Sobre o livro “A Evolução da Cooperação”, de Robert Axelrod

Robert Axelrod provou em seu livro “A Evolução da Cooperação” que podemos cooperar por egoísmo

Em O Labirinto do Desacordo

Por Thiago Venco

Cooperar não tem nada a ver com “sermos amiguinhos” – nem mesmo com “ser do bem”; aliás, talvez seja um ato mais egoísta do que altruísta. Cooperar não exige “boa vontade”. A cooperação independe de um acordo explícito entre as partes: cooperar não exige “civilidade” nem “pacto social”.

Se até hoje você acha que a “seleção natural” de Darwin explica a evolução pela pura competição entre as espécies, prepare-se para conhecer o outro lado dessa moeda.

Anêmonas comem peixe, mas… o quê aconteceu? Como eles começaram a cooperar? Por quê?

E mais: as mesmas leis da natureza regem nossa “cooperação do cotidiano humano” – as dinâmicas sociais de equilíbrio e desequilíbrio entre “cooperar X competir” que acontecem nas escolas, condomínios, associações de bairro, famílias, organizações desportivas, partidos políticos, grupos de voluntariado, sindicatos…

Este será um tema recorrente do Labirinto do Desacordo: hoje fazemos uma introdução dos fundamentos desta pesquisa, apresentando a vocês o livro “A Evolução da Cooperação“, de Robert Axelrod.

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Antes de começar, uma pequena biografia traduzida da Wikipedia:

Em 2014 Axelrod recebeu do presidente Barack Obama (EUA) a Medalha Nacional de Ciências.

Robert Marshall Axelrod (nascido em 27 de Maio, 1943) é um cientista político americano. Ele é professor de Ciência Política e Políticas Públicas na Universidade de Michigan desde 1974. Ele é mais conhecido por seu trabalho interdisciplinar na evolução da cooperação, que foi citado em uma grande quantidade de artigos. Sua pesquisa atual inclui a teoria da complexidade, segurança internacional e cyber-segurança.

Axelrod se graduou em Matemática pela Universidade de Chicago em 1964. Em 1969, ele recebeu seu Ph.D em ciência política na Universidade de Yale por sua tese chamada “Conflito de Interesse: Uma Teoria sobre Objetivos Divergentes com Aplicações na Política”. Ele lecionou na Universidade da California, Berkley, entre 1968 e 1974.

Recentemente Axelrod foi consultor e palestrante nos temas da promoção da cooperação e enfrentamento da complexidade para a ONU – Organização das Nações Unidas, para o Banco Mundial, para o Departamento de Defesa dos EUA, além de diversas organizações que atendem profissionais da área da saúde, líderes de empresas e educadores. Foi presidente da Associação Americana de Ciências Políticas entre 2006 e 2007, focando no tema da interdisciplinaridade.

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Recomendamos MUITO a leitura!
 
O livro “A Evolução da Cooperação” foi traduzido para o português pela Editora Leopardo (IMPORTANTE/DISCLAIMER – o Labirinto do Desacordo não tem nenhum acordo ou contato com a editora); é uma leitura fluente, acessível, que se preocupa em explicar suas teses científicas de modo simples, para alcançar um público leigo  – poderia ser lido por alunos do colegial, para pesquisa e projetos que unissem matérias de biologia, matemática, história, filosofia, ciência da computação e geografia.

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Talvez você tenha assistido o filme “Uma Mente Brilhante”, em que o ator Russel Crowe faz o papel do matemático esquizofrênico John Nash; pois bem, o pilar fundamental de “A Evolução da Cooperação” foi elaborado a partir da Teoria dos Jogos, campo de pesquisa de Nash – mais especificamente, Axelrod enxergou no “Dilema do Prisioneiro”, a chave que abriu as portas para as engrenagens da cooperação entre seres vivos.

Existia método em sua loucura… tipo Hamlet

O Dilema do Prisioneiro é um problema clássico da Teoria dos Jogos que demonstra a essência do “Equilíbrio de Nash”:

Uma situação em que, em um jogo envolvendo dois ou mais jogadores, nenhum jogador tem a ganhar mudando sua estratégia unilateralmente.

O Dilema do Prisioneiro conta uma história de dois criminosos que, capturados pela polícia, recebem uma proposta formal de redução de pena pela delação do comparsa. Porém, os termos do acordo variam de acordo com a seguintes situações:

– Se os dois criminosos optarem pela traição, ou seja, se ambos aceitarem delatar o outro, eles pegam uma pena “média” – digamos, de 6 anos.

– Se um prisioneiro decidir manter a lealdade ao outro e ficar calado, enquanto seu comparsa decide traí-lo, o traidor pega a pena “mínima” (1 semana) e o criminoso “fiel” pega a pena máxima (10 anos).

– Se ambos mantiverem a lealdade e ficarem quietos, receberão uma pena “pequena”, mas maior que a “mínima”: 2 anos.

“Cabeça Quadrada” e “Cabelo de Espeto” estão no maior dilema

O dilema se dá pelo fato que os prisioneiros foram separados um do outro – portanto, eles não podem combinar um acordo! Um não sabe o que o outro vai fazer… eles começam a “calcular” suas estratégias:

– Se eu ficar quieto e ele me trair, eu vou ser o “trouxa”! Ele cai fora rapidinho e eu amargo 10 anos… é melhor eu trair.

– O problema é que se ele pensar a mesma coisa, vamos ficar aqui 6 anos! Será que ele vai pensar nisso?

– Se ficarmos quietos, pegamos 2 aninhos, bem melhor do que 10 anos, bem melhor do que 6 anos… será que ele pensou nisso?

– Talvez valha a pena eu arriscar e traí-lo… se ele for o trouxa, eu me dou bem! Caio fora em 1 semana! Mas isso talvez apenas me “garanta” os 6 anos.

Não existe uma estratégia “ótima” – eis o “Equilíbrio de Nash”.

Axelrod foi brilhante ao notar que a natureza cria estas situações onde as “recompensas” & “penalidades” se apresentam de tal forma que os seres vivos não podem “selecionar naturalmente” uma estratégia melhor. Em vez de dinheiro, a “recompensa” pode ser território, alimento, água, um parceiro sexual… e as penalidades, a perda dessas vantagens.

 
O trabalho de Axelrod deu um baita IBOPE!

O importante é que o dimensionamento das “recompensas” seja desigual, mas que se mantenha dentro de certos limites, na seguinte relação de proporção:

TRAIR QUEM COOPERA COMIGO: RECOMPENSA = 5

COOPERAR COM QUEM COOPERA COMIGO: RECOMPENSA = 3

TRAIR O  MEU TRAIDOR: RECOMPENSA = 1

COOPERAR COM QUEM ME TRAIU: RECOMPENSA = 0

Ele enxergou, assim como Darwin, as diversas gerações de espécies competindo por um recurso natural; ou seja, é como se os “prisioneiros” fizessem milhares de “rounds” de acordo, ao invés de apenas um.

Cooperação entre a mesma espécie e também entre espécies diferentes.

Percebeu também que ao longo dessas milhares de gerações, alguns animais estabeleciam uma improvável cooperação: o tubarão e a rêmora, o jacaré e o passarinho que come os restos de comida entre os dentes do predador… como explicar os fenômenos da simbiose, do mutualismo, através da cooperação? Ou mesmo entender outras relações, como o parasitismo, através desse “outro lado da moeda” – competição & cooperação atuando juntas?

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Axelrod havia se formado em matemática e tinha experiência na nascente “ciência da computação”.

Ele pensou em usar os computadores para modelar uma grande sequência de “rounds” de acordos no modelo do “Dilema do Prisioneiro”;

Ou seja, seu projeto de pesquisa consistia em programar no computador diversas variações das decisões do prisioneiro A e B (trair ou cooperar?), para ver se havia alguma estratégia que dava resultados melhores ao longo do tempo.

Ou ainda se valeria a pena ir variando a estratégia para tentar ajustar os resultados conforme o prisioneiro percebesse que suas decisões estavam sendo ruins para ele.

Em vez de programar sozinho as “estratégias” dos prisioneiros, ele fez algo muito mais divertido: convocou cientistas do mundo todo a entrarem num “torneio internacional” de “dilema do prisioneiro”!

1) Wally, essas avaliações de colegas são como o famoso “dilema do prisioneiro”. 2) Se você me esculhambar mas eu disser coisas boas sobre você, você pega o maior aumento de salário. Mas se nós dois nos elogiarmos, é capaz de nós dois recebermos só um pequeno aumento. 3) WALLY, SE VOCÊ ACABAR COM ELE EU TE DEIXO VER MINHA COLEÇÃO DE LINGERIE! – “É exatamente por isso que as prisões não são baias abertas”…

Centenas de pesquisadores de diferentes áreas enviaram para Axelrod pequenos “programinhas” contendo suas estratégias de jogo: eles batizaram suas abordagens com nomes curiosos, como:

– OLHO POR OLHO (Começa cooperando e depois imita exatamente a jogada anterior do oponente)

Leia também:  Como a Covid-19 pode aumentar o risco de perda de memória e declínio cognitivo

– A TESTADORA (Programada para “testar” o oponente e tentar descobrir sua estratégia)

– TRANQUILIZADORA (Cooperar generosamente mas reagir se o oponente assumir uma estratégia traidora)

– UM OLHO POR DOIS OLHOS (Esperar o oponente trair duas vezes para trair também)

– OLHE ADIANTE (Uma variação de programas de inteligência artificial para o Xadrez. Procura prever os próximos movimentos do oponente)

– SEMPRE TRAIR (Jamais cooperar)

Cada um com sua estratégia… e mais: as estratégias se adaptam conforme “aprendem” com os resultados

 

Para comparar cientificamente as centenas de estratégias, Axelrod ainda programou uma estratégia ALEATÓRIA para verificar o “controle” estatístico dos resultados: não havia lógica nenhuma nas decisões de cooperar ou trair o oponente.

Os resultados foram surpreendentes. Havia uma estratégia que se destacava, ao longo do tempo, não por obter os melhores resultados (ela nunca conseguia pontuar mais alto que as outras) – mas sim por PERDER MENOS.

Assim, Axelrod descobriu que existia uma estratégia MAIS ESTÁVEL no longo prazo – e que lidava melhor com a variedade de estratégias dos oponentes.

Isso significa que talvez essa estratégia “especial” falhe diante de um oponente específico – mas jogando com TODAS as estratégias possíveis, NENHUMA consegue um resultado tão bom.

Outras estratégias ditas “exploradoras” começavam bem melhor que a campeã; mas com o passar do tempo, elas consumiam as estratégias “submissas” e pereciam “sem alimento”! Isso porque uma das modalidades de “torneio” ia eliminando as perdedoras e “selecionando” as mais aptas.

Em mais de um torneiro, a estratégia OLHO POR OLHO se destacou, mesmo quando os cientistas já sabiam de seu “poder” e criavam estratégias complexas, pensadas para derrotá-la.

Não, não estamos falando da Lei de Talião! Trata-se de um conceito mais amplo de estratégia. Se tiver dúvidas, escreva para o Labirinto do Desacordo!

A OLHO POR OLHO é extremamente simples; Axelrod considera que a “simplicidade” de sua proposta é essencial para seu sucesso, pois o oponente não precisa ser “extremamente inteligente” para entendê-la e portanto, para reconhecer o padrão simples e constante de seu adversário:

A estratégia OLHO POR OLHO coopera no primeiro round – a partir do segundo, ela fará exatamente o que o adversário fizer.

Isso significa que se a OLHO POR OLHO encontra uma estratégia “SEMPRE TRAIR”, ela vai perder por uma pequena margem: ela cooperou na primeira rodada e depois, ambas naufragam juntas num “abraço da morte”, sempre se traindo mutuamente.

Este é o segredo de sua vantagem competitiva: afundar lado a lado com os “traíras”, se dar bem com os “generosos”.

A OLHO POR OLHO não oferece a outra face! Mas ela sempre estende a mão na primeira rodada. Se ela encontrar outra OLHO POR OLHO, isso significa que elas SEMPRE VÃO COOPERAR.

Mais um que tinha método em sua loucura! Poeta Gentileza!

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A partir desta descoberta, Robert Axelrod foi capaz de extrair algumas conclusões interessantíssimas sobre os fatores que auxiliam a “promover a cooperação”; eis algumas “dicas” para os estrategistas:

– Não sinta inveja dos resultados do oponente
– Não seja o primeiro a trair
– Retribua cooperação com cooperação e traição com traição
– Não tente ser “esperto” demais ao reagir à estratégia do oponente

 
Não sinta INVEJA! Jogue seu jogo, mantenha uma estratégia!
 
Ele também percebeu que algumas “boas práticas” impactam positivamente na promoção da cooperação:

– Aumentar a importância do futuro (dar valor aos “próximos rounds” da disputa e não somente aos “rounds imediatos”)
– Ajustar as recompensas para o equilíbrio do “dilema do prisioneiro”
– Ensinar o valor de “se importar com o outro”
– Ensinar a estratégia da reciprocidade
– Melhorar a capacidade de reconhecer padrões nas estratégias do outro

Porém, o detalhamento desses pontos terá que ficar para um próximo texto do Labirinto do Desacordo – por enquanto, você pode ler o livro ou acreditar que nele existem provas sólidas para estas afirmações tão “assertivas”.

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Não vamos nos aprofundar nisso para podermos relatar agora uma das mais interessantes “provas” históricas de que a cooperação pode acontecer entre inimigos – sem nenhuma necessidade de contrato, acordo, combinado ou “carta de intenções”:
 
 
Depois de alguns meses na trincheira, os soldados começaram a repensar a estratégia de seus superiores…
 
Na primeira guerra mundial, um fenômeno se alastrou de forma incontrolável nos mais de 800km de trincheiras abertas na Europa: soldados de ambos os lados começaram a cooperar, num sistema apelidado de VIVA E DEIXE VIVER.

“Certo dia, ao amanhecer – um dia como outro na “guerra das trincheiras”, cheio de fome, sede, doenças, medo e mortes, muitas mortes – o soldado alemão Hans, que era sapateiro antes de ser convocado pelo exército de seu país, estava distraído e por um grave descuido, colocou-se na linha de tiro do inimigo.

Hans ouviu o terrível estampido do fuzil; sua alma gelou, mas ele constatou que o tiro havia acertado o solo, a uma distância de um metro; Hans não pôde acreditar.

O soldado alemão pensou: não havia nada que impedisse o inimigo de me acertar esse tiro! Teria o francês errado de propósito?

Ninguém deseja morrer num buraco desses
Sim. O soldado Pierre, um açougueiro de profissão, estava cansado de receber ordens de generais que ficavam confortavelmente instalados em fortalezas seguras e distantes da lama fétida das trincheiras.

Ele olhou para o soldado Hans e pensou “Que pobre diabo idiota, esse está pedindo pra morrer! Mas dane-se as ordens: ele deve ser ainda mais novo que eu. Não vou mata-lo, vou apenas mostrar que, se eu quisesse, eu poderia – mas não quis”.

Hans entendeu perfeitamente o recado. Ele comentou o fato com seus colegas de confiança na trincheira, tão imunda quanto a dos inimigos. Eram todos humildes trabalhadores: professores, artesãos, operários… essa guerra não era deles.

No dia seguinte, foi a vez do soldado Pierre vacilar e se expor inadvertidamente. POW POW POW POW – uma saraivada de balas, todas a uma distância bizarramente segura de Pierre! “

Pronto: sem documentos, sem diálogo, sem diplomacia nenhuma, estava estabelecida a cooperação – VIVA E DEIXE VIVER!

Soldados de ambos os lados fingiam seguir as ordens de seus comandantes: disparavam morteiros sempre no mesmo lugar, na mesma hora, de modo que a tropa inimiga tinha todo o tempo do mundo para retirar-se para um local seguro – e retribuir o gesto com a mesma precisão. A ponto de relatos históricos narrarem “pedidos de desculpas” gritados ao front inimigo, se um desavisado quebrasse o “pacto tácito” de não-agressão.

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A estratégia OLHO POR OLHO, ou VIVA E DEIXE VIVER, alastrou-se como uma epidemia: generais de todas as nações em guerra redigiram cartas e cartas que provam seu desespero diante do “problema da cooperação”, registrando para a posteridade seus esforços de quebrar este “ciclo virtuoso” que impedia os soldados de matarem-se uns aos outros.

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Axelrod percebeu que a situação continha diversos elementos que ele vinha estudando no “Dilema do Prisioneiro”:

– O valor de futuro era altíssimo: durar até o fim da guerra era a recompensa máxima.

– Os “rounds” aconteciam várias vezes ao dia, a cada ataque.

– As trincheiras permitiam que cada lado reconhecesse seus oponentes e identificasse suas estratégias; se o soldado Hans fosse embora, eles perceberiam e readaptariam sua estratégia, dependendo de como o soldado Fritz fosse agir.

– “Oferecer a outra face” ao inimigo significava “a morte certa X a condecoração por mérito” do inimigo; ou a punição por deserção/traição por parte de seus próprios comandantes!

– Matar e morrer era ruim para todos – por motivos óbvios

– Não matar e não morrer era certamente mais vantajoso…

– Gentileza gera gentileza e vingança gera vingança: não era preciso nenhum gênio da estratégia para entender isso. É um acordo simples, sem nuances, sem exceções, sem ressalvas, sem condições.

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Teremos outras oportunidades para discutir o trabalho de Axelrod, pois ele segue influenciando diversos teóricos e praticantes de mediação de conflitos.

Ele também influenciou biólogos evolucionistas, que rapidamente identificaram a oportunidade de colocar a “competição & cooperação” como uma espécie de “yin/yang”.

 
 
Vamos discutir ainda em outras oportunidades a complementaridade entre Cooperação & Competição
 
Sem dúvida alguma ainda escreveremos um texto no Labirinto do Desacordo sobre um fenômeno que Axelrod identificou:

Em um ambiente dominado por estratégias “SEMPRE TRAIR”, a cooperação pode se infiltrar e dominar o ambiente – porém, será preciso ter um número “suficiente” de pessoas adeptas da estratégia “OLHO POR OLHO”, além de um número “suficiente” de rodadas que permita a “contaminação” do ambiente “faca nas costas” pela estratégia cooperativa.

Ou seja: está provado que “uma andorinha só não faz verão”. Mas um bando de andorinhas é capaz de dominar, ao longo do tempo, “a ilha dos abutres”.

 

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Por hoje, foquemos nestas importantes conclusões:

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– A cooperação independe do “altruísmo” – ela pode se estabelecer, ao contrário, por um cálculo egoísta de interesse próprio.

– Em situações onde o resultado final de uma situação depende da decisão de “protagonista & antagonista”, precisamos aprender a reconhecer que as pessoas adotam diferentes e variadas estratégias

– A estratégia OLHO POR OLHO não garante a vitória: ela apenas garante que, diante da incerteza da estratégia do outro, ou vista numa perspectiva de longo prazo, ela é a opção mais segura, por ser a mais estável

– Por sua simplicidade, a estratégia OLHO POR OLHO pode ser facilmente comunicada e “aprendida” pelo seu oponente: se você me trair, será traído de volta sem exceção – mas se cooperar, eu cooperarei 100% das vezes. É um pacto sólido e atraente.

– As estratégias exploradoras se beneficiam de estratégias generosas. Cooperar com traidores “obsessivos” é inútil. Sem oponentes “generosos”, as estratégias exploradoras perdem força e são “extintas” ao longo do tempo (pense num predador que perdeu suas presas fáceis e morreu de fome).

– É possível ajustar o sistema de “recompensas” e “penalidades” num contexto isolado para forçar que a cooperação apareça.

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Pense num condomínio, onde o síndico costuma “relaxar” as multas – rapidamente os infratores percebem que compensa “trair as normas”.

No entanto, em um condomínio onde é certo e garantido que “toda infração será castigada” – ao longo do tempo, os “jogadores” vão perceber a consistência das regras e adaptar-se ao estilo OLHO POR OLHO do ambiente.

Condomínios são uma arena perfeita para observarmos os problemas da Cooperação

O interessante é pensar que alguns ambientes favorecem a reprodução das condições do “dilema do prisioneiro” – com “grande número de rodadas” entre os participantes, com alto valor de futuro, onde estão em jogo “recompensas e punições”:

– Condomínios & associações de bairro: vontade de valorizar o imóvel no futuro e certeza de convívio com os mesmos “jogadores”

– Famílias: convívio de longo prazo, interações diárias e valor de futuro (heranças, paz no convívio, estabilidade do grupo)

– Organizações desportivas: reputação do grupo aumenta a adesão, consistência de regras, projeto de duração no tempo

– Partidos políticos & sindicatos: desestimular “traidores”, manter a coesão do grupo ao longo dos anos, obter vitórias perante outras estratégias

– Grupos de voluntariado: evitar conflitos internos, garantir a permanência dos voluntários, cooperar com outras associações

– Escolas: a mesma turma pode seguir junta por muitos anos.

O bullyng é uma estratégia exploradora que pode ser combatida

O mais interessante para estes ambientes é que a liderança pode trabalhar pela “emergência da cooperação”, sem necessidade de impor autoritariamente um comando que poderia ser desgastante e arriscado.

É uma questão de olhar para as “recompensas” & “penalidades” e tentar avaliar se há estímulo para a “SEMPRE TRAIR”.

Para uma instituição com múltiplos “agentes”, cada um com sua estratégia, a OLHO POR OLHO pode ser uma opção muito interessante, pois seu cálculo será o do ganho pela média, o ganho por “perder” menos e sobreviver às diferentes abordagens dos indivíduos – por mais que um deles se prove um “explorador” e “afunde junto”, a instituição estará se fortalecendo simultaneamente ao cooperar com os que aprenderam a “sempre cooperar”.

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2 comentários

  1. pensei na operação lavajato e

    pensei na operação lavajato e na delação premiada.

    quem trai a quem? quem coopera?

    quais os interesses?

    o filme a mente brilhante é emocionante!

    bom demais!

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