O Palácio do Eliseu informou nesta quarta-feira (21) que a França solicitou formalmente a realização de um exercício militar da Otan na Groenlândia. O movimento ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática entre a Europa e os Estados Unidos, motivada pela insistência do presidente Donald Trump em adquirir o território, que pertence à Dinamarca.
De acordo com o gabinete de Emmanuel Macron, a França está “pronta para contribuir” com a operação. A proposta francesa surge em um momento de ruptura nas relações transatlânticas.
Enquanto isso, Trump desembarca em Davos para o Fórum Econômico Mundial, onde deve reforçar a pressão sobre Copenhague, e líderes europeus buscam formas de garantir a soberania do território ártico.
O embate em Davos e o vazamento de mensagens
Na terça-feira (20), durante seu discurso na Suíça, Macron subiu o tom contra a Casa Branca, afirmando que o continente não cederá a “valentões” nem se deixará intimidar por ameaças tarifárias. A tensão, porém, extrapolou os palcos diplomáticos quando Trump divulgou uma mensagem privada enviada pelo presidente francês.
No texto, Macron questionava a investida americana sobre a ilha: “Não entendo o que você está fazendo”, escreveu o líder francês. A exposição da conversa privada aprofundou o mal-estar entre as potências.
Dentro da Otan, o temor é que o foco de Trump no território, que o próprio presidente vinculou à frustração por não ter recebido um Prêmio Nobel da Paz, desestabilize a cooperação militar no Atlântico Norte.
Groenlândia em alerta para possível invasão
O clima de instabilidade chegou à capital groenlandesa, Nuuk. O primeiro-ministro da ilha, Jens-Frederik Nielsen, recomendou que a população local comece a se preparar para uma eventual incursão militar dos Estados Unidos.
Em coletiva de imprensa, Nielsen confirmou que o governo está elaborando panfletos informativos e orientando os cidadãos a estocarem alimentos. “O líder do outro lado (Donald Trump) deixou bem claro que essa possibilidade não está descartada. Portanto, devemos estar preparados para tudo”, afirmou o premiê.
Embora considere o confronto direto improvável, Nielsen enfatizou que a segurança da ilha é indissociável da aliança ocidental: “Não é provável que haja um conflito militar, mas não podemos descartar essa possibilidade. Mas precisamos enfatizar que a Groenlândia faz parte da aliança ocidental, a Otan, e, se houver uma escalada ainda maior, isso também terá consequências para todo o mundo exterior”.
Mobilização diplomática no G7 e Bruxelas
Diante do risco de ruptura, uma reunião de emergência foi convocada para esta quinta-feira (22), em Bruxelas, reunindo os principais líderes da União Europeia. Paralelamente, Macron sugeriu a Trump a realização de um encontro extraordinário do G7 em Paris, também na tarde de quinta-feira, na tentativa de mediar a crise e evitar que o exercício militar solicitado à Otan se transforme em um prelúdio de conflito.
Os exercícios da Otan, como o pleiteado pela França, envolvem desde o deslocamento de oficiais até cenários de combate em grande escala com navios de guerra e milhares de soldados. Segundo as normas da aliança, os países participantes são responsáveis pelo financiamento de suas próprias contribuições de tropas e equipamentos.
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