O que pode ser feito depois da rejeição do impeachment, por J. Carlos de Assis

Aliança pelo Brasil

O que pode ser feito depois da rejeição do impeachment

por J. Carlos de Assis

A vitória das forças legalistas contra o impeachment abrirá uma larga janela para a mudança da política econômica do Governo Dilma. Ninguém há de confundir o vigoroso pronunciamento de movimentos sociais, parlamentares, intelectuais e artistas contra o golpe branco arquitetado pela mídia com o respaldo social e político ao fraco desempenho governamental nos últimos meses e anos. É preciso mudar. Seria intolerável queimar as energias reunidas para vencer o impeachment num novo ciclo de paralisia do Governo.

Perdemos o ano de 2015 e metade do atual. A Presidenta cometeu o supremo erro de nomear um neoliberal tonto para a Fazenda na esperança de que, com isso, apaziguaria as forças de direita que ameaçavam desde cedo tomar-lhe o segundo mandato. O tempo do Governo foi gasto em tentativas recorrentes de reagir aos ataques golpistas. Como consequência a administração parou. Pior, caminhou para a extrema direita a partir das iniciativas de Joaquim Levy, inclusive contra a Previdência Social.

Uma vez varrido de cena o fantasma do impeachment, a Presidenta, auxiliada formal ou informalmente por Lula, poderá se dedicar a questões efetivamente relevantes para o futuro do país e dos brasileiros. Algumas iniciativas já estão sendo formuladas. Por exemplo, um plano econômico de emergência para relançar a economia e o emprego. Discussões a esse respeito entre economistas e dirigentes sindicais tem avançado consideravelmente. A base é a retomada da Petrobrás e dos investimentos em infraestrutura, financiados pelo legítimo recurso ao déficit público como otem feito os EUA. Mais do que o plano, porém, é preciso pensar em pessoas. A sugestão é que o futuro núcleo ativo do Ministério seja entregue a um grupo de tecnocratas de reputação inatacável com efetiva capacidade de realização.

É igualmente fundamental encontrar uma solução imediata para a crise financeira dos Estados. A noção de que há dois cidadãos, o cidadão estadual e o federal, podendo o cidadão estadual ser entregue às baratas enquanto o federal pode ser socorrido por déficit e dívida pública é uma estupidez política. Os Estados estão sendo esmagados por uma lei burra, a Lei de Responsabilidade Fiscal, cujo único objetivo tem sido preservar a receita pública estadual para pagar juros de dívida pública enquanto os serviços públicos estão se derretendo.

O setor público, em determinadas circunstâncias, e certamente nas etapas de depressão da economia como atualmente, não só pode como deve recorrer ao endividamento. Se o Estado não tem condições de endividar-se, o Governo federal deve fazê-lo por ele. A consequência é um estímulo de natureza keynesiana ao crescimento econômico, levando a um aumento da receita e, por último, à redução da própria dívida. Assim, para eliminar a crise dos Estados, o Governo federal deve facilitar seu endividamento e, em último caso, endividar-se por eles. É o que esperamos seja feito depois da rejeição do impeachment, mandando às favas as objeções do FMI e das agências de risco mancomunadas com os especuladores financeiros.

Entretanto, o impeachment pode passar. E eu, sinceramente, não consigo imaginar nada mais do que um país sem eixo, à deriva nas águas de Temer, de Cunha e de Renan!

J. Carlos de Assis – Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ.

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8 comentários

  1. Botar o Temer pra rua….

    Há quem diga que eu dormi de touca
    Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
    Que eu caí do galho e que não vi saída
    Que eu morri de medo quando a cartinha vazou.

    Há quem diga que eu não sei de nada
    Que eu não sou de nada e não peço desculpas
    Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
    E que o Cunha quase me pegou.

    Eu quero é botar o Temer pra rua
    Brincar, botar pra gemer
    Eu quero é botar o Temer pra rua
    Gingar, pra dar e vender.

  2. DAY AFTER…

    Se o impeachment fracassar (como espero) seguirá agora uma parte diferente da lava-jato: a acusação contra políticos. A câmara de Deputados e o Senado ficarão fragilizados, enquanto o Governo se afirma, principalmente depois da saída do Cunha. Sendo assim, o Governo não terá mais aquele ataque permanente do legislativo e poderá avançar, mesmo sem ele, em algumas atividades que poderíamos chamar de agenda positiva, entre elas, as olimpíadas e, junto com isso, as eleições municipais.

    O Governo, depois desta tormenta quase perfeita, se vencer contra o impeachment, deve voltar com tudo para o ataque, pois não há nada mais a perder (e muito a ganhar) e, o pouco que restava, quase foi levado pelo impeachment. Não há mais espaço de recuo nem de concessões, mas sim a hora de pensar em 2018 e voltar ao ataque.

    Então, sugiro a seguinte pauta pós “não impeachment”:

    1.       União das esquerdas;

    2.       Boas olimpíadas;

    3.       Focar agora nas eleições municipais, tentando juntar as esquerdas em candidaturas fortes e unificadas;

    4.       Construir plano nacional de agenda positiva, com ações efetivas e simples de medir e/ou acompanhar (obras públicas, passe livre, Minha Casa Minha Vida, etc.);

    5.       Mostrar à população sobre políticos que votam contra avanços sociais. Não negociar com políticos corruptos, mas apenas tentar e mostrar ao povo quem foi contra, caso a caso;

    6.       Concluir a transposição do Rio São Francisco e inaugurar grandes hidroelétricas;

    7.       Plano de obras públicas de base (em municípios) com intensivo uso de mão de obra;

    8.       Chamar às FFAA para colaborar com a Agenda Positiva, particularmente na execução física de obras estruturantes e de ações sociais em favor da comunidade;

    9.       Plano nacional de serviço cívico/militar. Jovens desempregados e sem diploma (tentar cursos técnicos profissionalizantes nas FFAA), e profissionais recém-formados fazendo serviço cívico obrigatório, na sua especialidade, no interior do Brasil.

    10.   Suspender todo o dinheiro público em publicidade nos meios do PIG;

    11.   Reavaliar a divida interna e externa do Brasil. Repactuar ou romper.

    12.   Fazer um bom trabalho nas Olimpíadas e, na paralela, desenvolver um Plano geral de Desporte Amador e Recreação, através das Universidades Federais, que deverão criar departamentos de esporte e irradiar o seu efeito pelos colégios e escolas da sua região respectiva. Isso rápido, para aproveitar o embalo das Olimpíadas;

    13.   Manter o povo mobilizado e atuando efetivamente nas medidas do plano nacional de agenda positiva. Mostrar avanços. Informar;

    14.   Propor ao congresso uma lei de reforma política;

    15.   Exigir, da TV (que é concessão pública), pelo menos 15 minutos diários (ou o tempo que necessário for – deixe que chiem e continuem conspirando) para informar diariamente dos avanços à população e, principalmente, das ações que foram eventualmente travadas pelo congresso (indicar nomes). Elaborar filminhos do tipo “Brasil Avança” e divulgar diariamente por todas as redes de TV com concessão pública;

    16.   Ajudar a estender o alcance da TV Brasil e outras redes públicas para todo o território nacional.

    Tudo isso será julgado em 2018.

  3. Caro José Carlos
    Dilma tem

    Caro José Carlos

    Dilma tem que ir para a esquerda, avançar as propostas sociais.

    Ver a questão dos pagamentos das dividas internas e externas, refazer o orçamento, acabar com o neoliberalismo implantado nele.

    Lei da Mídia para ontem.

    Entre outras coisas.

    Se o golpe passar, os militares agirão com tudo, para deter a revolta social, que será grande, ficaremos assim por uns 20 anos.

    Saudações

     

     

  4. Rejeição, José Carlos?

    Rejeição, José Carlos? Duvido.

    Pois se a corretagem está correndo solta na nossa cara com o STF imobilizado sem fazer nada contra o Cunha, se o PGR esta aí trabalhando para o golpe, não vão ser uns mequetrefes que roubam até gasolina na Câmara que vão parar esse golpe.

    Aliás, eu queria saber quanto custa um parecer do Janot (lembra do apê em Miami do Joaquim Barbosa?)para favorecer o golpe. A média tem sido um por semana. E quanto o Eduardo Cunha esta pagando para Moro e sua república do paraná não incomodar sua mulher e sua filha. As contas em offshores de paraísos fiscais devem estar pegando fogo.

    Já para a imprensa a gente tem como saber o preço do golpe. Nós vamos pagar. Vai ser o repasse que a Secom do Temer vai passar a fazer para as quatro famílias  golpistas. Olha que imagem fabulosa:  o Otavinho Frias todo metido a intelectual passando a mão na grana e sorrateiramente enfiando nas malas de dinheiro. Não que eu queira lembrar o último vídeo da Porta dos Fundos!

    Mas a corretagem maior vai para o Cunha, o Temer, o Serra,  enfim esses que vão privatizar a Petrobrás para “equilibrar as contas do país”. 

    Agora os ladrõezinhos tipo jornalistas como Merval, Cristiana. Waack, Rossi, Catanhede,  esses “profissionais da infâmia” que trabalharam para  o golpe vão continuar de joelhos catando as “moedas” atiradas pelos patrões. Sim, sinhô, não sinhô.

    E para esses canalhas todos que estão trabalhando para o golpe deixo meu recado: não tenho provas mas sei o quanto vocês são corruptos no combate a corrupção. Mas a história nós dirá o valor, assim como ficamos sabendo quanto custou o Golpe de 64.

  5. Irreparável reconstrução de base

    Considerando as inúmeras tentativas de se construir apoios governamentais com um Congresso e base política construída com negocitas e pagamentos regulares de apoio parlamentar, que dirá após uma inexorável quebra de confiança materializada nesse movimento de Golpe.

    Improvável reconstrução de uma FRATURA que do ponto de vista do pragmatismo com que deverão ter de conduzir os novos passos e medidas pós insucesso do impeachment, apenas um cenário de arremedo de final de meio mandato aguarda essa turma que não está preocupada de forma altruísta com o país, mas com o orgulho cínico de se manter após terem sido alçados de forma democrática, apego ao Poder talvez seja o maios dos pecados que essa atual classe política de forma geral tem demonstrado diante dessa situação geral que o país vive.

    Como teria sido posto por autoridade maior do executivo desse país, se todos os detentores de cargos públicos e eletivos desse país renunciassem aos seus próprios mandatos, que lhes foram outorgados por voto, portanto não lhes pertencem, seria a maior e mais honesta demonstração de altruísmo que esse País terá visto em todos os tempos, como nunca na Estória dessa país…

     

     

  6. sonho, quase delírio.

    Vai sonhando, teve 5 anos para fazer tudo isso e só lembrou que os  movimentos sociais e a esquerda existem quando esteve ameaçado do poder. Depois se voltou para os grandes, ricos e poderosos. Como nas eleições em 2014. Duvido que faça algo diferente no pós-impechment. O Nelson Barbosa já anunciou o plano para a divida dos Estados – tudinho de acordo com a lei de responsabilidade fiscal que os governos do PT tiveram 13 anos para tentar modificar e não fizeram nada. A proposta de Barbosa prevê congelamento de salários dos funcionários públicos dos Estados e de concursos no serviço público estadual.

  7. O problema é que Dilma já foi impichada pelo próprio PT

    Mesmo que Dilma escape do impeachment, ela já está desmoralizada, pois de certa forma já foi impichada por seu próprio partido a partir do momento em que Lula foi chamado a assumir a pasta da Casa Civil. É evidente que a medida, além de proporcionar foro privilegiado ao ex-presidente, tem como objetivo torna-lo o presidente de facto. Quando eu escutei Dilma chamando Lula de senhor na gravação, tive a intuição de que ela vai cair.

    Mas já que tantos querem Lula de volta no governo, a saída pode ser por aí. Se Lula ganhar em 2018, ele terá a chance histórica de reverter todos os erros que foram cometidos desde a nefasta Nova Matriz Econômica e trazer o país de volta à racionalidade que vigorou em seu primeiro mandato. Ou então quebrar o país de vez.

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