vieram colonizar, corrupção (sempre alheia), Constituição de 1988, impunidade, tetas do Estado no Bolsa Família.
Se o indivíduo que levou a cunha tiver acesso à Globo News e, portanto, se achar melhor que a escumalha, dirá que o Brasil só sairá dessa pela educação. Não terá lido uma estatística evolutiva ou histórica, mas citará América do Norte, Europa, Tigres Asiáticos e Gueixas Tigresas.
Fica provado: um país de deseducados só pode se ferrar. Não sabe fazer “lição de casa”. Tudo o que ganharam de maneira atabalhoada, agora, irão devolver: consumo das famílias, dinheiro na poupança, emprego com carteira assinada, inflação sem crescimento de renda.
Pelo menos até 2018, quando teremos novas eleições. Pouco importa se assim é desde o século XVI, meus senhores. Faltam apenas pouco mais de três anos para o nosso chá das cinco horas. Acompanham-no biscoitinhos econométricos.
Andanças Capitais
“Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. Quando Caetano escreveu essa canção, em 1977, estava na fase mais “Odara” de sua produção artística. Ainda assim, qualquer partido político no Brasil, de esquerda ou não, a adotaria sem perceber que ela foge de qualquer chavão político.
Brilhar é mais do que comer, embora aqui nem mesmo isso.
A Comunidade Santa Bárbara, no Paraná, fica na BR-277, entre os municípios de Cascavel, de potente economia, e Catanduvas, de potente penitenciária.
Lá chegamos em Andanças Capitais para uma reunião com agricultores, propriedades médias de 90 hectares, a grande maioria plantada com grãos. Leve conversa (sem o detestável Power-Point) de como podem lucrar mais nos 90 hectares em média que plantam em família.
Conhecendo-os, em seu centro comunitário, os leitores poderão achá-los pobres, sem brilharecos do bobo consumo, porém, certamente sem fome. Pãezinhos, salada de tomate e cebola em vinagre de vinho, e excelente churrasco de bisteca. O frio intenso e a gripe não me afastaram do chope.
Bom público. Uma concordância atestada pelo que faz Filó, a cachorrinha da minha família. Um dos presentes mostrou, sob o chinelo, machucado no pé, curado somente depois que deixou uma de suas ovelhas lamber por longo tempo suas feridas. Um chiste. Outro colono, matreiro, ao ouvir de uma camponesa sobre um fiscal que insistia que ela precisava fazer o CAR (Cadastro Ambiental Rural) da propriedade dela, e ela retrucava que ainda tinha prazo, aconselhou: “Ué dona Jussara, faça como o Levy, ajuste o fiscal”!
Orlando Soares Varêda
16 de maio de 2015 1:29 pmRealmente…eh….já passou
Realmente…eh….já passou um pedaço de tempo, …e, não sei o que dizer…
Orlando
maria rodrigues
16 de maio de 2015 2:00 pmSempre que se verificia muita
Sempre que se verificia muita pobreza, ou ainda miséria em algumas cidades brasileiras, o ônus só recai sobre o Governo Federal. No entanto, se existisse investigação séria nas diversas prefeituras do País, chegaríamos à conclusão que grande parte dos prefeitos, que são muitos, mesmo recebendo verbas astronômicas do Governo, não cumpre com suas obrigações, e só de vez em quando a Globo e outras televisões denunciam a série de malvadezas que fazem esses prefeitos, sentados em suas cadeiras, ou nem isso.
Semana passada foi noticiado que no governo de Richa uma escola não tinha nada para manter os alunos nas escolas. Nem merenda, nem uniforme. Aí, se saímos de um estado tão rico para o Maranhão e Piauí, ou cidades do Norte, surgem problemas de condução também, às vezes indicando que as crianças para chegarem às salas de aulas tem que acordar de madrugada, e serem acompanhadas, a pé pelas mães, para outra escola sem o mínimo de infraestrutura.
É prefeito empregando familiares; negociando por superfaturamento as compras do município; e tem até filha de prefeito interrogada por um repórter por que ela recebe bosa família, se está morando naquela casa boa, com carro na garagem, entre outras. E tem muita mulher chorando a miséria por nunca conseguir bolsa família, mesmo sendo mãe de muitos filhos, quando outras menos precisadas recebem. Eu mesma tive uma diarista que recebe bolsa-família sem necessidade. Ela mora com marido e filho, ambos trabalhaores da construção civil, tem casa própria, e ela mesma tem salário como diarista em vários domicílios.
Os programas estão aí, vieram pra ficar e atender pessoas necessitadas, mas está sempre no foco de coisa mal-feita, porque não tem a devida fiscalização.
Dilma andou pelo Nordeste há dois anos distribuindo sisternas, tratores, e mais uns instrumentos para o trabalhador rural. Foi muito bem-recebida por onde andou, e cumpriu bem essa missão. De vez em quando vejo pessoas elogiando essas ações. Mas a pergunta que a gente faz sempre é por que esses governadores estaduais, e esses prefeitos, ao longo de décadas não tomam iniciativas em prol desse povo, que hoje, em pesem os problemas existentes, realmente não convivem mais com aquela fome extrema dos miseráveis pelos outros programas que de certa forma atendem parte insignificante de suas necessidaes.
Por fim, sem sobra de dúvidas, se fossem feitas investigações sérias pelo MP da farra de governadores e prefeitos, com certeza, a maioria estaria impedida de exercer o mandato. O que se assistie, por exemplo, no estado do Maranhão é coisa de arrepiar, sendo que os governantes, há tantas décadas no poder, pouco se lixaram para os mais carentes. Nenhum programa do Governo Federal ainda foi capaz de dar uma visão melhor daquele povo que vive nos arredores do estado, onde se verifica toda sorte de miséria. Esta é motivo de falta de higiene, de falta de educação, e falta de senso crítico, daí que esse povo continua sendo massa de manobra para votar naqueles que nunca lhe deu atenção.
Flaviano
16 de maio de 2015 3:49 pmEsse povo é você, dona maria.
Esse povo é você, dona maria. Daí eu me pergunto, “em que pese” o incômodo, por que não denunciou a diarista que recebe bolsa-família sem necessidade, em favor da mulher chorando a miséria? Vamos esperar o prefeito..
JB Costa
16 de maio de 2015 4:11 pmPobreza com sua miríade de
Pobreza com sua miríade de variáveis, a exemplo da fome, o analfabetismo e a carência educacional, doenças, e tudo o mais, pouco desperta interesse nas ditas Ciências Econômicas, Passado uma vista sobre os laureados pelo Prêmio em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel a partir de 1969, data da sua criação pelo Banco Central da Suécia apenas um, repito UM, o indiano Amartya Sen, estudou o tema.
Quem se debruça hoje sobre a tragédia africana onde milhões morrem por miséria e milhares se afogam nos mares quando só o que lhes resta é a emigração?
Como se explica esse desdém para um fenômeno que deveria receber a atenção máxima de um auto proclamada “ciência”? Seria como uma química olvidando uma Tabela Periódica ou uma Física desconhecendo as quatro forças básicas da Natureza.
Uma das teses mais abjetas das tantas emanadas por economistas e políticos é que primeiro se faz necessário o bolo crescer para só depois reparti-lo. Quantos trilhões de dólares a América Latina, a África, parte da Ásia forneceram em termos de matérias-primas e mão-de-obra escrava e semi-escrava para os hoje países ricos? Quantos trilhões de dólares os países ricos surrupiaram dos sub-desenvolvidos em razão da deterioração dos termos de troca?
Muito fácil falar sobre mérito, trabalho, disciplina e superioridade racial ou do que for sentado em cima de uma prosperidade em cuja base está o roubo, a expropriação e a exploração.
Hcc
16 de maio de 2015 6:19 pmCrise modelo pig
O nassif, logo o nassif, apontou ontem um dos fatores da tremenda crise que passamos: “as pedaladas da Dilma deixaram sem referências os agentes financeiros”. Pronto, eu não paro mais de chorar depois desta triste notícia. Coitados doa agentes financeiros sem referencias. É o fim do mundo. desastre total. Vou me mudar para o burundi. Tchau!
Rui Daher
16 de maio de 2015 7:58 pmÉ isso, meu caro,
antes de você se mandar, sugiro pedir que a ovelha citada pelo colono da Comunidade Santa Bárbara, lamba as dolorosas feridas dos “desorientados agentes financeiros”.