5 de junho de 2026

Petrobras: uma empresa pública a serviço da economia brasileira, por Tadeu Porto

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Artigo do Brasil Debate

Por Tadeu Porto*

É comum, nas conversas informais sobre economia, que ocorrem desde o happy hour de sexta até em entrevistas de políticos, se dizer que no sistema econômico o cobertor é muito curto. Ou seja, para implementar algumas políticas, necessariamente se deve abrir mão de outras.

Em uma linguagem mais acadêmica, segundo o economista Gregory Mankiw, pode-se explicar esse fenômeno pelo fato de enfrentarmos trade-offs(escolhas) o tempo todo.Com conceitos macroeconômicos não é diferente: mudanças na inflação, desemprego, crescimento do PIB, taxa de câmbio e afins podem se correlacionar de maneira competitiva, em que o ganho de um pode significar a perda de outro.

No Brasil atual, é frequente a afirmação de que o governo tem segurado a alta da inflação com o preço dos combustíveis, prejudicando assim a maior empresa do País: a Petrobras.

Existem, pelo menos, dois motivos básicos para isso: primeiro porque é verdade (e podemos notar isso pela queda no lucro líquido da empresa nos últimos anos) e segundo porque, em anos de eleição, a Petrobras vira alvo sistemático de críticas pouco construtivas, muitas vezes superficiais, que pertencem apenas a um jogo político.

Obviamente, o debate sobre as consequências de o governo congelar ou não os preços dos combustíveis, em detrimento de lançar mão de outras medidas mais [im]populares e conhecidas (aumentar taxa de juros, desvalorizar o salário, câmbio efetivamente livre) é tão complexo que caberia, no mínimo, uma dissertação sobre o assunto.

A despeito dessa discussão, um fato óbvio salta aos olhos: o governo só pode utilizar esse artifício por ser a Petrobras hoje uma empresa sólida e robusta, a ponto de lucrar, investir e ainda ajudar o País ao mesmo tempo.

Ou seja, com o fortalecimento da petrolífera nos últimos anos, o governo conseguiu aumentar o “cobertor econômico” ao qual nos referíamos no início, que mais parecia uma toalha de rosto nos anos 1990.

Destaco aqui alguns fatores que na década passada fizeram a Petrobras atingir um nível tão importante para a estratégia socioeconômica do País:

(1) A política de fortalecimento da empresa como “estatal”, diferente da década de 1990, quando a companhia passou por um período de baixíssima contratação de funcionários, fracos investimentos e uma privatização era quase realidade;

(2) A descoberta de reservatórios gigantes abaixo da camada pré-sal, que deu à empresa ótimas perspectivas de produção. Vale lembrar que as expectativas do mercado foram tão positivas que a Petrobras realizou uma capitalização recorde na história do mercado financeiro;

(3) Uma política nada tímida de investimentos (e.g. construção de plataformas e refinarias) para, num futuro próximo, poder dobrar a sua produção – segundo própria estimativa da ANP– e aumentar sua capacidade de refino, para depender menos das importações de combustíveis;

(4) O auxílio do BNDES (cuja importância já foi muito bem colocada no Brasil Debate) nos tempos em que os bancos internacionais diminuíram muito seus investimentos por conta da crise subprime;

(5) Aumentos de 30% em sua produção e quase 200% em seu lucro líquido, que ajudam a garantir os investimentos e alguma satisfação dos acionistas (a Petrobras está recuperando seu valor de mercado e se tornou, recentemente, a maior empresa de capital aberto do América Latina).

Apesar de todas as controvérsias que podem (e devem, para um rico debate) ser apontadas sobre o papel mais ativo do Estado no Brasil, em termos de resultados para a população, as medidas utilizadas pelo governo federal atual quanto à Petrobras e em geral foram exitosas.

Observa-se, por exemplo, que a diminuição do desemprego para níveis considerados por alguns especialistas como pleno emprego não ocasionou uma alta significativa da inflação.

Diferentemente do observado no final do século passado, em que o sistema de metas de inflação aplicado (porém apenas parcialmente obedecido) foi combinado ao aumento do desemprego. Esse é apenas mais um indício de que, com uma economia mais desenvolvida, pode-se aumentar o “cobertor” e encontrar um equilíbrio entre os indicadores econômicos e sociais que sejam benéficos para a população.

É preciso que os brasileiros avaliem bem as críticas que o governo recebe em sua gestão da Petrobras.

Considerando todos os interesses do País, é fácil constatar que a União – acionista majoritária da companhia e que deve zelar pelo Brasil como um todo – não deva pensar única e exclusivamente no lucro da empresa sem considerar os efeitos colaterais envolvidos. Da mesma forma, seria no mínimo ilógico abrir mão do poder que a Petrobras tem como uma empresa estratégica para a sociedade.

O Brasil, apesar de ser a sétima economia mundial e dos recentes avanços, ainda possui uma alta desigualdade social, má distribuição de renda e carece de serviços de qualidade essenciais como saúde, educação e infraestrutura, mas a Petrobras pode ser um instrumento para a modificação desse quadro.

Exemplos bem-sucedidos como o da Statoil, petrolífera norueguesa e uma das grandes responsáveis pelo fundo do petróleo (que fez, esse ano, a Noruega ter todos os “habitantes milionários”), não podem ser menosprezados em nome de uma política que busque exclusivamente o lucro.

Crédito da foto: EBC

* Tadeu Porto é engenheiro eletricista e mestre em Engenharia Elétrica pelo Cefet-MG, é petroleiro e diretor do departamento de formação do sindipetroNF

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12 Comentários
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  1. altamiro souza

    24 de setembro de 2014 10:35 pm

    excelente post.
    repõe o que

    excelente post.

    repõe o que penso sobre assunto

    tão profundo e complexo e, por isso mesmo,

    tão difícil de expô-lo com simplicidade e eficiencia.

  2. Pereira LF

    24 de setembro de 2014 11:36 pm

    É pra rir ou chorar?

    O post do Tadeu Porto está abaixo da crítica. É apenas diversionismo corporativo de alguem que não entende nada de economia. 

    1. Mário Mota

      25 de setembro de 2014 12:32 am

      Qual a finalidade da economia?

      Creio que o senhor está redondamente enganado. A economia não é restrita a quem aplica na bolsa ou é acionista de empresas. Sinto muitíssimo se o senhor pensa assim.

       

      Para que precisamos de uma empresa com a maior parte do capital pertencente ao governo federal, que tem lucros extraordinários e o povo brasileiro não pode usufruir benefícios por isso?

       

      Infelizmente, TODOS os brasileiros estão inseridos no cenário econômico, têm direito a vida, a se alimentar, a se vestir, a se divertir, a consumir… E a PETROBRÁS está inserida no modelo econômico e contribuindo com preço mais acessível de combustível, que permite custo mais baixo de transporte, de geração de energia, de polímeros orgânicos diversos, de fertilizantes, entre outros componentes importantes da economia.

       

      O artigo está excelente, muito bem centrado, e passa uma mensagem clara e consistente.

       

       

      1. Pereira LF

        25 de setembro de 2014 4:38 am

        Petrobras é um desastre

        Essa estória de beneficiar o consumidor é balela. Preço baixo também. Nossa gasolina é a segunda mais cara da América do Sul porque seu preço subsidia o etanol, nossa capacidade de refino é ridícula e precisamos importar (aí entra o frete mais caro que o produto). É incrível ler na imprensa que o Governo está comprimindo preço para conter a inflação. O preço deve variar de acordo com a cotação do petroleo. Esse preço está estabilizado porque há excesso de petroleo no mercado internacional. Um aumento seria, no momento, injusto, inflacionário e ainda serviria de prêmio para a incompetência da Petrobras.

        A Petrobras não é “dos brasileiros”. O Governo tem o controle (?) e os demais donos/sócios são os detentores das suas ações. Sua administração deve buscar o lucro que gera dividendos e impostos ao Governo e valoriza as ações que originalmente capitalizaram a empresa.

        O autor do post fala asneiras proprias de um petroleiro e sindicalista. Acho que ele não teria a coragem e patriotismo (com alguma ganância) de fazer o que fiz há 4 anos: ao aposentar-me em 2010, enfiei todo o meu FGTS em ações PETR4. Era uma mega capitalização da Petrobras e as ações começaram a R$ 26,00. Comprei a R$ 27,03. Setembro de 2011 a cotação era de R$ 21,06, Setembro de 2012 R$ 20,68 Setembro 2013 R$ 16,94  Em 1º de Setembro 2014 R$ 23,83. Hoje, 24/09/2014, R$ 20,61. 

        Calculando a perda em 4 anos, acrescentando a inflação correspondente, fica impossível admirar a Petrobras. É uma PDVESA da vida, cheia de “Paulos Roberto Costa” e outros vagabundos. Se a empresa não se levantar com o pre-sal nos proximos 5 anos, melhor privatizá-la.

         

        1. Severino Januário

          25 de setembro de 2014 7:41 am

          Também tive um primo que

          Também tive um primo que sofreu um acidente sério numa refinaria, quase ficou cego e teve de se aposentar na compulsória. Melhor vender esta maldita Petrobras.

        2. Helio do B

          3 de outubro de 2014 6:59 pm

          Meu prezado,
          Ação é

          Meu prezado,

          Ação é investimento de risco. Se o sr. aplicou todo o seu dinheiro em PETR4 o sr. errou feio, porque isso é coisa de neófito e o sr. parece que não é.

          Não culpe o Governo por um erro seu, mesmo porque poderia não ter ocorrido nada disso que ocorreu e um simples acidente bem águas profundas, poderia ter derrubado as ações com danos bem maiores.

          Mas não se desespere, torça para o Aécio que as ações poderão chegar a R$30,00 e aí o sr. tira o pé da m.., mas se Dona Dilma vencer de novo, com GRANDE probabilidade, a PETR4 vai chegar a R$12,90 como chegou no primeiro trimestre. Aí não fique se lamentando, compre, porque afinal essa é a regra do jogo.

          Como se dizia no tempo de infância, quem não sabe brincar não deve brincar e mercado de ações é brinquedo de gente grande.

           

    2. Argumentador Arrasador

      25 de setembro de 2014 2:27 am

      Seus argumentos são muito sólidos (como geléia fervente)…

      Mas vou tentar, humildemente, contestá-lo no mesmo nível:

      O comentário do Pereira LF está abaixo da crítica. É apenas diversionismo opinativo de alguem que não entende nada de economia.

      Acho que o meu é mais “sólido”, não?

  3. Caetano.

    24 de setembro de 2014 11:55 pm

    A capitalização recorde foi

    A capitalização recorde foi um tremendo golpe aplicado pela estatal e pelo governo nos acionistas minoritários. Estes tiveram que entrar com capital, enquanto o governo entrou com a promessa de pagamento futura, que não se sabe nem se e quando ocorrerá.

    1. wesley

      25 de setembro de 2014 1:10 pm

      bolsa de valores

      a bolsa de valores nao é conta matematica de 2+2=4 nao.voce pode ganhar muito,nao ganhar, perder ou perder tudo.

      poucos ganham muito na bolsa,os que ganham conhecem o sistema ou conhece tanto o sistema que o manipula como uma marionete.e o eik batista(o cara é um genio ou mega …..?)até lembrei do filme dinheiro dos outros

      http://<iframe width=”420″ height=”315″ src=”//www.youtube.com/embed/62kxPyNZF3Q” frameborder=”0″ allowfullscreen></iframe>

  4. wesley

    25 de setembro de 2014 1:16 am

    a petrobras é do brasil

    como marcio pochmann fala:”o brasil é da petrobras ou a petrobras é do brasil”.quero eu acreditar que a petrobras é do brasil e entao tem que vender e tambem por que pode vender internamente mais barato.teria que ser mais barato ainda

    como na venezuela,grande produtor como o brasil.o governo tinha que falar cristalinamente que internamente vai manter ou baixar o custo do combustivel e em contrapartida a diminuiçao do preço das passagens e do gas de cozinha.seu fosse acionaista nao ia gostar,mas nao sou e acredito que milhoes tem prioridade sobre poucos milhares de acionistas.

  5. BHZ

    25 de setembro de 2014 2:47 am

    Texto incoerente…

    4o parágrafo: “podemos notar isso pela queda no lucro líquido da empresa nos últimos anos”

    13o parágrafo: “Aumentos de 30% em sua produção e quase 200% em seu lucro líquido”

  6. É isso

    25 de setembro de 2014 3:40 am

    não há de ser uma continha

    não há de ser uma continha errada aqui e acolá que há de destruir essa gigante

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