10 de junho de 2026

Trump não pode ser normalizado, por Tarson Núñez

Me chamou a atenção a maneira como os noticiários da nossa mídia corporativa tendem a ser complacentes com as atitudes de Trump.
por Marc Nozell - Flickr - Wikimedia Commons

EUA sob Trump invadiram Venezuela e sequestraram Maduro, com mídia brasileira tratando o fato com naturalidade.
Agentes do ICE mataram Reneé Good; protestos crescem, mas mídia minimiza e governo pressiona críticas.
Políticas de Trump ameaçam paz mundial, democracia e meio ambiente, com ataques militares e negacionismo climático.

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Trump não pode ser normalizado

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por Tarson Núñez

Após algumas semanas de férias, quando fiquei relativamente isolado dos meios de comunicação, voltei às minhas atividades normais no início da semana passada. E enquanto estive fora, muita coisa aconteceu mundo afora, quase todas tendo como protagonista Donald Trump, que completa o seu primeiro ano de mandato. Os Estados Unidos invadiram a Venezuela e sequestraram o seu presidente. Ao mesmo tempo as forças paramilitares do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE na sigla em inglês) ampliam a sua violência dentro do país. A seguir, Trump ameaça ocupar a Groenlândia e atacar o Irã. E por fim o presidente norte-americano sugere criar um Conselho da Paz, comandado por ele mesmo e por fora das Nações Unidas, para reorganizar a Faixa de Gaza. De saída, me chamou a atenção a maneira como os noticiários da nossa mídia corporativa tendem a ser complacentes com as atitudes do presidente norte-americano.

As notícias sobre os acontecimentos na Venezuela tratam com espantosa naturalidade o fato de que os Estados Unidos atacaram um país, bombardeando a cidade de Caracas e sequestrando Nicolas Maduro. O ataque aconteceu sem qualquer respeito ao direito internacional, sem autorização do congresso norte-americano e com base em argumentos absolutamente falaciosos, mas isso não parece causar qualquer embaraço aos meios de comunicações brasileiros (e tampouco à maior parte da mídia ocidental). Nem tampouco o fato de que a principal justificativa do ataque, que era de combater uma ditadura cruel que oprimia o povo venezuelano, ter sido esquecido rapidamente, uma vez que Trump segue negociando normalmente com os remanescentes do regime e nem sequer cogita em estabelecer eleições livres naquele país. Até mesmo a acusação de que Maduro estaria envolvido em cartéis de tráfico de drogas, principal justificativa para as hostilidades, foi retirada pelo próprio governo norte-americano no tribunal.

No entanto o noticiário concentra a atenção na questão dos presos políticos venezuelanos e nas negociações sobre quem vai ficar com o petróleo daquele país. O fato de que um país soberano foi atacado de forma unilateral e agressiva fica em segundo plano, e a apropriação da sua riqueza por multinacionais petroleiras é tratado como se fosse simplesmente uma ação entre amigos. Por outro lado, nesta mesma semana ocorreu o assassinato de Reneé Nichole Good por um agente do ICE em Minneapolis. Reneé foi alvejada à queima-roupa em uma ação gravada ao vivo em vídeo, que não deixa qualquer dúvida acerca da natureza criminosa do ato. No entanto as autoridades do governo federal norte-americano imediatamente se apressaram, contra todas as evidências, em defender o assassino e acusar a vítima de ser uma “perigosa agitadora ultra-esquerdista”.

Mas novamente o tratamento da mídia se caracteriza pela complacência. O crime é chamado de “um incidente”, e a cobertura do fato se limitou a notas breves por um ou dois dias, ignorando o fato que desde o dia seguinte ao assassinato de Reneé a população de Minneapolis tem tomado as ruas da cidade em protestos cada vez mais massivos. Por todos os Estados Unidos são cada vez maiores as manifestações de protesto contra o governo de Trump, que até são noticiadas. Mas enquanto manifestações contra governos em outras partes do mundo são caracterizadas como “rebeliões do povo contra o regime”, os crescentes protestos contra Trump são apenas mencionados, como se fizessem parte da paisagem.

Todos estes acontecimentos têm como pano de fundo uma tendência da mídia empresarial, do Brasil e do mundo ocidental, a normalizar o que está acontecendo nos Estados Unidos. Nossos meios de comunicação, sempre tão rápidos em julgar regimes e governos pelo mundo afora, se tornam complacentes quando se fala de Trump, como se todos estes descalabros fossem parte da normalidade. Esta tendência a naturalizar as atitudes do governo norte-americano é extremamente perigosa para o futuro do mundo. Não é possível que se aceite a crescente violência, retórica e real, do governante dos EUA, pois isso já se tornou uma ameaça para todos os habitantes do planeta.

Qualquer olhar mais cuidadoso e crítico, qualquer análise séria do que está acontecendo no mundo hoje tem que tomar como ponto de partida este processo de deterioração intelectual e política da liderança norte-americana. Os Estados Unidos, sob Trump, se tornaram uma ameaça descontrolada à paz mundial. O atual ocupante da Casa Branca, para qualquer observador mais atento deveria estar sendo tratado como o que ele realmente é, uma ameaça à paz e a democracia. Suas ideias e atitudes evoluem em um espectro contínuo que vai do puro e simples ridículo, passando pelo constrangedor, chegando a níveis assustadores e mesmo aterrorizantes. E é desta forma que deveriam estar sendo analisados. Um breve resumo do primeiro ano de governo de Trump aponta diversos exemplos de cada um destes elementos.

Começando pelo ridículo, que poderia ser apenas motivo de piada e diversão dos observadores externos. Trump se caracteriza pelo egocentrismo, a megalomania e a cafonice. Ideias como a de mudar o nome do Golfo do México para Golfo da América são tão tolas como ineficazes. Derrubar toda uma parte da sede do governo, a Casa Branca, e gastar milhões de dólares para criar um salão de baile dourado com o seu nome poderia ser considerada apenas um gasto desnecessário e um desrespeito ao patrimônio histórico. Mudar o nome de um centro cultural, o Kennedy Center, para “Donald Trump e John F. Kennedy Center”, poderia ser apenas uma demonstração de inveja e megalomania. Tudo isso ficaria no campo do ridículo não fosse também, ao mesmo tempo, revelador de uma personalidade profundamente doentia.

Mas Trump vai muito além do ridículo. Suas atitudes são também cada vez mais constrangedoras, revelando um governo desenhado à imagem e semelhança do seu líder máximo. Vamos a mais alguns exemplos: o ministro da saúde, Robert F. Kennedy Jr é um conhecido negacionista, militante anti-vacina, que recentemente deu declarações associando o autismo ao uso do Tylenol. A Ministra da Educação, Linda McMahon, é uma bilionária que fez fortuna dirigindo a WWE (World Wrestling Entertainment) uma empresa de mídia que promove luta livre. Linda foi uma das maiores doadoras da campanha e sua principal prioridade no governo é a extinção do ministério que dirige. Pete Hegseth, Ministro da Guerra, responsável por um dos maiores aparatos militares do planeta, era comentarista na rede de TV Fox News. Nunca na história dos Estados Unidos um governo teve uma composição tão desqualificada em termos intelectuais e profissionais quando o atual. Em seu segundo governo o critério de Trump para montagem da sua equipe foi o da lealdade incondicional, o que resultou na completa ausência de quadros qualificados no controle da maior superpotência militar do mundo.

Também nesta dimensão do constrangimento podemos situar a maneira como Trump relaciona seu papel institucional como presidente com seus negócios pessoais. Não se trata apenas de gestos simbólicos, como o salão de baile e a usurpação do nome do Kennedy Center, mas de uma ação escancarada voltada para o uso da presidência para o enriquecimento pessoal e familiar. De forma aberta e pública Trump mistura o público e o privado com uma naturalidade escandalosa.

Sua empresa de criptomoedas, o World Liberty Finance, fundada em sociedade com Steve Witkoff, seus campos de golfe, seus hotéis e investimentos imobiliários são operados em sintonia com as ações do governo. Seu primeiro encontro com as lideranças do Reino Unido e com Ursula Van der Leyen se deu em um Clube de Golfe na Escócia, que Trump estava visitando em uma “viajem privada”. Este é apenas um exemplo da mistura entre a vida pública e os negócios privados do presidente norte-americano, que já resultou, segundo o jornalista David Uberti, do Wall Street Journal, em um crescimento de mais de 4 bilhões de dólares na fortuna da família Trump.

E a mistura opera bem além do limite da ética. No início de dezembro, uma startup financiada por um fundo de capital de risco de propriedade de Donald Trump Jr acaba de ganhar um contrato de 620 milhões de dólares do departamento de defesa do governo. Outro caso exemplar é o de o Champeng Zhao, CEO da Binance, uma das maiores empresas de criptomoedas dos EUA, que se reconheceu culpado e foi condenado por lavagem de dinheiro. A companhia fechou um acordo pagando 4 bilhões de dólares e Zhao foi condenado à prisão e a empresa foi proibida de operar nos Estados Unidos. No entanto, Zhao escapou da prisão, pois recebeu um perdão presidencial de Trump em outubro.  Casualmente o perdão aconteceu meses depois que a Binance fechou um negócio de 2 bilhões de dólares com um fundo de investimentos dos Emirados e exigiu que os recursos fossem pagos com a criptomoeda do World Liberty Fund. Mas este uso pessoal do poder político para fazer dinheiro, que seria constrangedor para qualquer cidadão com mínimos valores republicanos, parece muito natural para Trump.

Mas o ridículo e o constrangimento são apenas os aspectos mais caricatos do governo. O primeiro ano de Trump vai muito além, se revelando também assustador. Isto porque esta mistura de ignorância, ganância, cafonice e incompetência se mistura também com um fanatismo fundamentalista de ultra-direita, que se constitui hoje em uma ameaça direta à democracia nos Estados Unidos. O projeto de Trump não se resume às idiossincrasias pessoais do presidente, ou às suas práticas condenáveis no uso dos recursos públicos. Seu objetivo é o desmonte deliberado da capacidade estatal e das instituições democráticas naquele país.

Este desmonte começou com a breve participação de Elon Musk no governo Trump, como responsável pelo DOGE (Departamento de Eficiência Governamental) e continuou por todo o ano de 2025. No primeiro ano do governo de Trump mais de 317.000 servidores públicos foram demitidos ou se demitiram, mais de 10% de toda a força de trabalho do governo federal. O resultado destas demissões foi um esvaziamento da capacidade operacional do governo, atingindo áreas como os ministérios da Agricultura, do Comércio, da Defesa e órgãos como o Center of Disease Control (que coordenou as atividades de enfrentamento à COVID), o departamento que trata do atendimento aos veteranos do exército, a agência de proteção ambiental entre tantos outros órgãos. Segundo o Brookings Institution, estas demissões estão também relacionadas com a abertura de caminho para a privatização das funções públicas do Estado. A este desmonte se soma um conjunto de medidas de natureza fiscal, cortando recursos de programas voltados para os mais pobres, enquanto promove grandes cortes de impostos para grandes empresas.

Também neste campo das medidas assustadoras está a perseguição sistemática a todos aqueles que não se submetem à lógica de apoio incondicional aos projetos de Trump. Universidades foram ameaçadas e perseguidas, assim alguns dos juízes que ousaram desafiar a legalidade das ações do presidente. Este tipo de perseguição se estende também a humoristas e apresentadores de TV que se posicionam de forma crítica às ações do governo. Trump vem pressionando as empresas proprietárias dos canais de TV para demitirem os seus críticos. E estas pressões funcionam: em dezembro a CBS retirou do ar pouco antes do horário em que fora anunciado o tradicional programa 60 minutes por conta de um episódio que tratava dos centros de detenção em El Salvador para onde são levados muitos dos presos deportados dos EUA. A emissora, que é controlada por um bilionário apoiador de Trump, argumentou que o governo não tinha sido ouvido, quando na verdade os produtores tinham solicitado entrevistas com autoridades e as mesmas tinham se negado a dar entrevistas. No fim das contas o programa foi vazado pela internet e a emissora terminou por transmiti-lo, mas o fato é que o governo trabalha abertamente para calar vozes dissidentes.

Mas o mais grave e violento aspecto do ataque às liberdades democráticas no país se relaciona com a política de imigração, carro chefe do projeto de Trump. O ICE, que originalmente era um setor especializado na fiscalização das fronteiras e no controle da imigração ilegal, se transformou em uma força paramilitar equipada com armas de guerra. Os agentes do ICE vêm ocupando as ruas agressivamente, particularmente em cidades e estados governados pelos democratas, abordando e prendendo pessoas nas ruas, invadindo residências sem mandato e atacando de forma violenta os manifestantes que se mobilizam em solidariedade às vítimas desta perseguição. Um número significativo dos presos pelo ICE foram cidadãos norte-americanos, capturados “por engano” e libertados depois de vários dias de detenção após a constatação do erro. Mas a morte de Reneé Nichole Good foi apenas a ponta de um iceberg. Pelo menos outras nove pessoas já morreram por conta de ações do ICE, além de centenas de desaparecidos, dos quais não se tem qualquer informação a partir do momento em que foram capturados.

Este quadro assustador se completa com a política internacional. A guerra comercial desencadeada por Trump, que espalha tarifas à torto e à direito, atingindo indiscriminadamente aliados e inimigos é apenas a parte mais visível de uma política internacional que se baseia exclusivamente na força e na agressão. A ideia de “America First” está levando a uma desorganização de uma ordem mundial que já não era de fato muito equilibrada. Em certo sentido Trump apenas faz de forma mais descarada tudo que os Estados Unidos sempre fizeram. A diferença é que agora Trump torna muito explícito o caráter predatório da relação do seu país com o resto do mundo.

E é neste terreno que chegamos aos aspectos aterrorizantes das políticas que hoje são protagonizadas pelos Estados Unidos. Sob Trump, a condição de potência militar e econômica do governo norte-americano se revela uma ameaça real à paz mundial e ao futuro do planeta. O ataque à Venezuela e as ameaças à Groenlândia são apenas a parte mais visível de um projeto de dominação imperial. Não por acaso, uma das primeiras medidas de Trump foi de mudar o nome do Ministério da Defesa para Ministério da Guerra, o que diz muito sobre as intenções belicistas de seu governo.

Trump se elegeu porque prometia que ia acabar com as guerras. O presidente se julga até mesmo merecedor de um Prêmio Nobel da Paz e afirma que acabou com oito guerras neste primeiro ano de governo. Dessas oito, algumas nem chegaram a existir (Egito x Etiópia) outras eram conflitos que já estavam pacificados (Armenia X Azerbaijão ou Sérvia X Kosovo). Em outros casos a suposta paz de Trump representa apenas uma pausa, sem que exista qualquer tipo de acordo de paz (como no caso do conflito Israel X Irã) ou mesmo são conflitos que continuam a acontecer (Ruanda X República Democrática do Congo). Já em relação ao conflito entre índia e Paquistão ambos os países afirmam que a cessação das hostilidades resultou de contatos diretos entre as partes. Por fim, o genocídio que Israel promove na Faixa de Gaza continua sob a proteção do manto de um “acordo de paz”. No entanto há registro de mais de 1.200 violações do cessar-fogo por Israel, que continua ocupando a Faixa de Gaza e vem ampliando a ocupação na Cisjordânia. Desde o “acordo de paz” de Trump 483 palestinos foram mortos e 1287 feridos.

As iniciativas de paz de Trump, portanto, têm muito pouca consistência. Por outro lado, desde o início do governo de Trump os Estados Unidos já bombardearam a Venezuela, o Irã, a Nigéria, a Síria, a Somália, o Yemen e o Iraque. E o conflito mais importante, a operação militar especial da Rússia na Ucrânia, que Trump prometeu terminar em 24 horas, segue em andamento. E mais do que isto, os Estados Unidos sob Trump afirmam abertamente que podem utilizar da força militar para impor a sua vontade, como no caso da Groenlândia ou do Irã. Esta postura belicista coloca o mundo, de acordo com muitos especialistas, sob o risco concreto de uma terceira guerra mundial.

E este risco se amplia no momento em que Trump ataca o arcabouço de instituições multilaterais que regulavam as relações internacionais desde o final da segunda guerra mundial. A retirada dos EUA de dezenas de organismos internacionais desorganiza os marcos institucionais que organizavam as relações internacionais. E a cereja do bolo é a pretensão de criar um “Conselho da Paz”, comandado por Trump, para resolver os conflitos, numa clara intenção de esvaziar de vez a já fragilizada Organização das Nações Unidas.

Mas a irresponsabilidade e a ameaça ao futuro do planeta não se esgotam no campo dos conflitos militares. Outras ameaças, não menos perigosas, resultam das políticas de Trump no campo ambiental. Seu negacionismo é um risco não menos importante do que as guerras. O governo norte-americano rompeu com todos os esforços relacionados com a crise climática, suspendeu projetos de energias renováveis, eliminou todas as políticas relacionadas com a transição energética nos EUA e vem liberando e estimulando a retomada de projetos relacionados com o petróleo e o carvão. Esta mudança se reflete pelo resto do mundo, minando os já frágeis esforços por uma transição ecológica.

O resultado final é que se conseguirmos por um milagre escapar de um conflito militar mundial seguimos correndo o risco cada vez maior de ver a vida na terra ser extinta por uma deterioração contínua da situação ambiental. A crise ambiental já deixou de ser uma ameaça para ser um problema do nosso cotidiano. Numa situação como esta, o negacionismo climático assume um caráter criminoso. A política ambiental de Trump é uma ameaça tão grande para o mundo quanto a sua irresponsabilidade no campo dos conflitos militares.

Por fim, para além da geopolítica e da ecologia, o projeto de Trump tem um outro aspecto muito perigoso para o futuro da humanidade. Isto porque seu governo se baseia em uma aliança sustentada por uma elite oligárquica hegemonizada por um grupo de bilionários do setor tecnológico que hoje dominam quase todos os aspectos de nossa vida em sociedade. As gigantes Big Tech não apenas concentram riqueza e poder em níveis jamais vistos na história, seus proprietários tem um claro projeto político de poder que implica de forma muito clara no fim da democracia e na dominação da humanidade. As novas elites tecnofeudais sonham com um mundo sob seu controle e buscam explicitamente eliminar a democracia e a soberania popular.

Essas poucas páginas que apresentei acima são apenas uma pequena parte do que se pode falar sobre este primeiro ano de governo Trump. Muito mais poderia ser escrito, sob os mais diversos aspectos. Mas creio que este breve resumo é suficiente para dar uma ideia do perigo que ele representa. Por isso é possível afirmar que o tipo de tratamento que nossos meios de comunicação a Trump e seu governo é irresponsável. Trump não pode ser normalizado.  Não se pode tratar suas ações e políticas como se fossem apenas equívocos e erros quando na verdade são uma ameaça ao futuro de todos nós. É fundamental, para a sobrevivência da humanidade, que Trump seja barrado. Ele e o bloco político que representa precisam ser combatidos, não podem ser tratados como se fossem apenas um acontecimento histórico peculiar.

Tarson Núñez – Doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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