4 de junho de 2026

Perplexidade e vergonha, por Marcelo Uchôa

Perplexidade pelo tom descompromissado com que o dirigente brasileiro comentou sobre temas importantes à humanidade, por exemplo, meio ambiente, tolerância democrática, cooperação internacional, marcos civilizatórios em geral

Perplexidade e vergonha

por Marcelo Uchôa

O discurso de abertura da sessão anual da Assembleia Geral da ONU pelo presidente do Brasil, ontem (24/09), causou vergonha e perplexidade generalizadas aos integrantes da IV edição do Curso de Políticas Públicas em Direitos Humanos da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, sala integrada por alunos oriundos de 35 países, sobretudo da América Latina, inclusive integrantes de governos de direita, como da Argentina, Chile, Paraguai e Colômbia. Perplexidade pelo tom descompromissado com que o dirigente brasileiro comentou sobre temas importantes à humanidade, por exemplo, meio ambiente, tolerância democrática, cooperação internacional, marcos civilizatórios em geral; vergonha pela percepção do nível de aliado político que eventualmente um governo brasileiro pode representar para suas nações.

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Mais do que mostrar-se cínico, deliberadamente mentindo sobre danos reais que sua atuação desastrosa vem notoriamente causando ao Brasil, o presidente apresentou-se desinformado, embrutecido, entorpecido intelectualmente sobre questões banais de compreensão filosófica, história política, globalização e pluralismo. Até mesmo sua falta de etiqueta, o caricatural apelo conservador e o desconforto em ocupar espaço de destaque na plenária, causaram espanto. 

Como brasileiro integrante do curso em Washington, me senti pessoalmente confortado constatando que o constrangimento pelo governante não era apenas meu, que pessoas que imaginei lhe apoiassem temiam pelo próprio futuro ao especular sobre eventual chegada do mesmo comportamento político em seus países. Saí com a certeza de que o presidente brasileiro viverá num casulo internacional maciço e intransponível e, como alguém que vive num espaço sufocante assim, perecerá no exaurimento do próprio ar.

Marcelo Uchôa – Advogado e Professor de Direito Internacional Público. Membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) – Núcleo Ceará. 

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3 Comentários
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  1. Carlos Elisio

    26 de setembro de 2019 1:24 pm

    “Saí com a certeza de que o presidente brasileiro viverá num casulo internacional maciço e intransponível e, como alguém que vive num espaço sufocante assim, perecerá no exaurimento do próprio ar.”

    Tomara chefe, tomara!

  2. Maria Luisa

    26 de setembro de 2019 2:17 pm

    O mundo todo ficou entre constrangido, intrigado e interessado nos negocios que eventualmente possam lurar com os chucros do bolsonaro e do guedes. Donald Trump, disse-me meu dedinho, deu uma boa gargalha e disse: dumb good boy !

  3. Mark

    26 de setembro de 2019 4:23 pm

    É o que acontece quando se elege um energúmeno débil mental para presidente: um discurso que envergonha o país e um comportamento perante Trump ( “I love you”) que lembra tietes ensandecidas diante de seu ídolo.

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