O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom nesta quarta-feira (21) durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, ao reafirmar sua intenção de anexar a Groenlândia. Em um discurso marcado por críticas severas aos aliados históricos, Trump classificou a Dinamarca como “ingrata” e afirmou que a Europa segue por uma “direção errada“, consolidando o pior momento diplomático entre Washington e o bloco europeu em décadas.
Embora tenha descartado, pela primeira vez em meses, uma intervenção militar imediata no território ártico, o republicano manteve a retórica de pressão. “Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força e poder excessivos, caso em que seríamos, francamente, imparáveis. Mas eu não vou fazer isso“, declarou o mandatário. “Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia“.
Revisionismo e segurança nacional
A investida de Trump baseia-se em uma visão estratégica de defesa e em um polêmico revisionismo histórico sobre a Segunda Guerra Mundial. Segundo o presidente, os EUA foram “estúpidos” ao devolver o controle da ilha aos dinamarqueses após o conflito.
“Colocamos bases militares na Groenlândia para defendê-la e salvá-la. Fortificamos a Dinamarca. Impedimos que os inimigos conquistassem a Groenlândia. Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida. E olha o quão ingratos eles são agora”, disparou.
Para Trump, a ilha, que abriga bases americanas sob um tratado de 1951, está “sem defesa” e apenas Washington teria capacidade de garantir sua segurança nacional.
Resistência europeia e tarifas
A reação no continente foi imediata e coordenada. A União Europeia (UE) já articula uma retaliação tarifária de 93 bilhões de euros contra produtos americanos caso a pressão sobre a soberania dinamarquesa persista. O presidente francês, Emmanuel Macron, principal voz da resistência ao que chamou de “ambições imperiais”, afirmou que a Europa “não se curvará” e não aceitará novos “colonialismos“.
A tensão também se manifestou nos bastidores do Fórum. Uma reunião prevista entre Trump e o chanceler alemão, Friedrich Merz, foi cancelada após o atraso da comitiva americana por problemas elétricos no Air Force One. Enquanto isso, a Dinamarca sinaliza o envio de até 1.000 soldados para a Groenlândia, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que o bloco está “preparado para agir“.
Frentes externas e crise doméstica
Além do imbróglio no Ártico, Trump usou o palco de Davos para celebrar a atual situação na Venezuela, sugerindo que o governo do país vizinho aceitou negociar após a operação que resultou na prisão de Nicolás Maduro. “Assim que o ataque terminou, eles disseram: ‘vamos fazer um acordo’. Mais pessoas deveriam fazer isso“, ironizou.
Internamente, contudo, o segundo mandato de Trump, que completou um ano esta semana, enfrenta desgastes. O governo lida com a repercussão negativa de diversas operações da agência de imigração (ICE), aumentando a pressão doméstica sobre as políticas de segurança da Casa Branca.
AMBAR
21 de janeiro de 2026 2:47 pmÉ, o tiozão tá surtado. E pensar que ele só tem um ano de governo, ele é bem produtivo, parece 10 anos de ditadura.
Euclides Roberto Novaes de Sousa
21 de janeiro de 2026 5:48 pmEstou achando tudo isso um belo jogo de cena. Ou estarei enganado?
José de Almeida Bispo
22 de janeiro de 2026 7:58 amQue é encenação está claro pra mim desde o primeiro momento. O problema é que Biff Tannen é fanfarrão; ilimitado; sociopata, e tem cordeiramente um suas mãos a maior potência militar que a humanidade já viu. Chegamos à fase da Roma de Calígula, Claudio, Nero… Heliogábalo.
E tem uma moeda que só vale talvez dez por cento, não do que têm; mas do que acham que pode ter, incluindo o petróleo da Venezuela; da Pre-Sal brasileira; da Groenlândia e do Irã, pra não também mencionar a Arábia Saudita e a Rússia.