5 de junho de 2026

O jornalismo de guerra contra Lula e a soberania dos povos, por Francisco Ladeira

E o pesquisismo, quando pesquisas de opinião deixam de ser instrumentos de leitura da realidade e se tornam ferramentas de sua fabricação.
Reprodução

Em 2026, a grande mídia brasileira usará jornalismo de guerra para influenciar eleições e desestabilizar o governo Lula.
Jornalismo de adjetivação e adversativo rotula inimigos e minimiza conquistas do governo federal, segundo o texto.
Pesquisas de opinião são usadas para reforçar narrativas midiáticas, criando um ciclo que molda a percepção pública.

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Mídia em campanha: o jornalismo de guerra contra Lula e a soberania dos povos

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por Francisco Fernandes Ladeira

Em 2026, ano eleitoral, a grande mídia brasileira deve mobilizar todo o seu arsenal com o objetivo de influenciar a campanha presidencial. O alvo central é a derrota de Lula, preferencialmente com a ascensão de um nome da chamada “terceira via”. Para tanto, diferentes modalidades de jornalismo de guerra serão acionadas. No plano interno, a estratégia busca desestabilizar o governo federal. Já no cenário internacional, esse mesmo jornalismo atua para deslegitimar políticas que beneficiem países periféricos.

Nos noticiários geopolíticos da grande imprensa, o jornalismo de adjetivação – como o próprio nome indica – emprega rótulos para descrever atores considerados inimigos pelo imperialismo. Dessa forma, juízos de valor são apresentados como se fossem relatos objetivos da realidade. É o caso de expressões como “grupo terrorista Hamas” ou “ditador Maduro”.

No cenário doméstico, o jornalismo adversativo atua para ocultar, minimizar ou relativizar conquistas do governo Lula. São manchetes do tipo: “Menor índice de desemprego dos últimos anos, mas ocupações estão mais precarizadas” ou “Economia cresce, mas especialistas alertam para inflação”.

A essa discussão, o professor Wilson Ferreira, do Cinegnose, acrescenta mais dois conceitos: o jornalismo engov e o jornalismo agro. O primeiro, baseado no famoso analgésico, visa criar intrigas entre integrantes do governo, com manchetes como “Declaração de ministro causa mal-estar no Planalto”. Já o segundo “planta” notícias deliberadamente, a exemplo da suposta “pressão” de Alexandre de Moraes sobre Galípolo no caso Master, conforme divulgado por Malu Gaspar.

Ainda nessa linha, destaca-se o jornalismo declaratório, prática que consiste na reprodução acrítica de falas, sem a devida contextualização ou verificação factual. Nessa modalidade, o que foi dito prevalece sobre a verdade dos fatos ou o cenário em que a declaração se insere. Via de regra, tais divulgações privilegiam declarações contrárias ao governo Lula ou a países e organizações políticas que resistem às imposições do imperialismo.

Por fim, há o pesquisismo, situação em que as pesquisas de opinião deixam de ser instrumentos de leitura da realidade para se tornarem ferramentas de sua fabricação. No entanto, conforme alerta o anteriormente mencionado Wilson Ferreira, esses estudos não captam mudanças reais ou concretas na opinião pública, mas simplesmente refletem e reforçam a pauta dominante da grande mídia, configurando um ciclo tautológico. Não por acaso, pesquisas como as realizadas pela Quaest apresentam resultados alinhados aos interesses ideológicos hegemônicos. Um exemplo atual é a ênfase midiática no tema da “segurança” como principal preocupação do eleitorado brasileiro, narrativa que é, em seguida, “confirmada” pelas próprias pesquisas que o noticiário encomenda ou destaca.

Diante desse cenário, fica evidente que o jornalismo de guerra não se limita a relatar os fatos, mas atua ativamente para moldá-los — seja por meio da adjetivação seletiva, da oposição sistemática, da reprodução acrítica de declarações ou da instrumentalização de pesquisas. Essas estratégias, longe de ser meros desvios pontuais, compõem um mecanismo orgânico de influência política, que visa tanto deslegitimar projetos populares no plano nacional quanto reforçar narrativas hegemônicas no cenário global. O desafio, portanto, não é apenas denunciar essas práticas, mas construir formas autônomas de comunicação capazes de romper o círculo vicioso entre pauta midiática, pesquisa e percepção pública – condição fundamental para qualquer disputa política minimamente democrática.

***

Francisco Fernandes Ladeira é doutor em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador de pós-doutorado do Instituto Federal de Minas (IFMG) – campus Ouro Preto

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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  1. Carlos

    1 de janeiro de 2026 3:44 pm

    Está nas ruas já, principalmente através de categorias que receberam os mil reais. Um exemplo: taxistas.
    Uso muito o serviço, não tenho costume de uber e a maior parte dos motoristas tem um discurso para tentar desmerecer o governo, mas basta uma negativa ou questionamento da fonte para, ou, fazerem se calar ou até mesmo escalar a discussão.
    Ontem mesmo entrei num taxi e, bastou o papo fluir para ano novo, que escutei a besteira que vem sendo repetida. Disse o motorista: “se prepare pois ano que vem tudo será taxado, inclusive PIX.”
    Respondi que era conversa fiada e perguntei onde ele tinha obtido tal informação. Ele murmurou algo ininteligível sobre a fonte e mudou de assunto.
    Sim, vai ser um ano puxado.

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