São Paulo alijado da política econômica, por André Motta Araújo

Colocar toda a economia de um País complexo e com uma aguda e prolongada recessão nas mãos de um pequeno grupo de "economistas de mercado" é uma temeridade

São Paulo alijado da política econômica

por André Motta Araújo

Em 1950 Getúlio Vargas volta ao poder. Eleito democraticamente Presidente da República após 15 anos de experiência como o maior e mais duradouro político brasileiro do Século XX. Para compor seu ministério convoca, para a área econômica, dois paulistas: o industrial e líder empresarial Horácio Lafer para Ministro da Fazenda e o industrial Ricardo Jafet para Presidente do Banco do Brasil, os dois principais cargos de comando da economia. Já que não havia Banco Central, as funções de autoridade monetária estavam no Banco do Brasil.

Vejamos bem o quadro:  Vargas, com sua larga experiência política nomeia, para dirigir a política econômica do mais fecundo governo brasileiro do Século XX, quando foram criados a PETROBRAS, o BNDES, a ELETROBRAS e lançadas as bases do grande desenvolvimento dos próximos 30 anos, quando o Brasil foi o País que mais cresceu no mundo. Vargas nomeou dois grandes industriais, EMPRESÁRIOS DA PRODUÇÃO, de primeira linha, para dirigir a economia do País e ambos líderes representativos do Estado que era o MAIOR INIMIGO HISTÓRICO de sua pessoa e de sua trajetória na vida política nacional, um Estado onde Vargas não tinha aliados, simpatia da população ou apoiadores,   Estado que 18 anos antes se levantou em armas contra ele. MAS Vargas nunca foi vingativo, ideológico ou pequeno, via a questão nacional antes de tudo.

Que enorme diferença de hoje, quando a economia brasileira, em plena recessão, NÃO TEM NA SUA LIDERANÇA UM ÚNICO EMPRESÁRIO DA ECONOMIA PRODUTIVA, muito menos alguém de São Paulo, principal Estado produtor do País, que responde por mais de um terço do PIB. Todos os comandos da política econômica brasileira estão em mãos de ECONOMISTAS CARIOCAS DO MERCADO FINANCEIRO, todos do mesmo bairro do Leblon, do mesmo setor de bancos de investimento e gestores de fundos, GENTE QUE NUNCA PRODUZIU UM PARAFUSO NA VIDA, vivem de corretagens e especulações no Estado com as PIORES FINANÇAS DO PAÍS, enquanto São Paulo é o Estado com as melhores finanças do País e com a maior concentração de ECONOMISTAS DA PRODUÇÃO, voltados à economia real e não à especulação financeira, Estado que liderou por um século a economia do Brasil.

Leia também:  Lava Jato pode destruir economia brasileira, por Sergio da Motta e Albuquerque

Colocar toda a economia de um País complexo e com uma aguda e prolongada recessão nas mãos de um pequeno grupo de “economistas de mercado” é uma temeridade, SOMENTE A PRODUÇÃO PODE CRIAR EMPREGOS e o atual comando da economia brasileira não tem nada a ver com produção.

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12 comentários

  1. Em que São Paulo esse cara vive ?!?! São Paulo, hoje, depois de 25 anos de TUCANOS, é UM LIXO !! Todas as grandes obras aqui ainda são do tempo do MALUF !! Os TUCANOS metem a mão nos cofres de SÃO PAULO há 25 anos !! São Paulo é o estado com maior concentração de bancos do país !! BASTA !!!

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    • Nada a ver com o texto. São Paulo com todas suas mazelas continua sendo o coração da economia do Pais, industrial, comercial e financeira, uma das tres maiores cidades do mundo, sede de 72% das 500 maiores empresas brasileiras e com tudo isso FORA do comando da politica economica, esse é o tema e não tucanos, PT, etc.

      • Caro André Araujo, o comentário de James Sergio foi que apesar de 25 anos de Mediocridade Tucana, São Paulo ainda consegue sobreviver. Fora isto ainda tem a mediocridade de Governos Petistas. Com tantas sabotagens São Paulo ainda é a Vanguarda Brasileira. E a Verdade é Libertadora. Muito graças à competência de Paulo Maluf.

      • Essa diatribe dos petistas contra São Paulo é um caso mesmo para psicanalista. Foi em São Paulo que o PT nasceu, mas na visão dos atuais militantes, São Paulo é o covil de uma tal “elite”. Como se a elite paulista fosse mais reacionária que a elite dos outros estados. Aliás, elite é sempre superior à média. Ou ao menos essa é a definição do dicionário para a palavra “elite”.

  2. O olho do dono é que engorda o porco. Com a Redemocracia, GV tenta voltar com os Democratas. Haviam perdido o controle da Nação por intermináveis 2 décadas. Ditadura e Fascismo mergulharam o país no atraso , caos e retrocessos. Como fazer uma omelete sem ovos? Como fazer Democracia sem Democratas? Como fazer Capitalismo sem Capitalistas? Como fazer um Estado Republicano e Liberal com uma Legislação Fascista? Capitalismo de Estatais só produzirá Feudos, Corporativismo e Oligarquias, já havia alertado Monteiro Lobato. Mas como dar Liberdade sem a Estrutura Liberal para mantê-la? Tropeços, Sabotagens, Tempo Perdido, Burocracia, Burocracia, Burocracia,…O Estado cada vez mais inchado e pesado, paralisando primeiramente a si mesmo e depois paralisando todo o país. Um ‘corpo’ que parasita toda a Nação para manter-se e sobreviver. Queríamos construir a Democracia partindo de um Ditador. Queremos ter Indústrias expurgando Industriais. Queremos após 3 anos de se plantar uma semente de abacate, colher maçãs. Depois de 9 décadas, ainda não conseguimos descobrir o que deu errado. Brasil, se não existisse, seria preciso inventar.

  3. Acontece que os tais brilhantes produtores industriais de São Paulo apoiaram o golpe e votaram em Bolsonaro. O Titanic é grande, mas é um barco; todos irão afundar. Tal como o sonho nazista de um.mundo sem judeus arrasou a Alemanha, o sonho fascista de um país sem Lula e sem PT arrasará com tudo aqui. E detalhe: nós não somos a Alemanha e não vamos nos reerguer.

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  4. Getulio foi eleito senador em 1945 por S. Paulo. Os dois senadores eleitos pelo estado eram do PTB, partido fundado por ele. Em 1950, como candidato a presidente, teve mais de 50% dos votos no estado.

    Concordo como tua análise sobre o destino econômico do Brasil e o papel de S.Paulo naquela época – e da miséria atual – mas quanto a “inimigo” de Getúlio… não concordo não.

    • Agradeço o comentario, Getulio foi votado pelos trabalhadores da industria que eram a nova classe do Estado Novo MAS Getulio nunca foi aceito pela elite paulista, que apenas o tolerava, 1945 era apenas 13 anos depois da Revolução anti-Vargas de 1932.

      • Mas que elite paulista é essa? A dos industriais? Dos banqueiros? Dos fazendeiros? A única elite paulista que efetivamente se opôs a Vargas foi o alto comando do Partido Republicano Paulista da época, mas de resto Vargas sempre teve apoiadores e inimigos inseridos em vários setores da economia e da sociedade. Não existe uma “elite paulista contra Vargas”.

        O termo elite, tal como é empregado aqui, é na verdade um TOTEM, uma entidade que encarna certos atributos – no caso uma entidade maligna que é culpada de todos os males do país, mas que ninguém sabe dizer com exatidão o que é, exceto que seus integrantes são sempre os outros,

        • Meu caro, há sim uma “elite” paulista como grupo social. Um certo tipo de personalidade e pensar, muito diferente de cariocas, mineiros e nortistas. Ela é uma mescla de raizes antigas que se mixaram com imigrantes, caso tipico de Fabio da Silva Prado, da mais solida elite antiga com Renata Crespi, Fabio foi Prefeito de SP, Yolanda Penteado, da aristocracia cafeeira com Ciccilo Matarazzo, casal que criou a Bienal, é uma elite tambem cultural alem de economica,
          esse “modus” paulista é bem especifico e cobre tanto o empresariado industrial, como o financeiro, os Setubal Vilella são da aristocracia antiga e ao mesmo tempo moderna, do Banco Itau, é uma “elite”
          perfeitamente definivel que não se confunde com outras elites do Brasil, negar que exista uma elite paulista e desconhecer o Brasil.

  5. O assunto mais importante do momento ,desse governo retardado,é o fim da tomada de três pinos e, quem mais produz isso são as industrias paulistas. Esses caras votaram no fascismo debilóide e o país já está no brejo!

  6. + comentários

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