21 de maio de 2026

Trump escala crise com aliados ao pressionar França e Dinamarca por controle da Groenlândia

Presidente dos EUA ameaça tarifas, expõe conversas privadas e desafia soberania dinamarquesa sobre território estratégico no Ártico
Donald Trump por Gage Skidmore - Flickr

▸ Donald Trump intensificou a ofensiva pela Groenlândia, ameaçando tarifas e vazando mensagens privadas de líderes europeus.

▸ Trump vazou mensagem de Macron e pressionou Reino Unido, França e Dinamarca antes do Fórum Econômico Mundial em Davos.

▸ Líderes europeus condenam ações de Trump e preparam resposta para proteger soberania da Groenlândia e interesses comerciais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nesta terça-feira (20) a ofensiva diplomática pela Groenlândia, ampliando a crise com aliados europeus ao ameaçar tarifas comerciais, expor mensagens privadas de líderes estrangeiros e reafirmar publicamente que não recuará de seu objetivo de incorporar o território autônomo dinamarquês à esfera americana.

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Em uma sequência de postagens em sua rede social, a Truth Social, Trump vazou uma mensagem enviada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e voltou a pressionar o Reino Unido, a França e a Dinamarca, numa escalada que líderes europeus classificam como chantagem política e comercial. A movimentação ocorre às vésperas do Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde o tema deve dominar as conversas entre chefes de Estado.

Trump, que deve discursar no evento nesta quarta-feira (21), reafirmou que a anexação da Groenlândia é uma prioridade estratégica inegociável. “Não tem volta”, escreveu o presidente. Em outra publicação, afirmou que os Estados Unidos são a única potência capaz de garantir a paz global “simplesmente, através da força”.

Vazamento de mensagem expõe tensão com Macron

O episódio mais sensível ocorreu com a divulgação, por Trump, de uma mensagem privada enviada por Macron, na qual o francês questiona diretamente a investida americana sobre a Groenlândia.

Não entendo o que você está fazendo”, escreveu Macron, segundo o print publicado pelo presidente dos EUA.

Na mesma mensagem, o líder francês propôs organizar uma reunião do G7 em Paris e sugeriu convidar, à margem do encontro, representantes da Ucrânia, Dinamarca, Síria e Rússia, além de um jantar bilateral com Trump. A autenticidade da mensagem foi confirmada por uma fonte próxima ao governo francês.

A exposição pública da conversa provocou reação imediata em Paris. O governo francês classificou como “inaceitáveis” as ameaças tarifárias feitas por Trump após a França sinalizar que não aderiria ao chamado “Conselho de Paz”, iniciativa americana que, segundo críticos, esvazia a ONU e concentra poder decisório em Washington.

Ameaça de tarifas e diplomacia da coerção

Trump afirmou que irá impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses caso Macron não mude de posição. “Eu vou colocar uma tarifa de 200% nos seus vinhos e champanhes e ele vai aderir, mas ele não tem de fazer isso”, declarou o presidente americano.

O francês respondeu que “nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar do mundo”.

Além da França, Trump mirou o Reino Unido, criticando Londres pela decisão de devolver o arquipélago de Chagos às Ilhas Maurício, onde funciona a base estratégica de Diego Garcia, operada em conjunto por britânicos e americanos. Segundo Trump, a medida representa “um ato de grande estupidez” e uma demonstração de “fraqueza” diante de China e Rússia.

Não há dúvida de que China e Rússia perceberam esse ato de total fraqueza”, escreveu. Para ele, decisões como essa reforçam a necessidade de que a Groenlândia seja “adquirida” pelos EUA.

Groenlândia como símbolo de ruptura

Território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca, a Groenlândia tem valor estratégico crescente por sua posição no Ártico, sua proximidade com rotas polares e seu potencial em minerais críticos, incluindo terras raras. Os EUA mantêm presença militar na ilha desde os anos 1950, mas a ofensiva aberta de Trump marca uma ruptura inédita com normas diplomáticas entre aliados históricos.

Nas redes, o presidente publicou imagens produzidas por inteligência artificial em que aparece fincando a bandeira americana na ilha, ao lado do secretário de Estado, Marco Rubio, e do vice-presidente, J. D. Vance, com uma placa indicando: “Groenlândia – Território dos EUA – Estabelecido em 2026”.

Em outra imagem, mapas do Canadá, Groenlândia e Venezuela aparecem pintados com a bandeira dos Estados Unidos durante uma reunião no Salão Oval.

Europa reage e prepara resposta

Diante da escalada, líderes europeus convocaram reuniões de emergência. A Comissão Europeia afirmou ser necessário “respeitar de forma inequívoca a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca”. Países da União Europeia avaliam retaliações caso Trump leve adiante as ameaças tarifárias contra exportações do bloco.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, também teve mensagens expostas por Trump, em tom elogioso ao presidente americano. Trump afirmou ter tido “uma ótima conversa” com o holandês sobre a Groenlândia e disse que haverá uma reunião sobre o tema durante o Fórum de Davos.

Autoridades europeias, porém, veem com preocupação a normalização de uma diplomacia baseada em coerção econômica, vazamentos de comunicações privadas e intimidação pública entre aliados.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    20 de janeiro de 2026 11:38 am

    Se o Bostonaro fosse o Presidente do Brazuca, o Brasil já teria aderido à Organização das Nações Trumpianas, como o Cachorro Milei já o fez e o $ujeitinho da Hungria.

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