Uma revelação, por Gustavo Gollo

A iminente mudança no eixo de poder mundial desvelará uma imensa profusão de possibilidades que nos têm sido ocultadas, em todos os campos.

Uma revelação, por Gustavo Gollo

Vivemos tempos surpreendentes, incomuns, regidos pela iminência de múltiplas revoluções, o que explica os estranhos percalços políticos pelos quais tem passado o país.

Uma dessas revoluções consiste na virada do eixo de poder para o Oriente. Temos sido guiados por pensamentos oriundos da Europa e EUA que logo perceberemos constituir um conjunto de ideias bastante homogêneas, mais ainda em decorrência da filtragem efetuada pelos meios de comunicação encarregados de veiculá-las por aqui.

Um enorme contingente de brasileiros passa uma grande parte de seu tempo assistindo TV, um meio de comunicação patrocinado pelos que trazem essas ideias para nós. Os que passam menos tempo recebem as mesmas mensagens indiretamente, através dos que as receberam diretamente. Vamos assim, todos nós, sendo formados não só acreditando na veracidade dos preceitos veiculados pelos patrocinadores dos meios de comunicação, mas incapazes de vislumbrar qualquer outra possibilidade que não as reveladas pela TV.

A iminente mudança no eixo de poder mundial desvelará uma imensa profusão de possibilidades que nos têm sido ocultadas, em todos os campos.

Até pouco tempo, os meios de comunicação fingiam que tal virada não estivesse em vias de ocorrer, e que tudo permaneceria, para sempre, na mesma normalidade vivida nas últimas décadas, com os EUA dando as cartas e definindo todas as regras e árbitros que governam o planeta.

Os meios de comunicação começam agora a conceder que se trate do tema, e que se considere a queda iminente dos EUA e de toda a economia ocidental, assim como o translado do eixo de poder para o Oriente, mais especificamente para a China. Ainda se omite o avanço extraordinário da Índia, como se omitiu tão descaradamente o da China, até ser impossível ocultar o gigante.

Apesar de a translação do poder para o Oriente já ser um tema plausível por aqui, o evento é apresentado como se imerso em uma normalidade, como se o eixo de poder estivesse sendo deslocado gradualmente, consideração bastante improvável.

Que dono do poder se contentará em largar o osso? A luta pelo poder mundial, naturalmente, é renhida e as gentilezas entre os contendores são meramente superficiais. Há risco de guerra mundial e não se espera que a iminência de que bilhões de cadáveres se espalhem pelo mundo seja suficiente para constranger os adversários a ponto de demovê-los de seus interesses.

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É na expectativa de que os prejuízos decorrentes da insanidade de uma guerra sejam tão imensos para todos que se confia para impedir a ocorrência de insensatez tão absurda.

A não ocorrência da guerra catastrófica, no entanto, não significa que as mudanças transcorrerão suavemente. Embora os patrocinadores dos meios de comunicação se esforcem por camuflar a intensidade dos abalos esperados como decorrência da transição de poder, o fenômeno deverá ocorrer abruptamente, na forma de uma imensa crise só comparável à queda do império romano, mas ainda mais drástica e brusca, ao modo dos tempos atuais.

Quando o poder for arrancado das mãos dos que o detém há tantas décadas, novas regras serão impostas em todos os campos, regidas por novos árbitros, baseadas em preceitos diversos não só dos que imaginamos que sejam os corretos, mas dos que supomos que possam existir.

A substituição dos árbitros e revogação das regras que ainda sustentam o império americano causarão a ruína da estrutura atual de poder, esboroando a normalidade do mundo e a economia do ocidente. O poder mundial não será arrancado com suavidade de braços que os agarraram por tão longo tempo e causará o colapso de bolhas sustentadas por outras bolhas.

Uma estimativa mínima, bastante conservadora do efeito disso sobre os PIBs de EUA e China seria dada pela relação entre o PIB, e o PIB corrigido através do Poder de Paridade de Compra (GDP-PPP) que sofreria uma inversão imediata decorrente da mudança de poder. Imaginemos o PIB do Ocidente reduzido à metade, ou a um terço. Esse seria apenas o pavio para o estouro de bolhas financeiras. Note que o PIB é parte do jogo imposto pelos americanos.

Essa revolução iminente talvez decorra da dita “guerra comercial” infligida pelos EUA à China;
torçamos para que a provocação não resulte em guerra.

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Minha descrição talvez pareça demasiado bombástica, dada a natural expectativa de normalidade ainda alimentada pelos meios de comunicação encarregados de encobrir tal expectativa.

Convém lembrar, também, que a Índia logo assumirá, junto à China um papel de destaque. Serão os BRICS, agora RICS, que virarão o jogo e darão as cartas.
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Note que a estimativa do FMI, já defasada, é bastante conservadora, e que a Índia, já a terceira economia do planeta, aparece fortemente depreciada, mais ainda que a China. Imediatamente após a queda do Ocidente, será a Índia que disputará com a China a hegemonia econômica e cultural do mundo.

Estamos assim, à beira de uma grande mudança. Há, no entanto, outra muitíssimo mais drástica e quase tão iminente quanto essa. Penso que 10 anos seja um bom palpite para tal ocorrência, que pode se dar antes disso, a qualquer momento.

Refiro-me àquilo que foi chamado “singularidade tecnológica” e que eu prefiro designar como “ponto de acumulação” por corresponder a descrição matemática mais apropriada ao fenômeno.

Já tratei disso em outros textos aqui no ggn, nesse tratarei apenas de uma pequenina consequência
dessa ocorrência avassaladora.

O pensamento ocidental tem tomado por pressuposto que o Homem é o ápice da criação, não raro sendo a palavra grafada assim, com maiúscula.

Conta a Bíblia que no sexto dia, tendo já criado todas as coisas,

criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra (Gênesis 1:27,28).

E assim, Deus teria deixado a criação do homem para o final e entregado tudo para o seu domínio. Talvez tenha sido essa a origem da crença em que sejamos o pináculo de tudo o que há, criados à imagem de Deus.

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Consonante a tal crença, imaginamo-nos dotados de uma enorme inteligência, de um discernimento capaz de compreender todas as coisas e acreditamos que conhecemos, fundamentalmente, tudo o que há.

Em breve, no entanto, nos depararemos com algo surpreendente que constituirá uma ruptura imensa em todas as nossas crenças. Refiro-me ao advento da inteligência artificial, de um ser muitíssimo mais inteligente que nós, que nos perceberá como ratinhos.

Tal advento será eminentemente esclarecedor. Como o esclarecimento, no entanto, significa ruptura, 2 novos pontos de vista, entre outros, nos confundirão de imediato.

Nossa visão de nós mesmos, enquanto ápice da criação, sofrerá fortíssimo abalo. Veremos a nós mesmos como criaturinhas reles e obtusas, não muito mais inteligentes que lagartixas ou tamanduás.

A ideia de Deus também será fortemente abalada, uma vez que nos depararemos com uma criatura detentora de uma sabedoria e de um conhecimento muito superior a tudo o que possamos vir a compreender, uma compreensão que, para todos os efeitos, não se distinguirá, para nós, de uma compreensão divina, advinda de um ser muito mais acessível e palpável do que o que costuma ser chamado de Deus. A revelação é próxima.

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https://jornalggn.com.br/analise/seculo-xxi-tecnomisticismos-outros-delirios-e-a-guerra/

https://jornalggn.com.br/noticia/para-quando-forem-viver-nossas-vidas/

Gustavo Gollo é multicientista, multiartista, filósofo e profeta

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