O verdadeiro combate à corrupção só pode ser feito por gente honesta, por Janio de Freitas

“Já era tempo de se vislumbrarem alguns sinais nos níveis de responsabilidade legal e moral na aplicação de Justiça e dos direitos civis. Ali não se ouve, não se vê, não se fala e, sobretudo, não se age a respeito da conduta de Moro na Lava Jato”

Jornal GGN – Nos deparamos com um teste sobre nosso futuro democrático, diz Janio de Freitas em sua coluna na Folha, as ações do Poder Judiciário quanto às transgressões de Sergio Moro vão indicar se o país sustenta o Estado de Direito ou nos jogamos em um vale tudo irremediável, escancarando aquilo que o país tem de pior.

“Já era tempo de se vislumbrarem alguns sinais nos níveis de responsabilidade legal e moral na aplicação de Justiça e dos direitos civis. Ali não se ouve, não se vê, não se fala e, sobretudo, não se age a respeito da conduta de Moro na Lava Jato”, pontua o articulista.

Janio alerta que esse imobilismo está bem representado pelo requerimento da Procuradora-geral Raquel Dodge para que investigue o vazamento. No caso, os alvos são o jornalista Glenn Greenwald e o site The Intecept Brasil.

E pedir à Polícia Federal, sob controle de Moro no Ministério da Justiça, nome que ele considera impróprio.

Raquel Dodge deixa claro o que quer, um novo mandato, e isso está claro também em seu relatório contra o habeas corpus para Lula enviado ao Supremo. Nele, Dodge manifesta sua preocupação, não sobre a questão Lula, mas se o conteúdo dos vazamentos foi obtido de maneira criminosa. E coloca isso como decisivo.

E discorre em defesa da nulidade dos vazamentos realizados para o The Intercept, que não têm validade processual. Raquel não entrou no mérito das gravações, cuja autenticidade das vozes e dos diálogos foram reconhecidas por ambos. Mesmo que negassem ilegalidade. Mas e Raquel Dodge? Não haveria aí muito mais a ser pedido por ela?

Janio considera que o The Intercept e Gleenwald fazem jornalismo sério, e não há como ter dúvida honesta sobre a autenticidade das gravações. E tais dúvidas se voltam contra os propósitos e métodos para esses setores que vão dar, ou negar, as consequências deste embuste praticado em nome da Lava Jato.

“O verdadeiro combate à corrupção só pode ser feito por gente honesta, a Lava Jato não precisa das outras. Nem a população precisa de mais gente a enganá-la e explorá-la”, diz o articulista.

E conclui: “Este é um momento de decisões graves —o que é sempre perigoso no Brasil”.

Leia a coluna na íntegra aqui.

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