O agravamento da crise e Lula como saída, por Aldo Fornazieri

Foto Ricardo Stuckert

O agravamento da crise e Lula como saída

por Aldo Fornazieri

Duas pesquisas publicadas nos últimos dias confirmaram a tese que defendemos no artigo publicado na semana passada: a de que houve um efeito saturação com as denuncias e ataques a Lula. A pesquisa CNT mostra que Lula venceria as eleições de 2018 em todos os cenários. E a pesquisa Ipsos mostra que a rejeição de Lula cai e que aumenta a rejeição do juiz Moro, de Dória, Bolsonaro e vários outros políticos. A falta de materialidade de provas contra Lula reforça a ideia de que ele é alvo de um ataque persecutório por parte de Moro. Dória vem se evaporando no ar por diversos motivos. Já, Bolsonaro, começa a assustar os eleitores na medida em que, de sua boca, saem investidas de cavalaria.

A crise política e institucional, contudo, parece não ter chegado ao apogeu e a complexidade e incertezas que ela suscita tendem a aumentar. O fato é que o golpe desorganizou o funcionamento institucional e já não há governo, não há Congresso e não há Judiciário funcionando nos parâmetros da normalidade democrática e institucional. Nem o Judiciário e nem o Congresso mostram-se capazes de solucionar a crise. A questão central é essa: há um governo ilegítimo, sem nenhum apoio social, cujo presidente da República é chefe de uma organização criminosa, nas conclusões da Procuradoria Geral da República. O presidente e as instituições estão desmoralizados e sem legitimidade.

O povo brasileiro está posto de joelhos em face da incapacidade da oposição de produzir um movimento de massas para tirar o presidente. O presidente, por força da Constituição, é comandante-em-chefe das Forças Armadas. Não é normal que as Forças Armadas de um país, com os seus padrões de disciplina, hierarquia, ordem, sensos de honra e moralidade, sejam comandadas por um chefe que, ao mesmo tempo, é chefe de uma organização criminosa, conforme conclusão de investigações. É neste contexto que deve ser compreendido o pronunciamento de militares, agora da ativa.

O pronunciamento dos militares faz crescer o impasse da crise. Se, por um lado, é correto que eles não podem aceitar como comandante alguém que chefia uma organização criminosa, por outro, há um claro limite constitucional para a sua ação política. Eles não podem agir como poder interventor acima da Constituição. Mas ao mesmo tempo, o Judiciário e o Congresso mostram-se incapazes de solucionar a crise, ao menos parcialmente, com a remoção do presidente ilegítimo.

Ao impasse militar e ao impasse do Congresso e do Judiciário, soma-se um terceiro impasse: A investida de vários setores na sanha quase cruenta para impedir a candidatura de Lula à presidência. Esses setores são legionários do caos, estimuladores da desobediência civil, engendradores de rebeliões. Se o Brasil, a República, as instituições e o sistema político estão destroçados e carentes de legitimidade, como tirar do processo eleitoral o líder com maior legitimidade? E como tirá-lo a golpes arbitrários, sem provas cabais de ter cometido os delitos de que é acusado? Como tirar do jogo eleitoral justamente o líder que pode reconfigurar a legitimidade institucional? Na verdade, esses setores, estão armando um ciclone de grandes  proporções no horizonte da política brasileira.

A hora do confronto

A crise brasileira só poderá ter um início de solução pacífica se o processo eleitoral for marcado pela legalidade e legitimidade, o que implica permitir que Lula dispute as eleições. Se este é o requisito condicional de uma eleição democrática, as forças progressistas e de esquerda precisam se organizar e organizar linhas de defesa desde já para salvaguardar a democracia. Os líderes progressistas atuais terão seus nomes inscritos na ignominiosa histórica da covardia se agirem como agiram na derrubada de Dilma, na aceitação de fato de Temer e na falta de reação na votação da reforma trabalhista.

Alguns analistas, inclusive de esquerda, afirmam que Lula é passado, que faz parte do arranjo que emergiu da Constituição de 1988 e que este arranjo desmoronou porque expressava a conciliação e esta não tem mais lugar a partir do golpe. Nisso tudo, apenas a última afirmação é verdadeira. Na verdade, há uma enorme incompreensão na avaliação de que Lula é passado. Ocorre que o movimento positivo do país que nasceu com a nova Constituição e que teve nos governos Lula seu ponto mais alto, teve sua trajetória interrompida e o Brasil está passado por um grave retrocesso nos direitos, na cidadania, na democracia, na ciência e tecnologia, na soberania, na pluralidade, na convivência, na cultura etc..

Lula é o único líder, neste momento, capaz de interromper este retrocesso, pois as forças democráticas e progressistas estão desorganizadas e desorientadas. O país não vive nenhuma situação revolucionária. Pelo contrário, o memento é de resistência para impedir uma destruição maior. Este momento requer unidade das forças progressistas e capacidade de liderança e comando. O conteúdo que o movimento em defesa da candidatura Lula e de sua possível candidatura vierem a assumir dependerá do grau de unidade e de engajamento das esquerdas, dos democratas e progressistas nesses esforços. Trata-se de um conteúdo em disputa, que dependerá da força política o organizacional que os setores progressistas dispuserem para barganhar no programa  ser construído e nas políticas públicas que poderiam vir a ser implementadas. 

A fragmentação das forças progressistas as despotencializará, reduzindo o número de deputados, senadores e governadores eleitos. Dividir e fragmentar significa ser a esquerda que a direita quer. A unidade tem que ser com Lula ou sem Lula, se ele for impedido. Se o momento é de resistência e de recuperação terreno tomado pelo inimigo, trata-se de ser prudente, econômico nas expectativas e severo nas advertências, pois os riscos de novas derrotas são significativos. Lula terá que ter a  sabedoria e a humildade para conduzir essa unidade e o PT terá que deixar de lado o seu costumeiro exclusivismo, fazendo concessões justas ao seus aliados.

Mas tudo isto é possível? A resposta a esta pergunta é mais de dúvida do que de certeza. A esquerda é madrasta de sua própria desgraça. Lutar para afastar Temer, mobilizar para garantir a candidatura Lula e construir a unidade democrática e progressista são as três principais tarefas da conjuntura. Mas o que se vê nos partidos, movimentos e organizações sociais e de esquerda é mais confusão, dispersão, falta de unidade e de rumos.

A fragmentação que está se armando caso Lula não possa concorrer poderá produzir uma nova derrota devastadora: nenhum candidato progressista no segundo turno das eleições presidenciais. Este seria o preço a ser pago pela ausência de responsabilidade histórica e pela ambição inconsquente dos partidos e de potenciais candidatos do campo progressista.  A incapacidade de perceber o momento histórico-político do país faz com que partidos e grupos mirem os seus egoísmos particulares ao invés de olharem para o sofrimento do povo e suas necessidades.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP). 

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29 comentários

  1. O “x” do assunto

    Bom texto em geral, com o qual concordo.

    Apenas queria destacar a frase abaixo

    “Já, Bolsonaro, começa a assustar os eleitores na medida em que, de sua boca, saem investidas de cavalaria.”

    Ilustra-se aqui o fato de como algumas candidaturas conseguem criar o seu próprio “anti” ou rejeição. Bolsonaro começa a crescer pela rejeição ao Lula e à esquerda comportamental. As elevadas intenções de voto para Bolsonaro e Marina são na sua grande parcela, votos que já foram do Lula e que hoje se somam à rejeição contra este.

    Os votos em Bolsonaro e Marina chegam principalmente desde setores evangélicos, que já estiveram apoiando o governo popular nos dois primeiros governos do Lula e que hoje, além da perversa campanha de difamação contra o PT, muitos estão fugindo por conta do discurso modernoso de parte da esquerda brasileira.

    Bolsonaro cresce com a cuspida que recebeu do Wyllys ou com as brigas com a Deputada Maria do Rosário, mas perde nas suas declarações polêmicas, como aquela descrita na frase destacada acima.

    As candidaturas de Bolsonaro e da Marina começarão a cair quando a rejeição a Lula, ao PT e às esquerdas comece a cair. Para isso, a esquerda deve levantar bandeiras que unam ao povo, como a defesa da nação e o desenvolvimento econômico com viés social e nacional.

    Não é por acaso que até a rede Globo da uma turbinada, e tempos em tempos, a assuntos polêmicos que levantam a reação do povo mais conservador. A Globo finge que defende as causas modernosas, mas, no fundo, faz com isso aumentar a votação em Marina e Bolsonaro.

    O PSol segue ingenuamente as migalhas de pão que a rede Globo joga no chão, gerando uma esquerda caricata e pouco compreensível pela família brasileira.

    • Parabéns pelo comentário

      A conjuntura é crítica e não podemos nos perder em questões secundárias. Quando o edifício da democracia está sendo demolido, toda a nossa atenção tem que estar focada nas questões essenciais à sobrevivência do povo, aquelas diretamente ligadas aos interesses da grande maioria das pessoas: a subsistência (economia) e as liberdades democráticas (direitos civis e políticos), pela preservação da Constituição.

      A direita, usando de toda a sua estupidez e cinismo, provoca brigas sobre questões secundárias.  Muita gente da esquerda morde a isca com vontade, cai nesse jogo baixo de escaramuças, desviando o foco da luta para questões que não são realmente prioritárias para 99% da população.  E assim nos perdemos.

      Com o maldito golpe parlamentar, a direita provocou uma guerra contra o povo.  E em circunstâncias de guerra, não temos tempo a perder. Tampouco podemos nos dar ao luxo de desperdiçar energias com o que não seja estritamente essencial à luta.

      Portanto, o seu comentário é muito oportuno, por lembrar a necessidade de manter o foco no que realmente interessa a toda a população e não apenas a alguns dos seus subconjuntos.

  2. O que é esquerda no Brasil ?
    Esquerda no Brasil temos o PT e PC do B,são sociais democratas mas o PT se enfraqueceu ao crescer e estar no poder.Abriu mão de seus filtros e deixou expoentes e direção do partido em mãos deslumbradas,inaptas e destoando de suas bases,militancia.Viu-se um crescente abandono,decepção de filiados e simpatizantes em todos os niveis,intelectuais,artistas,juristas,etc.Figuras como Paloci,Rui Falcão,Cardoso,Mercadante,Tarso Genro e outros principalmente no governo Dilma se isolaram ejunto o partido e a presidencia,dai o golpe e a falta de mobilização.O PT de Lula novamente a frente do processo e como recuperar o capital imenso perdido ? E temos a extrema esquerda sintetizada no PSOL,com suas ações que ajudaram o golpe como as jornadas de junho,e as criticas e alianças pontuais com a direita em uma ação da maioria de seus membros,com rarissimas exceções,de critucas,perseguição ao PT,Lula e Dilma movidas por odio e em uma percepção tola de que ganariam espaço eleitoral,caminho que o Ciro adotou e que definitivamente enterrou qualquer grande vôo que queira tentar.Temos os movimentos sociais e como expoentes principais Boulos e Stedile que foram sendo abandonados pelo partido (se abandonaram Direceu,Genoino ).O PT e Lula tem uma missão primeira de recontruir as pontes destruidas,o que ja mostra que sera uma missão de aprendizado(se é que aprendem)basta ver o episodio da Miriam Leitão em que açodadamente vieram prestar solidariedade publica a jornalista sem a minima noção de como foi o episodio e ja colocando no banco dos reus seus militantes,tentando salvar uma pseudo imagem e ou reputação ??? E a senadora Gleisi,presidenta recem eleita ja mostra que trocaram-se as peças mas a essencia é a mesma.O que passaram a militancia,a um Boulos ? Ta dificil.

  3. Isso é torcida e não

    Isso é torcida e não análise.

    Lula está bem apenas no quesito pesquisas.

    E na campanha, como será ?

    Aliás, ele poderá concorrer ?

    Quem será seu marketeiro, lembrando que João Santana foi crucial na última vitória de Lula e nas duas de Dilma, bem como na vitória de Haddad.

    Sem contar o crucial. Qual a estratégia de Lula para, se eleito, vencer essa crise de Poder envolvendo PGR, Judiciário, PF, etc ?

    Ele está articulando algo nesse sentido ou agirá como ele e Dilma sempre agiram ?

    Nâo adianta botarmos a cabeça embaixo da terra, fingirmos que apenas uma pesquisa resolverá tudo e não discutirmos essas questões, que são cruciais.

    • Ou seja, segundo a  sua

      Ou seja, segundo a  sua lógica: apanhando o tempo todo, de toda a mídia, e ele lidera as pesquisas. Mas se entrar em CAMPANHA, aí sim, ele vai afundar. Caro amigo, se colocar o Lula para falar 5 minutos na televisão todos os dias, ele se elege em primeiro turno. O problema não é esse, o problema é o tapetão que estão armando para ele.

    • Duda, só agora voce descobriu que é torcida que afugenta?

      que afugenta os torcedores ou quem se mete a botar uma variante de pensamento nessas pseudo-discussões? DIgo pseudo, mas não duvido da boa fé, da boa vontade, da torcida (não aquela que xinga e quer ir pro pau e intimidação). Os raros comen-taristas, visitantes ou participantes que pediram cadastramento por vezes lançam mão da ironia, do deboche, mas também são de boa fé,vontade que um espaço não se estreite ainda mais do que já se estreitou. (Eu não conto porque quero um mundo melhor, mas a torcida não entende, ou não recebe bem ou um humor explícito, ou um humor debochado, ou nem lê, ou lê ao contrário, cheios de preconcepções). É lamentável.

  4. O presidente Lula é o único

    O presidente Lula é o único capaz de andar nestas águas turvas e fétidas da política brasileira. Todos sabem disso. O problema reside na inveja dos que se julgam os mais competentes,os mais instruídos,em aceitar esta realidade.

    A competência política não tem nada a ver com instrução ou nível educacional. Não são excludentes mas também não são pré-requisito.

    O Brasil só tem um caminho: Lula presidente!

  5. o agravamento…

    Hove eleições em Angola depois de 40 anos. Os Combatentes que libertarm o país deixam o Comando por uma Governo Civil. No Curdistão Iraquiano, houve eleições para a formação de um novo país. Depois de anos de ditaduras e guerras. Eleições livres, diretas, facultativas. Em urnas plásticas com voto de papel. É toda a solução? Claro que não. Mas o início libertador já aponta suas diretrizes e caminhos. A Opiniao Livre e Soberana da Sociedade. Onde está a Sociedade Brasileira nesta farsa de Estado?Nesta farsa de Democracia? Em TRE’S e TSE’S corruptos e nababescos? Em fortunas gastas em Biometria Obrigatória? Num país sem saneamento básico e com analfabetismo dos maiores do planeta? Em mais de Meio Bilhão de Reais gastos por eleição em Ditatoriais Urnas Eletrônicas Obrigatórias,imposta por uma Elite Esquerdopata que não se enxerga, e que impunha a doutrinação à sociedade brasileira?  Ou tudo isto foi esolha desta Sociedade? O Brasil se explica. 

  6. De nada adianta sem um congresso progressista
    “Expoentes” como Delcídio que foram aceitos no partido por estar no governo, como Kassab e seu PSD que aderiu por cargos, Cabral e tantos outros que se elegeram em coligações com o PT para trai-los na primeira oportunidade.

    Ou o PT elege nomes comprometidos para o congresso ou Lula ganha mas não governa como Dilma2

  7. O Lula pode até ganhar a

    O Lula pode até ganhar a eleição. E depois?

    Virá com republicanismo, Meireles, Miro teixeira,Joaquim Barbosa, Gurgel, Dilma. E voltamos à estaca zero.

  8. “uma nova derrota devastadora:nenhum candidato progressista(…)

    salvo engano,há tempos q venho dizendo isso do parágrafo sintomaticamente final do post-título de Aldo.Mas pra q a galera deste ambiente de fé venha ler com (alguma) atenção é preciso ostentar títulos e ser articulista.Aldo diz “por falta de materiali-dade”; Por acaso,Aldo leu os autos do processo,inclusive as partes q correm sob sigilo?Mas a irmandade parece q leu e con-cluiu desde sempre,desde o Mensalão,p ex.E se alguém critica a maioria(nem sempre o povo e a maioria estão certos,podem ser manipuladas e despóticas)ou nem se anima a participar com uma opinião diferente das mesmices de 99% ,ou desiste,ou vem por diversão até pra medir o grau de senso crítico e de politização.  

    • Aldo e a vaidade de todos nós

      fundamental é a auto-estima. Se eu tivesse mais, nem viria a blogs, gosto de ler, de pensar, enviesado, mas gosto.

      Conheci Aldo nuns minutos em que ele espumava rancor contra o PT no movimento estudantil em Porto Alegre, era da extrema esquerda (como sói acontecer na juventude de muitos). Mas voltemos à vaidade humana. Não sei se é pago pra estar aqui, ou se é pra ter mais espaço (na academia , me refiro à pensante e aberta) parece que não tem tanto prestígio, e é midiático (desconfio dos ditos intelectuais midiáticos e que não provocam o senso comum, a boiada). Quando é que ALdo virá com o Rei Está Nu? A poslteriori, ou quando não dá mais pra tapar o sol com a penseira. Perderá ´púublico pseudoprogressista.

      • Não é questão de inteligência, e, sim, de afeto, de emoção

        o nível a que o Blog chega (e vindo mais): tirando por minhas postagens, vejo que alguns não lêem, ou lêem de modo ligeiro (ligeiro é sinônimo de leviandade, superficialidade) concluindo de modo deformado o que pretendi dizer. Ou concluindo o contrário e me acusando disso e daquilo (sinal que nem leram, basearam-se nalgiuma postagem infeliz minha ou que eu escrevo direto dificilmente reviso). Esquerda ou progressistas devem estar abertos às diferenças, que por vezes não são diferenças, são , noutro tom, noutra forma, uma concordância. Dificilmente vejo isto no Blog. T

        • OS ATAQUES

          Tenho visto agressividade, xingamento, supostas críticas a este Nickname (tem gente que não sabe o que é “nickname”, meu Deus!…). Gente que se manifesta com o fígado é massa de manobra de blog, de site, de políticos, de tudo, mas não é esquer-da, nem democrata, nem progressista. É massa com pretensões, mas todos temos pretensões e perdoamos. OS ATAQUES: Os arapongas não têm coisa melhor pra fazer??A massa de manobra é tola,mas pode fazer barulho,dá Ibope,audiência. Ainda so-mos um país subdesenvolvido,com baixíssimo senso de cidadania e de politização. Risco à democratização.Risco à diversidade de opiniões. Risco de trocas pacíficas, risco até à leitura sem preconcepções. 

  9. O Rei Tá Nu

    A multidão não fala isso. Só uma criança. O “Coletivo” da hierarquia eleita no processo chamado de PED: O caso Recife certamente não é o único, mas deu pra ver o caráter de progressismo e de democracia que fori aquele processo de eleição direta na penúltima candidatura pra Prefeito da Capital, a mais importante do Nordeste. A Direção Nacional deveria renunciar, mas caiu na armadilha, se encastelhou, aparelhou o que pôde (e o que não pôde “negociar”), não era cega, é cúmplice de um partido único com “um projeto” com um líder único, à maneira stalinista, traindo o caráter do nascimento do PT. É a política suja.Os tempos são outros.Se o semideus disputar e vencer vai ser o enterro.Não construiu pontes com as esquerdas, só expulsou.

  10. Lula, companheiro

    Estamos juntos para encarar essa:

    Seis brasileiros concentram a mesma riqueza que a metade da população mais pobre

    Estudo da Oxfam revela que os 5% mais ricos detêm mesma fatia de renda que outros 95%

    Mulheres ganharão como homens só em 2047, e os negros como os brancos em 2089

    Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Hermmann Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermirio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim) são as seis pessoas mais ricas do Brasil. Eles concentram, juntos, a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres do país, ou seja, a metade da população brasileira (207,7 milhões). Estes seis bilionários, se gastassem um milhão de reais por dia, juntos, levariam 36 anos para esgotar o equivalente ao seu patrimônio. Foi o que revelou um estudo sobre desigualdade social realizado pela Oxfam.

    https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/22/politica/1506096531_079176.html

     

  11. Aldo deixou pro ultimo parágrafo o mais importante

     “( . . . ) o preço a ser pago pela ausência de responsabilidade histórica e pela ambição inconsquente dos partidos e de potenciais candidatos do campo progressista.  A incapacidade de perceber o momento histórico-político do país faz com que partidos e grupos mirem os seus egoísmos particulares ao invés de olharem para o sofrimento do povo e suas necessidades “.

  12. Quando o molusco que foi a
    Quando o molusco que foi a origem de tudo de ruim por que estamos passando é apresentado como única saída vemos bem a indigência moral da esquerda.

    •   Ele cometeu erros, sem

        Ele cometeu erros, sem dúvida.

        Daí a dizer o que você disse é simples questão da distância entre ser realista e ser debilóide.

  13. Novo golpe Globo/ Judiciário: candidatos (midiáticos!) “avulsos”

    Novo golpe Globo/ Judiciário: candidatos (midiáticos!) “avulsos”

    Quer dizer…

    Não são “candidatos midiáticos”, não, sabe…

    São apenas… hmmm… “pessoas da sociedade” (!) …

    “De fora da (‘maldita’) política” (!), entendeu?

    Sei… ¬¬

    Por Romulus

    O juiz que liberou a candidatura avulsa deve ter baseado a decisão naquela tese da Flávia Piovesan…

    (de ANTES de a Doutora se vender ao Golpe por uma cadeirinha na Corte Interamericana de Direitos Humanos)

    – … tese de que tratados de direitos humanos seriam internalizados com a força de emenda à Constituição.

    Certamente o dispositivo constitucional requerendo filiação partidária para sair candidato NÃO é cláusula pétrea.

    O problema é que essa tese de Piovesan perdeu força depois da promulgação da Emenda Constitucional 45, que acrescentou mais um parágrafo ao Art. 5o (das garantias e direitos individuais, a nossa “bill of rights”).

    O tal parágrafo prevê que tratados de DDHH (Direitos Humanos) terão, sim, força de emenda à Constituição…

    MAS…

    – … nesses casos requer o MESMO quórum de aprovação de emendas (3/5; 2 turnos).

    – E não a maioria simples da aprovação de tratados em geral (igual ao de leis ordinárias).

    Esse tema em particular, da candidatura avulsa, vai ser decidido pelo STF mesmo.

    Com meu ex-Professor Luis Roberto Barroso – sempre ele! – como patrono de (mais uma) tentativa de assassinato da (classe) política.

    Isso porque a dúvida sobre o status dos tratados de DDHH internalizados ANTES da EC45 permaneceu.

    E isso inclui a Convenção Interamericana de DDHH!

    É com esse “limbo jurídico” que os juristocratas (Barroso à frente) e a Globo querem jogar.

    Digo, GOL-PE-AR!
     

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  14. E SE O MESSIAS NÃO VOLTAR?

    Sempre a mesma tecla

    Quando os nobres intelectuais vão começar a pensar numa alternativa não messiânica para 2018?

    Pela profundidade das reflexões, ou é Lula ou então devemos nos suicidar enquanto esquerdistas?

    Vão ficar estacionados nessa linha de raciocínio até quando?

    O Brasil merece uma reflexão pós Lula. 

    • Virar a página

      Também acreditava que para o bem do Brasil Lula seria a opção. Mas as evidências de desvios estão a cada dia mais fortes.

      Os apoiadores cada dia mais distantes e frios. As passetatas e carreatas mais frias e mais custosas.

      Os financiadores estão se escapolindo de contribuições por medo de exposição.

      O cenário não é dos mais amistosos e a campanha deve ser muito animosa pois até antigos companheiros de credo já se revoltam.

      É hora de se pensar em Tarso Genro, em Olivio Dutra, e tantos outros ainda incólumes neste vendaval de denúncias. É mister se chamar às luzes aqueles guerreiros que não se enibriaram pelo poder e que conseguirão erguer bandeiras sem levar pedradas.

      Sem se repensar, sem oxigenar-se na ética, e sem auto crítica, o PT vai acabar junto com o mito. 

  15. Os reacionários o odeiam pois

    Os reacionários o odeiam pois o temem pela sua imensa FORÇA politica, quer gostem ou não..

    Os mais à esquerda o odeiam por não se mostrarem mais capazes e viáveis.

    Lula é este fenômeno não porque ele quer, mas porque ele pode!

    Os outros só ficm entre o ódio e o despeito.

    Os cães ladram e a caravana continua passando!

  16. O agravamento da crise e Lula como saída

    – 2018 será para sempre um ano longe demais. não vai ser através de eleições que o Golpe de 2016 será derrotado. até mesmo porque já não há mais nenhuma solução institucional para esta crise. as instituições brasileiras foram cúmplices do golpe. o golpe será derrotado nas ruas, ou não será;

    – Lula e sua seita, o Lulismo, estão paralisando todo o processo de luta contra o golpe e reconstrução da Democracia, isto desde o Ocupa Brasília, em 24-MAI, e a Greve Geral de 28-ABR;

    – não há nenhum futuro para a Esquerda brasileira sob a tutela do Lulismo;

    – ainda assim, cegos sendo guiados por cegos, tomados pela depressão e a impotência, continuam incapazes de admitir que não há mais saídas e sim apenas portais de entrada: ou o Estado de Exceção permanente, ou um processo de reconstrução radical da Democracia;

    .

    • Lula

      Podes explicar melhor como o Lulismo estaria paralisando o processo de luta contra o golpe?

      Acreditas que a apatia em revidar o impeachmente por parte da esquerda se deve ao lulismo?

  17. O principal no golpe e na falta de solução é a economia.

    Ficam todos elucubrando hipóteses se o Lula será preso ou será presidente, duas hipóteses um pouco distantes, ou também se ocorrerão as eleições de 2018 ou estaremos sobre um golpe militar.

    Procura-se sobre isto fazer conjecturas sobre as instituições brasileiras, mas esquecem que as instituições sempre foram este verdadeiro bordel. O nosso judiciário sempre foi formados por deuses do Olimpo, os políticos conservadores uma cleptocracia, o empreseários uma turma de mamadores nos cofres públicos, uma imprensa parcial dominada por meia dúzia de oligarcas e o governo sempre a serviço da oligarquia, em resumo “Nada de novo no front”.

    Porém todos esquecem do verdadeiro motivo que levou ao golpe e que talvez o vomite, A ECONOMIA.

    Os governos Lula e Dilma vinham fazendo uma política que beirava a ortodoxia liberal em determinados momentos com oscilações com momentos de populismo e práticas heterodoxas. A política econômica heterodoxa, que adotava em determinados momentos neokeynesiana era um verdadeiro horror para os centros de poder do Império, a partir disto, provavelmente os grande capital apostou numa virada liberal como a francesa com Macron.

    Porém quem tenta comparar o que está sendo tentado na França com o Brasil é porque não tem a mínima noção do que é o macronismo francês e a cleptocracia dos partidos de direita brasileiro. Além de tudo isto, o que se vê que o macronismo está começando a fazer água numa velocidade mais rápida do que o próprio golpe, em questão de três meses Macron perdeu a popularidade de aproximadamente entre 25% a 30%, conforme o critério adotado como apoio inicial, ou seja, os jornais franceses falam de DEGRINGOLADA DO GOVERNO MACRON.

    O que diferencia o caso francês do caso brasileiro é o que representa em termos de estabilidade econômica e política uma DEGRINGOLADA nos dois países, na França o povo pode perder muito, mas ainda mantém um mínimo de dignidade, e apesar da esquerda mais radical representada por Jean Luc Melenchon estar subindo com alta velocidade nas pesquisas ainda não passa de 30% de apoio geral, e lá as instituições são mais fortes (mas não se iludam com isto!), já no Brasil a maré pode virar e de forma mais violenta, diríamos que estamos MUITO MAIS próximos da França de 1789 do que da de 2017.

    O principal impasse que existe é que os golpistas que derrubaram o Governo Dilma tem uma tal face que chegam a espantar a elite oligárquica que governa o mundo e a sua própria mídia conservadora, quando a Forbes no dia 26 deste mês coloca um artigo denominado “In Brazil, Everybody’s Bad Except Lula” onde mostra que as opções de direita são um fracasso, ou o próprio Fórum de Davos classifica os políticos brasileiros como os piores do mundo, se nota que o desconforto chegou a matriz do Império. E como o Império, que sabe fazer projeções políticas, começa a desconfiar que o tiro pode sair pela culatra e a posição do Brasil não pode cair, pois com ele vai toda a América Latina.

    A ampliação do caos econômico que a equipe dos sonhos conseguiu (Meirelles e cia.) junto com a bagunça mediática que a própria imprensa burguesa fez com as grandes empresas, está levando o país a uma rapida conscientização característica de situações pré-revolucionárias. Se o povo continuar no processo de concientização no mesmo ritmo (e acelerando), e provavelmente continuará, a radicalizar as posições da população brasileira para soluções que poderão vir bem mais à esquerda do que num governo tradicional do PT.

    Há muito tempo escrevi que os golpistas eram amadores, e o que se vê é que para montar o golpe e a derrubada do governo Dilma eles foram profissionais, porém esqueceram do DAY AFTER, ou seja, enrolaram tanto que “a emenda saiu pior do que o soneto”, e diria mais ficou MUITO PIOR.

    Agora a questão militar, quando os milicos começaram a pensar em golpear, coisa que ainda não saiu do menu, provavelmente começaram a pensar no que fazer depois da intervenção, simplesmente baixar o porrete não resolve nada em termos de prazo médio (diria uns dois anos), além de tudo eles não tem uma base civil de apoio para movimentar a máquina governamental, ou teriam que prender além da esquerda (logicamente), grande parte da direita, ou teriam que contar com um bando de cleptocratas no poder. Caso alguém ler o que é o programa dos chamados intervencionistas ficará alternando alguns sentimentos, raiva, risos e choro, pois não existe nada que possa configurar como um plano de ação para um governo ditatorial de direita, seria uma imensa farsa.

    Em resumo, está batendo o pânico nos sempre inspiradores de golpes, o gerentes do Império!

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