Um lugar sem Direitos é um lugar sem Deveres, por Grauninha

Um lugar sem Direitos é um lugar sem Deveres, por Grauninha

Ontem foi um dia pra hoje. Meu primeiro orientando na graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária defendeu seu mestrado com o objeto de pesquisa, territórios, territorialidade, difícil para a área de exatas diriam alguns. Mas se a questão é problemas, espaço e tempo essa é a nossa praia ( ou montanha). Passei estes últimos cinco dias lendo artigos sobre o uso de agrotóxicos no mundo e no país e, por conta do viés multi e interdisciplinar, cheguei a um artigo do campo do direito em que denominava “áreas de não direito” aquelas que em suas superposições, relações e interações caíam no campo da injustiça. Na mesma hora linkei com a dissertação do meu querido aluno e pensei nos “territórios de não-direito “, como aqueles excluídos de qualquer salvaguarda em questões relacionadas a saúde, educação, trabalho, segurança…E isso no espaço é fácil de se ver. O IBGE, por exemplo, denominou uma de suas facetas como aglomerados subnormais. Hoje, nos tornamos um país-continente sem-direito. Muito triste e impactante ler a frase de um menino de 23 anos, trabalhador desde garoto, postar em seu perfil, após esta votação vergonhosa , a seguinte frase: “Um lugar sem Direitos é um lugar sem Deveres.”

E abriu um vácuo após essa leitura. Para onde estamos indo? Que lugar é esse? 

Umas das minhas disciplinas em sua ementa pede a inserção da questão ambiental, da sustentabilidade, no campo da Teoria do Planejamento. Rapazzz, isso é um Doutorado. Mas no campo das Engenharias, em sua história, como um campo discutível se era ciência ou não o que se fazia, uma questão tinha resposta: enquanto o mundo se acabava em guerras, era ela que o reconstruía. Não é a toa que em um trote na UERJ o sexto andar, Matemática, estendia-se uma faixa: ” Nós pensamos o mundo”. No terceiro, a Física, “Nós mudamos o mundo”. E no quinto, as Engenharias, “Nós Construímos o mundo”. E na sua história nasceram as primeiras politécnicas. E com que objetivo? Pensou-se muito, mudou-se muito e caíamos sempre na “desconstrução”. Estava na hora da Engenharia pensar o mundo também. Foi abandonada pela desenfreada saga uniformemente acelerada de auto-destruição civilizatória. Vivemos um momento único não só das Engenharias nacionais, mas de um todo corpo acadêmico- científico, sem igual na história de uma país a pouco tempo alavancado de terceiro mundo para emergente em pleno século XXI. Um amigo uma vez me disse, mais ou menos assim, de que fazer ciência é colaboração. E é mesmo! Fazer ciência não é um bibelô que você guarda no armário e de vez em quando visita, sóvocê para contemplar. Tem que ter troca, compartilhamento. Ela é emergente por natureza e vem pra TRANS-FORMAR. Mudar a forma das coisas. Assim penso a Ciência. Nos dias de hoje então vc tem acesso à todas as pesquisas, pesquisadores, do mundo inteiro. Reduziu-se o tempo, o espaço. A comunicação flui. A sensação é de que enfim vamos conseguir solucionar os problemas do mundo. Juntos. E vem isso. Retrocesso, em cima de retrocesso. A partir das escolhas da sociedade. Enfim, é só um desabafo. Um momento de reflexão compartilhado. Daqui a pouco entro em sala de aula com a responsabilidade de “futuros”. O meu, o seu, o nosso.

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