Por que Bolsonaro está preocupado com o telefone de Adriano? Por Helena Chagas

Graças ao caso Adriano, o presidente da República deixou de lado seu comportamento habitual de apoiar a violência policial para formar ao lado de defensores dos direitos humanos — no caso, os direitos de Adriano, miliciano e amigo da família

Foto: Sérgio Lima/Poder360 - 30.set.2019

dos Divergentes

Por que Bolsonaro está preocupado com o telefone de Adriano

por Helena Chagas

Jair Bolsonaro conseguiu o feito inédito de unir contra si vinte governadores das mais diversas tendências e matizes políticos. A carta dos governadores tem como pano-de-fundo a sucessão de desentendimentos entre o chefe do Executivo e os titulares das administrações estaduais — a última, o desafio para que reduzam o ICMS dos combustíveis. Mas os signatários fizeram questão de mirar o ponto mais fraco do presidente da República: a relação com integrantes das milícias do Rio como o ex-capitão Adriano da Nóbrega, morto pela polícia baiana na semana passada.

Governador Rui Costa, da Bahia – Foto Orlando Brito

Ao dar centralidade em sua carta à solidariedade ao governador petista da Bahia, Rui Costa, acusado por Bolsonaro pela suposta execução de Nóbrega, os governadores elevam o tema ao patamar de questão institucional. E expõem Bolsonaro como nunca.

Graças ao caso Adriano, o presidente da República deixou de lado seu comportamento habitual de apoiar a violência policial para formar ao lado de defensores dos direitos humanos — no caso, os direitos de Adriano, miliciano e amigo da família. Não que ele não tivesse direito e eles, como qualquer pessoa; o que se destaca aqui é a inflexão no discurso presidencial. Alguém já havia imaginado ver Bolsonaro esbravejando contra a execução de um “ bandido” ?

Mas isso é pouco. O presidente da República continua pisando na casca de banana que os governadores respeitosamente jogaram em seu caminho. Nesta manhã, no twitter, pediu uma “ perícia independente” sobre a possível execução, usando recurso e linguagem próprias da oposição e de quem questiona perícias oficiais, feitas por instituições públicas  como a Polícia, o Ministério Público, etc. Alguém já viu um presidente defendendo perícia independente da que dos órgãos do Estado?

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Ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, acusado de chefiar milícias no Rio – Foto Divulgação/Polícia Civil

Não contente, na sequência de tuítes de hoje pela manhã,  Bolsonaro trai sua enorme preocupação com o que pode ser encontrado nos telefones de Adriano: “quem fará a perícia nos telefones do Adriano? Poderiam forjar trocas de mensagens e áudios recebidos? Inocentes seriam acusados do crime?”.

Enquanto isso, no mundo lá fora, rola a greve dos petroleiros, a tentativa de fechar o texto da reforma da Previdência, os números débeis da economia, etc. Bem estranhas as preocupações desse presidente da República, e inevitável agora a curiosidade, depois que ele levantou a lebre: quem andou falando com Adriano?

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6 comentários

  1. Creio que jamais alguém encontrará os celulares do miliciano ora morto.
    Mas, na suposição de que sejam encontrados, teremos nova temporada de vazajato, sem qualquer resultado útil para a sociedade como um todo, pois, aqui como lá, ninguém dará seriedade ao que for encontrado e os desMoronados e os dalanzóis continuarão onde sempre estiveram: caça e cassa ao PT e ao Lula.
    Mas, otimistas que somos, se porventura alguém cair em tentação, no celular serão encontrados rastros, fotografias, assinaturas e o escambau de uma famiglia que hoje diz (des)governar este país de merrecas
    sob os auspícios de mais de 57 milhões de energúmenos, que estão orgásticos desde a posse, pois, a religião sabe muito bem que o demônio tem muitas faces esverdeadas: pai, 01, 02 e 03, só pra começar a contagem.

  2. Será que esse bandido não deixou um arquivo em algum canto sabendo que ia morrer traído pelos comparsas?

  3. Ricardo Cappelli
    2 h ·
    GRAVÍSSIMO! UM CADÁVER TORTURADO NO COLO DA ESQUERDA???

    Ricardo Cappelli
    Flávio Bolsonaro divulgou no twitter um vídeo inacreditável com a autópsia de Adriano, o miliciano assassinado na Bahia. Isso mesmo, vídeo do cadáver sendo revirado, no twitter.

    Segundo o senador, sete costelas quebradas, coronhada na testa, queimado no peito por ferro e com dois tiros à queima roupa. Um dos zeros do presidente insinua que o miliciano foi torturado. Por quem? Pela polícia da Bahia. Dirigida por quem? Pelo PT para que ele confessasse crimes da família presidencial!

    Oi? É isto mesmo. Estão tentando jogar um cadáver torturado no colo dos companheiros. Contra um assassino torturador – o PT – qualquer violência se justifica. Querem vestir esta roupa na esquerda.

    Algumas perguntas:

    Como Flávio Bolsonaro teve acesso a este vídeo?

    O que fazia Eduardo Bolsonaro na Bahia no dia do assassinato?

    Rui Costa tem controle sobre a tropa? É questão de vontade ou competência do governador? Claro que não!

    Montaram uma arapuca para Rui e para o PT. O fato é gravíssimo. Tudo indica que está sendo gestada uma brutal ofensiva contra a esquerda. Não sejam ingênuos. Não é só contra o PT!

    A greve dos petroleiros foi declarada ilegal. Foi autorizada a demissão dos grevistas, vergonhosamente cercados e isolados pela grande mídia. A direção está autorizada a demitir, demitir por justa causa petroleiros em greve!

    As sombras estão avançando. Os fantasmas do Riocentro voltaram a assombrar o Brasil. Precisamos unir todos. Amplamente. A democracia está derretendo.

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  4. Nao é fundamental ter em mãos o aparelho para identificar ligações, as operadoras possuem estes dados que judicialmente poderão ser obtidos.
    Já a preocupação do bozo parece óbvia: serão provadas todas as conexões do falecido e, dependendo de quem obtenha os dados, as marionetes vão dançar no ritmo de outras mãos além dos eua. Mãos nacionais, que fique claro!

  5. Os Bolsonaros batem carteira e gritam “pega ladrão” para despistar os incautos.

    Ora, se houve queima de arquivo, os beneficiários foram os Bolsonaros. Ou o Adriano sabia de alguma maracutaia do Governador da Bahia?

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