Reação contra Lava Jato foi fruto do cansaço, por Janio de Freitas

‘Mas é possível que o desgoverno Bolsonaro, com o pasmo e a preocupação que causa, tenha dado contribuição involuntária, e ainda assim significativa, para o cansaço reativo onde reagir é menos conturbador’, crava o articulista.

Jornal GGN – As quatro derrotas sofridas pelos integrantes da Lava Jato na última semana oferecem uma percepção retardatária e bem-vinda, diz Janio de Freitas em seu artigo, hoje, na Folha. Intitulado como ‘A reação do cansaço’, o artigo foca esse caminhar torto dos integrantes da Lava Jato nesses anos.

Para ele, a força e a sequência das derrotas, mesmo com as pressões feitas pelo grupo, ‘indicam o esgotamento da tibieza com que autoridades maiores se curvaram a tantos desmandos, à margem da ação legal contra a corrupção, daqueles juízes e procuradores associados’. As entranhas da Lava Jato começam a aparecer.

O fundo financeiro idealizado por Deltan Dallagnol e seus coordenados já demonstra todo o descaso do grupo por seus limites funcionais e legais, diz Janio. R$ 2,5 bilhões de multa aplicada à Petrobras tornado fundo sob influência da Lava Jato já constitui uma pretensão tão audaciosa que exigiu práticas bem conhecidas desses personagens.

A primeira foi forçar o acordo de desvio da multa devida à União ao Estado. Depois disso, e sem poder para tanto, firmar esse acordo. Depois incluir em projeto a ser apreciado pela Justiça a falsa afirmação de que, nos termos negociados pela Petrobras com os Estados Unidos, se o fundo não fosse criado o dinheiro voltaria para os Estados Unidos. ‘É o grupo da Lava Jato aplicando os métodos de muitos de seus presos e condenados por utilizá-los’, afirma Janio.

E o STF destruiu o plano e, ato contínuo, o ministro Alexandre de Moraes proferiu uma decisão arrasadora, tanto no sentido jurídico quanto moral. E era a segunda derrota do grupo, pois antes disso a procuradora-geral Raquel Dodge preferira entrar em conflito com a Lava Jato a admitir o negócio de fundo em nome do Ministério Público. Raquel, em seu parecer, pediu ao Supremo que rejeitasse o fundo e anulasse o acordo, por serem inconstitucionais no teor e inaceitáveis na forma de obtê-los.

Além disso, o Supremo decidiu que caixa dois de campanhas eleitorais (aquele dinheiro não declarado) e os crimes conexos são inseparáveis para o processo e o julgamento, que cabem à Justiça Eleitoral, como reza o Código.

E, lembra Janio, a reação da Lava Jato nesta decisão oposta a seus interesses foi tão forte que os ministros do Supremo se indignaram. Foi a terceira derrota, e Deltan foi às redes para dizer que a decisão da maioria dos ministros faria fechar a janela do combate à corrupção.

E acusações a cada passo têm sido a tônica dos integrantes da Lava Jato contra o Supremo. Com Gilmar Mendes como alvo particular, mas os demais não escaparam das represálias do grupo. Dias Toffoli foi o primeiro presidente do tribunal a tomar atitude contra essa prática, e diz haver ‘ofensas criminosas’. Abriu inquérito que, se levado a sério, tratará principalmente da respeitabilidade do Supremo, tão questionada por influência desses ataques.

Janio considera que esse esgotamento da complacência com os abusos de poder da Lava Jato vem em momento, e isso é interessante, quando as condições lhes foram mais favoráveis. Até para usurparem mais os poderes alheios. Segundo ele, o governo de Jair Bolsonaro e a Lava Jato carregam infinidades, inclusive da mistura do religioso com o poder público. ‘Mas é possível que o desgoverno Bolsonaro, com o pasmo e a preocupação que causa, tenha dado contribuição involuntária, e ainda assim significativa, para o cansaço reativo onde reagir é menos conturbador’, crava o articulista.

E, na esteira, Sergio Moro – o ministro da carta branca que não pode indicar nem suplente de conselho – começa a ser escrutinado por seus admiradores. Em três meses não disse a que veio, e o que disse seria melhor ter calado. ‘Sob sua inutilidade, o crime avança para mais brutalidade’, finaliza Janio.

Leia a coluna na íntegra aqui.

6 comentários

  1. vi no 247 que o meu presidente Zé de Abreu disse que fará um filme em que mostrará o que é que foi a tal lava jato. É só ele mandar o número da conta pra contribuir que eu ajudarei, mesmo que seja com dez reais.

  2. E, por estas derrotas destes arbitrários agentes do Estado que criaram toda esta trama de ilegalidades e fraudes chamada lava jato, há nestes dias uma “guerra digital” em que os bolsonaristas exigem que o senado aprove o impeachmente de seis ministros do STF. A um destes fascistas eu respondi desta forma : ” as forças armadas perceberam que o capitao é totalmente incapaz para exercer este cargo e apóiam o STF no sentido de reestabelecer o Estado de Direito, acabar com o tribunal de exceçao chamado lava jato, libertar Lula e prender todos bolsonaristas que conspirarem contra a democracia.” Óbvio que foi apenas uma provocaçao apenas pra irritar os mini-hitler. Se nossas forças armadas e nosso judiciário tivessem uma consnciencia democrática, a lava jato teria sido destruida nos primeiros momentos da sua atuaçao predatória contra a economia brasileira e a democracia. E sergio moro, deltan dalagnol, barroso, bretas e bozo golden shower é que estariam agora na cadeia, invés do maior estadista da nossa História.E os “fascistas digitais” que usam redes sociais para instigar a violencia, ideologia do ódio, e linchamentos morais tornando-se embrioes de milícias fascistas que passariam a atuar “além da web” tal qual os dois bolsonaristas de Suzano, esta milícia digital fascista que faz apologia de atos criminosos análogos aos cometidos na Alemanha de hitler, essa horda anti-civilizatória seria punida na forma da lei. “Se” as forças armadas e o judiciário tivessem consciencia democrática… “Se” nosso povo tivesse consciencia crítica… O fascismo bolsonarista e o fundamentalismo religioso nem teriam se alastrado no país. Pessoas que dizem
    o que acabo de dizer podem ser banidos do facebook ( o que ocorreu comigo e com várias pessoas que tem seu ID numa “black listen” do site yankee.)

  3. Os Jateiros deixaram claro que a Justiça Eleitoral é conivente com a corrupção.

    Quer dizer que é falsa a afirmação de que, nos termos negociados pela Petrobras com os Estados Unidos, se o fundo não fosse criado, o dinheiro voltaria para os Estados Unidos?

    Dallagnol, mais do que ninguém, não deveria mentir conscientemente. Isso é ato atentatorio ao exercicio da jurisdição.

  4. Como podemos ver do artigo, a inteligência sempre foi incrédula…
    e o que teremos (ou o que já temos?) no Brazil do Bolsonaro, Brasil de hoje, com a moralidade baseada na Bíblia e os deveres em instituições que querem transformar, por ocupação, em divinas, serão milhões de inocentes plurais considerados demônios por estarem em união com a verdade ou a dúvida sendo perseguidos por alguns anjos, poucos, em união com a mentira. Haja vista a rede digital de convencimento por enganação

    em países que permitiram tal barbaridade fascista, as atitudes mais imorais, selvagens e injustas foram substanciadas, justificadas e permitidas como sendo feitos do bem ou angelicais.

  5. “Nós nos comprometemos a fazer de tudo e usaremos os melhores argumentos técnicos e jurídicos para defender o nosso trabalho e para continuar atuando do melhor modo possível contra corrupção”. – Deltan Dallagnol

    Dallagnol acusa o $TF de não se preocupar em prestar conta de suas decisões à sociedade, mas de perseguir os jateiros e ser conivente com a corrupção e incentiva a depredação do prédio do $TF.
    Cadê os 2,5 bilhões do Dallagnol?
    Cadê o Queiroz?

  6. A briga interna do braço da corrupção Estadunidense no Brasil está em briga interna.

    A Lava Jato mostrou uma forte inclinação de obter o poder e o STF sentiu que poderá ser descartado como foi o Eduardo Cunha.

    Ambos são da mesma organização criminosa. Porém, acredito que o STF será o primeiro a se arrepender de implantar a corrupção e ditadura Estadunidense no mais alto escalão do governo.

    Não bastasse a Lava Jato assinar que é uma organização criminosa com a tentativa de se apropriar do dinheiro da união, o STF agora tenta investigar e julgar seus críticos e opositores como é feito nas organizações criminosas como tráfico, milícias, máfia, terroristas e outras. Organizações estas que agem na forma de justiceiras investigando, julgando e condenando seus críticos e opositores por conta própria sem uso dos órgãos que são competentes a estes atos.

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