5 de junho de 2026

Portugal é um estado de direito, doutor Moro…, por Manuel Carvalho

Chamar “criminoso” a um cidadão que não foi julgado nem condenado é um abuso que revela a verdadeira natureza de Sérgio Moro.
Foto Lula Marques

do Público

Portugal é um estado de direito, doutor Moro…

por Manuel Carvalho

É, no mínimo, um desplante. E no máximo um desplante no limiar do agravo diplomático que um ministro da Justiça estrangeiro venha até nós chamar “criminoso” a um ex-primeiro ministro que nem sequer foi condenado em primeira instância.

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Que José Sócrates seja um espinho cravado na ética republicana, que acumule um pecúlio de suspeitas capazes de legitimar o estatuto de político que todos amam odiar, que se tenha transformado no ícone maior dos vícios do regime, é uma coisa; que seja apelidado de “criminoso” na praça pública sem que a sua sentença tenha transitado em julgado (sem que se saiba até se vai haver julgamento), é outra coisa completamente diferente. Caso o juiz Sérgio Moro tenha esquecido, num Estado de direito existe a presunção de inocência. A menos que…

A menos que Sérgio Moro tenha definitivamente despido a toga de juiz para se vestir com a pele de justiceiro, uma suspeita que a forma como geriu alguns processos da Operação Lava Jato legitima junto de muitos observadores.

Porque, é óbvio, um juiz tem o dever de ser minucioso na atribuição de estatutos a terceiros. Tem de conservar a prudência e o recato sobre processos em investigação, principalmente quando está num país estrangeiro. Tem de ser capaz de manter a elevação do seu cargo e da sua responsabilidade e saber resistir às acusações como as que José Sócrates, na sua delirante visão do mundo, lhe dirigiu. Tem, finalmente, de respeitar a independência da Justiça nos países que visita, abdicando de condenar sumariamente pessoas que nem sequer começaram a ser julgadas.

Sérgio Moro tem toda a legitimidade em defender as suas ideias sobre as virtudes do sistema penal brasileiro sobre o português, incluindo os méritos da delação premiada ou essa acumulação de funções que concedem ao juiz de instrução a responsabilidade de ser também o juiz que preside aos julgamentos dos suspeitos. Pela dignidade do seu cargo e pelo prestígio que acumulou antes de acelerar o julgamento de Lula para impedir a sua recandidatura, antes de produzir uma condenação que muitos observadores internacionais consideram ser forçada face à fragilidade das provas, antes de aceitar ser ministro do mais polémico presidente do Brasil das últimas décadas, Moro seria sempre bem-vindo a Portugal para fazer a apologia das suas ideias de justiça. O que disse sobre Sócrates foi muito para lá do tolerável e tornou-o uma persona non grata.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. +almeida

    24 de abril de 2019 6:19 pm

    Tomou, Sérgio Moro? Tomou? Gostou? Vê se te emenda conge.

  2. Lúcio Vieira

    24 de abril de 2019 6:27 pm

    é a mesma tática redundante usada na propagação de fake news nas redes sociais. O ex-juiz ajudou no julgamento em tempo recorde, de modo implacável contra o ex-presidente e então se sente no direito de usar o mesmo método dos levianos propagadores de ficar usando o adjetivo “criminoso”. Só mostra um tanto de suas características desumanas e antipáticas

  3. Jackson da Viola

    24 de abril de 2019 6:30 pm

    O Ministro “Ruga do Conje” tem a “finesse” política e o “tato” diplomático de um Ernesto Araújo ou de um Carlucho Bolnossauro……com essa turma no poder, podemos ter certeza de comprar brigar como a metade do planeta(talvez mais….), nada melhor do que “arrumar” um incidente diplomático com um pais irmão que é membro da união europeia……jenial…deve pensar que esta “batendo martelo” em Curitiba…
    Tem toda razão o Manuel Carvalho……ele só esqueceu uma coisa……..a pergunta que não quer calar……..cade o Queiroz?????

  4. Anônimo

    24 de abril de 2019 7:10 pm

    O ex-juizeco vai na Europa cagar regra no mundo civilizado.
    E logo onde, num Estado Democrático de Direito, como o é Portugal.
    Esse “Sinistro da Injustissa” é um sem noção.

  5. Bonobo de Oliveira, Severino

    24 de abril de 2019 10:29 pm

    O político golpista de Curitiba deveria agradecer ao Manuel Carvalho por se referir a ele de forma tão respeitosa, acusando-o apenas de cometer abuso. Há quem lhe atribua qualificações bem mais realistas e adequadas.
    https://www.youtube.com/watch?v=YRc7lFM__e0

  6. Arthemisia

    25 de abril de 2019 6:52 am

    Moro segue a lógica DD: nossa desgraça é culpa da colonização portuguesa. Como ele agora é ministro de um governo que é a puta dos EUA, se sente empoderado para humilhar Portugal, sem temer consequências. Quem nasceu para puta não vai entender de que fala o Manuel.

  7. Anônimo

    25 de abril de 2019 7:36 am

    Detalhe: a provocação do mini-juiz (ministro-juiz) à José Sócrates, foi numa entrevista à… RecordTV Europa.

    No further comments…

  8. Haroldo Cantanhede

    25 de abril de 2019 10:17 am

    Falta de civilidade, falta de honestidade, falta de propriedade, o ex-juiz de primeira instância revela-se o que sempre foi: GOLPISTA.

  9. Haroldo Cantanhede

    25 de abril de 2019 10:19 am

    Falta de civilidade, falta de honestidade, falta de propriedade, o ex-juiz de primeira instância revela-se o que sempre foi: GOLPISTA. E, ao acreditar que pode agir com grosseria e truculência no país dos outros, mostra que é burro também.

  10. Anônimo

    25 de abril de 2019 11:00 am

    SALAFRA!

  11. Orlando Soares Varêda

    25 de abril de 2019 11:26 am

    MAS UM HORROR ! …RESTA NOS ENVERGONHAR, PERANTE AS PESSOAS MAIS CIVILIZADAS.

    O ex-juizeco moro, conje de dona Rosanje. Vixe Maria! Quê papelão,hem? … Todavia, como já
    estamos fartos de constatar, temos um ignorante juizeco, caricata cópia reduzida do Mussolini.

    Na verdade, o deslumbrado não passa de um moleque despreparado, insolente e muito
    malcriado.

    Aliás, não há nenhuma novidade nisso aí. Desde quando as classes dominantes
    brasileiras, via de regra, mostraram-se incapazes de produzir algo de verdadeiramente útil ao
    país. Inclusive, fazer filhos que prestem para algo.

    Orlando

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