23 de junho de 2026

O Brasil não será sócio da guerra, por José Guimarães

Projeto de Lei Complementar 114/2026, enviado ao Congresso propõe uma engenharia fiscal simples na concepção, mas sofisticada na execução.
Foto de Fernando Frazão - Agência Brasil

Governo brasileiro propõe compensação fiscal para reduzir tributos sobre gasolina e etanol diante da alta do petróleo.
Projeto PL 114/2026 vincula corte de impostos à arrecadação extra, protegendo consumidores sem prejudicar contas públicas.
Medida anticíclica também abrange diesel e biodiesel, atuando no controle da inflação e preservação do poder de compra.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O Brasil não será sócio da guerra.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por José Guimarães

A escalada dos preços do petróleo no mercado internacional voltou a pressionar economias em todo o mundo, com reflexos diretos sobre combustíveis, transporte, alimentos e serviços. Diante desse cenário, o governo brasileiro optou pelo caminho da proteção da economia com responsabilidade fiscal: um mecanismo de compensação tributária que busca amortecer os impactos externos sem comprometer as contas públicas.

O Projeto de Lei Complementar 114/2026, enviado ao Congresso propõe uma engenharia fiscal simples na concepção, mas sofisticada na execução. A cada dois meses, o Ministério da Fazenda fará um balanço da arrecadação adicional da União decorrente da alta do petróleo. Esse excedente servirá de base para reduzir tributos federais (PIS/Cofins e Cide) incidentes sobre gasolina e etanol. Em outras palavras, o alívio ao consumidor será financiado pelo ganho de arrecadação, evitando desequilíbrios fiscais.

Não se trata de uma desoneração indiscriminada, tampouco de uma política de subsídios permanentes. O modelo cria um vínculo direto entre receita extra e redução tributária, estabelecendo um limite claro: só há corte de impostos quando há arrecadação adicional. Uma medida inteligente, que preserva o equilíbrio das contas públicas e não permite que o impacto da alta dos preços recaia sobre os ombros dos consumidores.

A medida também tem mérito por seu caráter anticíclico. Em momentos de alta internacional, quando a arrecadação cresce, o governo reduz tributos e protege a economia doméstica. Em cenários de queda, o mecanismo se ajusta automaticamente, evitando perdas fiscais estruturais. Trata-se, portanto, de uma política adaptativa, alinhada às oscilações do mercado global.

Outro ponto relevante é o alcance da iniciativa. Embora o foco imediato esteja na gasolina e no etanol, os efeitos se estendem ao diesel e ao biodiesel, insumos indispensáveis para o transporte de cargas e, consequentemente, para a cadeia de abastecimento. Ao conter a pressão sobre esses combustíveis, o governo atua indiretamente no controle da inflação e na preservação do poder de compra da população.

Num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e volatilidade energética, políticas públicas eficazes são aquelas capazes de responder com rapidez, sem abrir mão da responsabilidade fiscal. O mecanismo proposto reúne essas qualidades: é tecnicamente consistente, socialmente necessário e economicamente prudente. O Brasil está sendo visto por governos de vários países como referência na formulação e medidas para proteger os consumidores.

Mais do que uma resposta conjuntural, a proposta sinaliza uma visão de gestão que reconhece a complexidade da economia global e busca soluções equilibradas. Em tempos de incerteza, inteligência fiscal e sensibilidade social deixam de ser opções, tornam-se imperativos.

José Guimarães é advogado, Deputado Federal, PT/CE, e Ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados